Pae Cará, em Guarujá, lidera número de mortes por Covid-19 em bairros da Baixada Santista

Com exceção a Santos, maior número de óbitos pela doença na região concentra-se nas áreas periféricas

À exceção de Santos, onde ocorrem mais mortes por covid-19 em bairros de classes média e alta, cidades da região registram maior número de óbitos pela doença em áreas periféricas. Até a última semana, o Pae Cará, no Distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá, era o bairro da Baixada Santista com maior quantidade absoluta de vítimas: 70.

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Os dados foram fornecidos pelas prefeituras da região, a pedido de A Tribuna. Ainda que infectologistas recomendem cuidado na análise dos dados, pois bairros mais populosos tendem a contabilizar maior volume de mortes, consideram que locais pobres podem sofrer mais, por questões sociais e estruturais.

“As condições das comunidades interferem muito em todas as doenças. Isso ocorre devido à falta de saneamento e alimentação adequada, o que deixa a imunidade comprometida. É natural que tudo isso reflita em um maior número de contaminados e mortes”, aponta a médica infectologista Elisabeth Dotti.

Por se tratar de uma avaliação inicial dos números de mortes pela doença, não há uma base comparativa para saber se em determinadas regiões está havendo mais mortes do que em outras épocas, como já ocorre em relação ao aumento de contágio do vírus. Em 7 de junho, A Tribuna noticiou o avanço da covid-19 em bairros considerados mais pobres.

O infectologista Marcos Caseiro destaca outro aspecto que pode indicar os motivos de mais mortes em bairros de classes média e alta santistas: a existência de mais idosos vivendo neles do que em locais como Morro Nova Cintra, Vila Progresso e bairros da Zona Noroeste.

“Sabemos que a doença é mais grave em pessoas com mais idade”, cita. “(Santos) Tem quase 90 mil moradores acima de 60 anos. Acho que essa população ficou isolada, pois muitos se assustaram. Esse é um problema. Se começar a liberar totalmente, esses podem sair e se contaminar, o que vai trazer a chamada segunda onda”, adverte.

Caseiro menciona que, com a flexibilização das restrições à circulação e a atividades econômicas na Cidade, há chances de uma segunda onda da doença.

Elisabeth Dotti ressalta que, por mais que tenham diminuído os números de mortes e internações, o contágio ainda é alto, o que eleva a necessidade de atenção e cuidados com a proteção e higiene pessoal.

Proporções

Ao avaliar as mortes e o índice de contaminação, o médico infectologista Marcos Caseiro sugere cuidado com números absolutos. Segundo ele, em epidemiologia e saúde pública, devem ser considerados os números relativos.

“Essa mortalidade é uma relação, um indicador entre o número de mortes e a população”, explica o médico, alertando que, por ter mais moradores, pode ter mais perdas. Ele deu como exemplo o Bairro Aparecida, em Santos, o segundo em número de mortes na região e o segundo mais populoso da Cidade, com cerca de 40 mil moradores.

Por dia

Entre 30 de julho e o dia 6 deste mês, a Baixada registrou, em média, 13 mortes diárias por covid-19, o que fez a região superar 1.500 mortes na quinta-feira. O primeiro óbito foi em 18 de março, em Santos.

Para entender a evolução da doença na região, A Tribuna pediu às nove prefeituras o número de mortes registradas por bairro. O objetivo era que todas fechassem os dados na mesma data, mas isso não ocorreu.

Cubatão enviou balanço até 31 de julho; Praia Grande, Mongaguá e Guarujá, na quarta-feira (5); Bertioga, Peruíbe e São Vicente, na quinta (6); e os casos de covid-19 em Santos e Itanhaém foram fechados na sexta-feira (7).

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