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Terça-feira

14 de Julho de 2020

No Mesa Brasil, doação cai e pedidos de ajuda aumentam

Três caminhões passam em 30 pontos de coleta na região. Cada caminhão tem dois funcionários

Programa permanente e bem-sucedido de combate à fome, o Mesa Brasil Sesc completa este ano duas décadas em Santos. E pela primeira vez desde que foi criado, vive uma situação desafiadora: as doações de hortifrútis caíram pela metade, e cresceu 65% o total de pessoas atendidas na região.

O Mesa Brasil funciona da seguinte forma: três caminhões do Sesc Santos coletam, todos os dias, produtos como frutas, verduras e legumes em supermercados, empórios e feiras. Para o consumidor, são produtos que já passaram do ponto, já estão muito maduros e, em geral, são desconsiderados na hora de escolher.

Porém, ainda têm valor nutricional e podem compor refeições em entidades da região. Esse é o papel do programa: recolher de quem quer doar e entregar no ponto final, não sem antes capacitar os colaboradores da cozinha na melhor forma de prepará-los.

Antes da pandemia, os três caminhões do programa recolhiam por dia 1.200 quilos de alimentos. Como agora os mercados, indústrias de pescado e pequenos cerealistas estão dimensionando melhor a compra porque o consumo diminuiu, a quantidade de doações também caiu. Agora, são apenas 600 quilos por dia. Eram 47 doadores. Agora, são apenas 30.

Público maior

“O que acaba nos ajudando a compor o que precisamos é o que vem do centro de captação do Sesc São Paulo”, diz a nutricionista Ariane Feltrin, coordenadora do Mesa Brasil do Sesc Santos.

Segundo ela, o programa passou de 9 mil para 15 mil pessoas atendidas. São pessoas de clínicas de idosos, creches, entidades beneficentes e até três aldeias indígenas que, antes, não estavam cadastradas.

As aldeias indígenas também atendidas pelo Mesa Brasil somam 400 pessoas e são as de Paranapuã (São Vicente), do Rio Silveira (Bertioga) e Bananal (Peruíbe).

Como ajudar

O programa define normas e procedimentos para coleta e seleção dos alimentos.

O produtos para doação devem estar em local protegido de sol e chuva, sobre estrados e longe de focos de contaminação. Os itens refrigerados devem ser mantidos sob refrigeração até a chegada do caminhão do Sesc.

Segundo Ariane, a preocupação do Sesc é manter a qualidade dos produtos. Por isso, os cozinheiros das instituições beneficiadas são preparados em programas específicos do Sesc. “Muitos alimentos são descartados indevidamente. Ainda têm valor nutricional”.

Programa ajuda a combater o desperdício

Além de combater a fome de pessoas que não têm como fazer ao menos quatro refeições por dia, o Mesa Santos do Sesc ajuda a diminuir o desperdício de alimentos.

Em termos de planeta, estimativas indicam que pelo menos 1 bilhão de pessoas não comam o suficiente para levar uma vida saudável. Todos os dias, um em cada nove habitantes vai para a cama com fome.

Em contrapartida, um terço dos alimentos produzidos no mundo acabam indo para o lixo, o equivalente a 1 bilhão e 300 milhões de toneladas por ano.

Razões

Algumas explicações para isso são a logística ineficiente entre produção e consumo: transporte inadequado, embalagens impróprias, falta de condições para doar o que perdeu o valor comercial.

Nesse último item é que o Mesa Brasil busca ajudar. “Pode ser que a fruta um pouco mais madura, que perdeu seu valor para o consumidor, não seja consumida como fruta, mas como suco, bolo, torta, doce”, explica Ariane.

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