O biólogo marinho Eric Comin registrou a donzela-real no litoral de São Paulo; a espécie pode ter chegado ao Brasil por meio da água de lastro de navios vindos do Caribe, onde já é considerada invasora desde 2014 (Arquivo pessoal / Eric Comin) Uma espécie de peixe nativa do Indo-Pacífico foi registrada pela primeira vez no litoral brasileiro e chama a atenção de pesquisadores. A donzela-real (Neopomacentrus cyanomos) foi encontrada em áreas como a Ilha da Queimada Grande, o Parque Estadual Marinho da Laje de Santos e o Arquipélago de Alcatrazes, no litoral de São Paulo, configurando um preocupante caso de espécie exótica invasora no Oceano Atlântico Sul. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O biólogo marinho Eric Comin registrou a presença da espécie no litoral de São Paulo. Segundo ele, a donzela-real pode ter chegado ao Brasil por meio da água de lastro de navios vindos do Caribe, onde já é considerada invasora desde 2014. Sua distribuição nativa é ampla e abrange duas grandes regiões: no Oceano Índico, ocorre do Mar Vermelho e Golfo Pérsico até a costa da África Oriental; já no Oceano Pacífico, vai das Filipinas e do arquipélago Indo-Malaio ao sul do Japão, norte da Austrália, Melanésia e Nova Caledônia. “A principal hipótese para sua introdução no Brasil e no Golfo do México é o transporte via plataformas de petróleo e gás, onde os peixes pegam ‘carona’ durante o deslocamento dessas estruturas entre oceanos”. A espécie A Neopomacentrus cyanomos é uma espécie diurna que se alimenta principalmente de zooplâncton e costuma formar cardumes em áreas protegidas e abrigadas. Segundo Eric Comin, esses grupos geralmente variam de 5 a 30 peixes em seu habitat natural. Já em regiões onde foi introduzida, como o Golfo do México, estudos apontam densidades maiores, com forte preferência por estruturas artificiais, como plataformas de petróleo, onde formam grupos de alta densidade. “Sua rápida dispersão pelo Caribe (Trinidad) acende um alerta para a biodiversidade marinha, incluindo a brasileira”, observa o biólogo marinho. Eric Comin explica que, por ser uma espécie planctívora que se alimenta em grandes grupos, a donzela-real pode competir por espaço e recursos com peixes nativos da costa brasileira. Além disso, é conhecida por seu comportamento extremamente territorial e agressivo, defendendo de forma intensa seus locais de desova, inclusive contra espécies maiores. “Ao se estabelecer em grande densidade em recifes de coral e estruturas artificiais (como plataformas de petróleo), ela pode alterar a dinâmica populacional dos recifes, impactando a biodiversidade local. Estudos indicam que plataformas de petróleo e gás facilitam a dispersão desta espécie, funcionando como 'pontes' que permitem a sua chegada a novas áreas, com populações já estabelecidas no Golfo do México e no Caribe”. Eric Comin acrescenta que, embora estudos iniciais no Golfo do México indiquem que o impacto imediato sobre peixes planctívoros nativos possa ser limitado por fatores ambientais, o alto potencial de invasão e a rápida colonização de novas áreas tornam a donzela-real uma ameaça significativa, principalmente aos recifes de coral brasileiros.