Ainda não há definição sobre o número de profissionais que serão necessários, já que isso depende dos dados que estão sendo coletados durante a fase de monitoramento nas rodovias Imigrantes e Anchieta (Alexsander Ferraz/ AT) As praças de pedágio de Riacho Grande e Piratininga, no Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI), vão ser substituídas por pórticos de pedágio eletrônico. A mudança começa a ganhar forma neste sábado (7), com a instalação dos equipamentos e o início de uma fase de monitoramento do tráfego, sem cobrança aos motoristas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a diretora da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), Raquel França Carneiro, a decisão foi tomada diante dos impactos das praças físicas, especialmente em períodos de pico, como feriados prolongados e fim de ano. “São praças que incomodavam bastante a população, com congestionamentos grandes e perda de tempo no caminho entre São Paulo e o litoral. A ideia é transformar a cobrança em algo mais fluido para o usuário”, afirma. Além da fluidez, a Artesp aponta ganhos em segurança e meio ambiente. “Todos aqueles acidentes que acontecem em praça de pedágio, como colisões traseiras, seriam eliminados. E há redução na emissão de gases do efeito estufa, porque não há mais aquele ciclo de acelerar e desacelerar”, diz. Cobrança dividida entre descida e subida Atualmente, a tarifa no Sistema Anchieta-Imigrantes é cobrada apenas no sentido da descida, no valor de R\$ 38,70. Com o novo modelo, haverá pórticos nos dois sentidos, subida e descida, e o valor será dividido. Os pórticos serão instalados antes da área de alargamento das pistas onde hoje ficam as praças, mantendo a via contínua, sem a abertura e o fechamento característicos das cabines de pedágio. A estimativa de gastos com os dois pórticos é de R\$40 milhões, sem contar com a retirada das tradicionais cabines de pedágio, mão de obra e outros serviços. Fase de testes começa neste sábado Neste primeiro momento, os pórticos vão apenas monitorar o tráfego. Sensores e câmeras vão identificar o volume de veículos, categorias e comportamento dos usuários, especialmente no sentido da subida, onde hoje não há cobrança. “Esse período é importante tanto para a concessionária entender o fluxo quanto para o motorista se adaptar à mudança. A praça continua funcionando por enquanto”. A expectativa da Artesp é que a cobrança efetiva pelo pórtico, sem as praças físicas, comece a partir de 1º de julho, mas a diretora ressalta que se trata de uma previsão. Como será feito o pagamento Motoristas que já utilizam tag de pedágio terão a cobrança automática ao passar pelo pórtico. Para quem não possui tag, o pagamento poderá ser feito pelo site do Governo do Estado, o sigafacil.sp.gov.br. No site, o usuário informa a placa do veículo e consegue visualizar por quais pórticos passou e o valor devido, com prazo de até 30 dias para quitar a tarifa. Não há emissão de boletos. Para quem não tem acesso à internet, a concessionária Ecovias vai disponibilizar totens de autoatendimento nas bases de Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU) ao longo da rodovia. Para a terceira pista da imigrantes ainda não existe nada que comprove que terá o pedágio, mas se tiver, será free-flow, segundo a diretora da agência. Impacto nos trabalhadores das praças Raquel destaca que o modelo já é utilizado em outras concessões paulistas e que o estado apresenta baixos índices de evasão de pagamento (Alexsander Ferraz/AT) A substituição das praças físicas também altera o perfil da mão de obra. Segundo a diretora da Artesp, a intenção da concessionária é treinar os atuais arrecadadores para novas funções. “Com o pórtico, surge a necessidade de validadores, que conferem as passagens registradas pelos sensores. A Ecovias tem a intenção de capacitar os colaboradores que hoje atuam nas praças para essa nova função”, afirma. Ainda não há definição sobre o número de profissionais que serão necessários, já que isso depende dos dados que estão sendo coletados durante a fase de monitoramento. Mudança pode transformar a operação comboio A retirada das praças também abre caminho para mudanças na chamada operação comboio, usada em dias de forte neblina na serra. Hoje, a retenção dos veículos ocorre justamente nas praças de pedágio. “A ideia é discutir uma operação comboio mais tecnológica, como já existe em outros países, com sensores, sinalização especial e controle de velocidade, sem depender daquela retenção física”. Segundo ela, a Artesp discute o tema com a Ecovias e com o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), que é responsável pelas normas de sinalização. Raquel destaca que o modelo já é utilizado em outras concessões paulistas e que o estado apresenta baixos índices de evasão de pagamento. “Em algumas rodovias, a evasão é de cerca de 4%. E aqui em São Paulo, quase 80% dos usuários já têm tag, o que reduz ainda mais esse risco.”