As descobertas de petróleo foram realizadas em menos de dois meses (Divulgação / Petrobras) As recentes descobertas de petróleo no bloco Aram, na Bacia de Santos, traz novas perspectivas para o desenvolvimento econômico e social do litoral de São Paulo. A confirmação de dois poços com petróleo de alta qualidade, somada à perfuração de outro poço em andamento, reanima as expectativas de geração de empregos, avanço em infraestrutura e maior protagonismo para a Baixada Santista. A Petrobras foi a responsável pela escavação e pela confirmação da presença de petróleo. As duas descobertas ocorreram no mesmo campo, localizado a aproximadamente 240 quilômetros da cidade de Santos, conforme explica o diretor-fundador do Brazilian Energy Council (Brec), Eduardo Varela. Entre as principais oportunidades de emprego e benefícios que essa descoberta pode gerar para a Baixada Santista, o diretor-fundador destaca que a chegada do setor petrolífero promove uma ampla diversidade de atividades, indo muito além das funções específicas e técnicas. “O mercado de óleo e gás demanda desde administrador, enfermeira, fisioterapeuta, advogado, nutricionista, cozinheiro, soldador, montador de andaime, engenheiro, técnico... É um novo nicho econômico que a gente está trazendo para o Estado”, afirma. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Outras cidades do litoral de São Paulo serão beneficiadas? Para operar as plataformas, é necessário um forte apoio logístico, explica Eduardo Varela. Isso inclui uma base offshore, de onde partem os chamados supply vessels, navios menores responsáveis por transportar equipamentos e suprimentos. No entanto, esse suporte por si só não é suficiente, tornando também necessária a presença de um aeródromo para garantir o deslocamento rápido de equipes e materiais. “Então, foi definido de a gente fazer isso lá na região de Caraguatatuba, São Sebastião. Caraguatatuba vai ter um aeródromo até o final do ano que vem. E o Porto de São Sebastião, ele vai ter uma base offshore", acrescenta. Grande avanço O novo poço já está em fase de perfuração e, segundo o diretor-fundador do Brec, a equipe está cada vez mais próxima do que se chama de ‘comercialidade’ do bloco, etapa em que a exploração se mostra viável do ponto de vista econômico. Segundo ele, o termo 'comercializar' não significa, necessariamente, vender o petróleo, mas, sim, avançar para as fases de exploração e produção efetiva. “Então, o campo de Aram efetivamente vai começar a ser explorado e, como qualquer outro campo, a partir do decreto da sua comercialidade. Eles vão começar a explorar o campo. Eles decretam, trazem para o plano de negócio e aí ele realmente é incorporado, começando com a fase para prepará-lo para poder extrair o petróleo”. Além disso, os testes realizados indicaram que o petróleo encontrado é de alta qualidade, com características que facilitam o refino e reduzem os poluentes. Como encontram o petróleo? Eduardo Varela também explica que a identificação de possíveis reservas de petróleo depende do trabalho dos geólogos, que estudam a formação do leito submarino. A partir dessas análises, eles fazem estimativas para avaliar a probabilidade de existência de reservatórios na região. “Quando o geólogo é muito bom, ele consegue descobrir reservas enormes”, destaca. Descoberta da Petrobras em novo poço do pré-sal do litoral de São Paulo A Petrobras confirmou a presença de petróleo de alta qualidade e livre de contaminantes no pré-sal da Bacia de Santos, em um novo poço exploratório localizado no bloco Aram. O poço 3-BRSA-1396D-SPS fica a aproximadamente 248 quilômetros da cidade de Santos, no litoral de São Paulo, a uma profundidade de 1.952 metros. Além dele, no dia 17 de março foram encontrados petróleo e gás natural no poço 4-BRSA-1395-SPS. Segundo destaca a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, foram duas descobertas no mesmo bloco, no prazo de menos de dois meses, reforçando o excelente resultado obtido no início do ano, quando outro poço exploratório revelou petróleo de alta qualidade. O consórcio iniciará análises laboratoriais para detalhar as características dos reservatórios e dos fluidos encontrados, o que permitirá estimar o potencial da área. Como parte do Plano de Avaliação da Descoberta (PAD), também está prevista a perfuração de mais dois poços e a realização de um teste de formação. O PAD tem conclusão prevista para 2027, podendo incluir outras atividades de coleta de dados, conforme o cronograma e os compromissos contratuais definidos com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O bloco Aram foi arrematado em março de 2020, durante a sexta rodada de licitações da ANP, sob o regime de Partilha de Produção, com a Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) como gestora. A Petrobras lidera o consórcio como operadora do bloco, com 80% de participação, tendo como parceira a CNPC, que detém os 20% restantes.