A proximidade da escolha do novo papa vem criando expectativa nos católicos de todo o mundo. O conclave, que tem início nesta quarta-feira (7), mobilizará 133 cardeais, abrigados na Capela Sistina, a quem caberá apontar o substituto de Francisco. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Na visão dos fiéis e religiosos da Baixada Santista, o novo ocupante da função deverá se inspirar na obra do antecessor, de postura totalmente caridosa, mas com olhar atento ao mundo contemporâneo. “A gente percebe, nessas reflexões que estão sendo feitas antes do conclave, que há uma coisa bem constante, ou seja, que deve haver uma continuidade da linha do Concílio Vaticano II (encontro de bispos realizado entre 1962 e 1965). Cada Papa tem sua característica pessoal, suas diferenças de estilo, de jeito de ser, mas a linha é comum no sentido teológico, de visão da igreja, de caminho pastoral. Então, assim como foi com o papa Francisco, que realmente seja uma igreja sensível à realidade, aberta ao diálogo e seja luz, sal e fermento no mundo. Assim, fazer com que a fraternidade e a paz cresçam em toda parte”, afirma o bispo diocesano de Santos, dom Tarcísio Scaramussa. Ele lembra que, nas celebrações feitas nesse período, além da lembrança do papa Francisco, também se invoca o Senhor pela eleição do novo ocupante do trono de São Pedro. “Faremos em todas as comunidades uma missa especial pela eleição do novo papa. Estamos em comunhão com os cardeais que participarão do conclave”, acrescenta. Ação do Espírito Santo Pároco da Paróquia de Jesus Crucificado e juiz do Tribunal Eclesiástico de Santos, padre Caetano Rizzi entende que cada papa, desde Pedro, tinha o perfil adequado para o momento. “Houve falhas em passado distante, porque havia interferência do mundo civil na escolha. Hoje, tudo é feito e vivido sob a ação do Espírito Santo”, entende. Ele sugere uma continuidade do que fez Francisco. “Não se pode ter uma ruptura, pois o papa, embora tenha sido muito criticado, nos mostrou a Igreja com portas abertas”, descreve. Já o pároco do Santuário São Judas Tadeu, Antonio Alberto Finotti, o padre Toninho, defende que a Igreja é movida, em primeiro lugar, pelo Espírito Santo e, só a partir disso, vem a participação humana, por assim dizer. “A eleição do papa Francisco surpreendeu todo mundo. E é assim que a gente percebe que realmente o Espírito Santo age. É lógico que entram sempre as nossas opções. Por isso que a igreja está aí há dois mil anos, com as suas conquistas, perdas, pecados, mas também sua graça.” O religioso pondera que o próximo papa seja alguém que, movido pelo Espírito Santo, dê uma resposta às necessidades do mundo. “O Papa é o norte que vai conduzir a Igreja durante o seu papado, nesse mundo cheio de conflitos e que precisa de paz, de tantas injustiças, fome e miséria”, acrescenta. João: igreja aberta para todos; Kátia: moderno, mas com carinho; José: um brasileiro, melhor ainda; Rita: igreja não pode regredir (Vanessa Rodrigues/ AT) Novo Papa deve ter perfil de Francisco A reportagem também conversou com alguns fiéis sobre a expectativa pelo novo papa. Em comum, o desejo de que seja tão solidário e humano como o que faleceu há duas semanas. “O novo papa deve ser contra a guerra, como o outro era, tão caridoso, que olhava pelos mais necessitados. Que seja moderno, mas com carinho pelos pobres”, diz a auxiliar de enfermagem Kátia Antônio Rosa, de 53 anos. Já o portuário aposentado Antônio José Dias Ferreira, de 70 anos, não imagina outro papa como foi Francisco. “Alguém como ele, não existe. Sempre esteve ao lado dos pobres, como um santo. Que o novo papa vá pelo mesmo caminho. Se pudesse ser um brasileiro, melhor ainda”, aponta. As qualidades de Francisco também devem contemplar o futuro papa, na visão da bancária aposentada Rita de Cássia Simões, de 56 anos. “Que seja do mesmo nível, com a mesma caridade e acolhimento para os pobres e para os homossexuais. Precisamos acolhê-los também, de forma humanizada. A Igreja precisa crescer, e não regredir.” Por fim, o metalúrgico aposentado João Batista Santos define em poucas palavras o que espera do substituto de Francisco no Vaticano. “Humildade, simplicidade e uma igreja aberta a todos.”