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Sábado

15 de Agosto de 2020

Operação Areia Limpa quer combater resíduos sólidos nas praias de Santos

Ação, que conta com o apoio da Agência de Proteção Ambiental da Suécia, será um projeto-piloto que poderá auxiliar intervenções em outras praias do país

Estudos mostram que, no Brasil, mais de 2 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos vão parar nos rios e mares todo ano. Um volume suficiente para cobrir 7 mil campos de futebol. Preocupadas com esse cenário, a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) e a prefeitura darão início, em Santos, a um projeto de combate às fontes de poluição marinha por resíduos sólidos.

A parceria, que conta ainda com apoio da Agência de Proteção Ambiental da Suécia, começa neste sábado (25), com o programa Operação Areia Limpa, uma ação de um projeto maior: o Lixo Fora D’água. Desde junho de 2018, foram identificadas as principais fontes de vazamento e tipos de resíduos encontrados nos oceanos e estudadas as ações que municípios podem adotar para prevenir o descarte. 

Assim – com base em monitoramento técnico, estudos antropológicos e análises comportamentais –, a Operação Areia Limpa será realizada por 30 dias, procurando aliar melhoria da gestão de resíduos, mudança de padrão de comportamento, consumo e interação com o espaço público da praia.

Segundo o diretor-presidente da Abrelpe, a ação em Santos será um piloto que poderá auxiliar ações em outras praias do país. Para a implantação, foram escolhidas duas barracas que receberão acessórios, como mesa de apoio com lixeiras, taças e copos retornáveis, canudos compostáveis, bituqueiras individuais de bambu e carrinho coletor para limpeza frequente ao longo do dia.  

As barracas onde os kits estarão disponíveis são a Pirata, na altura da Rua Quintino Bocaiúva (Canal 2), e Mar e Sol, na altura da Rua Sampaio Moreira (Canal 5). Durante o período de testes, serão analisados o comportamento e a resposta do público aos novos equipamentos. 

“É a primeira vez que uma ação de prevenção e combate ao lixo no mar é pensada e implementada a partir de estudos metodológicos multissetoriais, com a execução idealizada a partir da prototipagem de soluções que tenham viabilidade econômica, técnica e operacional com vistas à mudança de comportamentos para que se possa alcançar o objetivo maior de reduzir a quantidade de resíduos que vão para o mar”, afirma Carlos Silva Filho, diretor presidente da Abrelpe. 

Diagnóstico 

Os resultados do projeto desenvolvido em Santos indicam que as três principais fontes de vazamento de lixo no mar são: comunidades nas áreas de palafitas, os canais de drenagem que atravessam a malha urbana e a própria orla em sua faixa de areia.  

Assim, o diagnóstico da Abrelpe também mostra os principais resíduos poluidores das praias: 

Plástico - 52,5% dos resíduos coletados. São plástico filme, pequenos tubos, hastes plásticas e isopor, que contém plástico na composição.

Bitucas de cigarro - 40,4% dos resíduos coletados.  

Borracha, metal, madeiras, embalagens e outros - 7,11% dos resíduos coletados.

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