Nervosismo e ansiedade: Estudantes da Baixada se dividem sobre aplicação do Enem

Além da prova, alta nos casos de Covid-19 aumenta preocupação de candidatos

Na reta final de estudos para prestar o Exame Nacional do Ensino Médio, estudantes da Baixada Santista estão divididos sobre a aplicação da prova agora em janeiro, com receio da alta de contaminações provocadas pela Covid-19. O exame aconteceria em novembro de 2020, mas foi adiado para 17 e 24 de janeiro. São quase 6 milhões de candidatos confirmados em todo o país.

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A estudante Letícia de Souza Carvalho Pereira dos Santos, de 19 anos, mostra preocupação com possíveis aglomerações antes e depois da prova. A moradora do Jardim Piratininga, em Santos, já prestou quatro vestibulares para medicina até o momento.

“O que preocupa é a aglomeração antes e após a prova na frente do local. As aglomerações na porta estão ruins, muitos pais na porta. A máscara, quando está calor, está difícil pela ausência do ar condicionado e ventilador. As provas em janeiro parecem mais cansativas, já que normalmente essa época estaríamos entrando em férias”, diz Letícia.

A Defensoria Pública da União pediu à Justiça um novo adiamento do Enem 2020. O documento ressalta que há uma prova agendada "exatamente no pico da segunda onda de infecções", e questiona a clareza sobre quais providências serão adutadas para evitar novas contaminações.

Com interesse em cursar gastronomia, o jovem Abner Pires Tomaz, de 18 anos, relata que tem conseguido manter uma rotina constante de estudos durante a pandemia. “A ansiedade fala mais alto, é claro. Mas por outro lado, se a prova for adiada, dá mais tempo de estudar”, pontua o morador do Rádio Clube.

Aos 17 anos, Nicole Chris Silva Pinho prestará o Enem pela primeira vez. Ela se mostra contrária a um novo adiamento, afirmando que isso prejudicaria início do ano letivo na faculdade, além de trazer maior nervosismo e ansiedade para os estudantes.

“Não gostaria de um novo adiamento, de jeito nenhum. O Enem tá chegando, já é dia 17. Se adiar, vai ficar muito em cima pra ver tudo da faculdade. A ansiedade fala muito alto, porque estou estudando desde o começo do ano passado. O nervosismo fala mais alto ainda“, ressalta a moradora do Campo Grande, que sonha cursar jornalismo.

A jovem Giulia Francisco dos Santos, de 17 anos, conta que viu o rendimento de estudo cair muito em 2020, trazendo insegurança para a hora da prova. Ela concorda com um novo adiamento, reforçando que a maioria dos estudantes, em votação pública feita pelo Ministério da Educação, mostrou preferência por fazer a prova no mês de maio.

"O aumento de casos de Covid é uma grande preocupação para os estudantes. Levando em conta que o Enem é uma prova que aflora o nervosismo dos estudantes, por que aumentar esse nervosismo com medo do vírus?”, questiona a moradora do Marapé, que pretende cursar direito.

A aplicação da prova impressa está marcada para os dias 17 e 24 de janeiro. Já a versão digital está prevista para 31 de janeiro e 7 de fevereiro.

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