Moradores de Santos se espantam com conteúdo externo monitorado pelo Facebook: 'Desabilitei'

Vídeos e alertas têm invadido as redes sociais falando sobre o monitoramento da plataforma. ATribuna.com.br conversou com especialistas e explica como desabilitar a 'Atividade fora do Facebook'; confira

Várias pessoas já receberam alertas sobre uma área chamada 'Atividade fora do Facebook', que está dentro da plataforma. Deconhecida ou ignorada por quem utiliza a rede social, ela realmente existe e em algum momento foi autorizada nos Termos de Uso. Através dessa ferramenta, o Facebook captura a movimentação de sites, aplicativos, compras, doações e muitas outras particularidades do internauta. 

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Na Política de dados do Facebook isso está claro e aceito: "Os anunciantes, desenvolvedores de aplicativos e publishers podem nos enviar informações por meio das Ferramentas do Facebook para Empresas que eles usam, incluindo nossos plug-ins sociais (como o botão Curtir), o Login do Facebook, nossas APIs e SDKs e o pixel da plataforma. Esses parceiros fornecem informações sobre suas atividades fora da rede social, inclusive informações sobre seu dispositivo, os sites que você acessa, as compras que faz, os anúncios que visualiza e sobre o uso que faz dos serviços deles, independentemente de ter ou não uma conta ou de estar conectado ao Facebook", diz trecho. 

Fernanda Santos é comerciante e usa o Facebook para divulgar sua loja, e ao receber um vídeo ensinando a desabilitar essa opção, ficou assustada com o que encontrou: "Tinha os aplicativos que eu uso, quantas vezes entrei, sites de compras, as outras redes sociais e até quantas vezes entrei no meu banco estava lá, desabilitei na mesma hora", revela. 

Para o estudante universitário Júlio Alves de Souza, esse não é o único problema. "Eu vi as intruções e já desabilitei, mas quantos outros não fazem a mesma coisa? Já fiz aquele teste de ficar com celular quieto em cima de uma mesa e conversar sobre viagens com os amigos no barzinho, e meia hora depois, ao abrir o celular, as publicidades eram de viagens. Deve estar no Google, sei lá, ou foi muita coincidência, né?", afirmou.

Campo 'Atividade fora do Facebook' é onde o monitoramento pode ser cancelado (Foto: Reprodução)

Como desabilitar

Para saber o que o Facebook anda vendo sobre a sua vida e desabilitar, acesse 'Configurações', e no campo 'Suas informações no Facebook' procure o item 'Atividade fora do Facebook' ao entrar, sua atividade já será listada e ao clicar num dos ícones -de site ou aplicativo- ele mostrará a quantidade de acessos que foram feitos. Após o susto de ver o quanto é monitorado (que certamente acontecerá), se desejar, clique em 'Desconectar Histórico', e tudo será deletado. 

Porém, para não permitir que o monitoramento prossiga, é preciso clicar em 'Mais Opções', depois em 'Gerenciar atividade futura', novamente em 'Gerenciar atividade futura' (no botão) e aí sim, aparecerá a chave para desabilitar.

O Facebook alega que as informações são coletadas para fornecer uma melhor experiência de navegação aos utilizadores, enviando publicidade ou informações mais assertivas, prevenir condutas danosas, e bem-estar " Por exemplo, analisamos as informações que temos sobre padrões de migração durante crises para auxiliar na ajuda humanitária", diz trecho do Termo de Adesão.

Briga com Apple

Desde o lançamento da versão 14 do iOS, a Apple pretende que todos os aplicativos expliquem (antes de serem baixados) que tipo de permissão vão precisar para funcionar, e o que utilizam ou compartilham sobre a privacidade do usuário. Por outro lado, a empresa de Mark Zuckerberg argumenta que isso dificulta as regras de competição entre as empresas devido à Apple ter vários aplicativos próprios, e a briga entre as duas não tem previsão de término. As ameaças de processos 'antitrust' ou de invasão da privacidade vira e mexe ressurgem.

Palavra do especialista

Para o especialista Rodrigo Morais, Analista em Segurança da Informação, a maioria dos serviços das 'big techs' como Google e o Facebook só são gratuitos porque colhem dados que permitem uma propaganda direcionada. "Então se você pesquisar, por exemplo 'prancha de surfe' no Google, com certeza vai ver isso em vários lugares por um bom tempo. Até aí tudo bem, já nos acostumamos com essa realidade", diz.

Morais alerta para o ponto quando a privacidade merece mais atenção: "Primeiro lembro que não existe tecnologia 100% segura. Vazamentos podem acontecer até mesmo nas empresas mais cuidadosas do mundo. Então, se o seu histórico de trajetos do Google Maps vazasse, por exemplo, toda sua rotina de locomoção, endereços de familiares, e outros dados importantes poderiam estar em mãos erradas", explicou o especialista.

O analista lembrou de um caso acontecido anos atrás quando houve um vazamento em um site de relacionamentos extraconjugais, o Ashley Madison, quando dados de pessoas participantes, e até suas conversas e fotos ficaram expostas. "A gente deve se preocupar, sim, com os dados que fornecemos para todas as grandes empresas. E faz bem quem tenta limitar o máximo possível a coleta dessas informações pessoais, como no caso do Facebook", explicou.

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