Mesmo com prorrogação da quarentena, prefeitos da Baixada Santista planejam retomada econômica

Segundo eles, o diálogo com os setores mais afetados pela crise criada pela pandemia de Covid-19 permitirá a definição dos planos de ação

Mesmo com a prorrogação da quarentena em todo o Estado até o próximo dia 31, os prefeitos da Baixada Santista já iniciaram os trabalhos para a retomada econômica da região. Segundo eles, o diálogo com os setores mais afetados pela crise permitirá a definição dos planos de ação. Apesar disso, será difícil escapar de uma recuperação lenta e cheia de dificuldades. 

O presidente do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Baixada Santista (Condesb) e prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), explica que uma parte das estratégias será discutida de forma conjunta, mas outras soluções precisarão ser independentes.  “As medidas econômicas, por exemplo, acabarão sendo isoladas. As cidades possuem características diferentes de arrecadação e tipos de atividades”. 

Ainda assim, segundo ele, os gestores da região devem agir com responsabilidade, “porque o que acontece em uma cidade impacta diretamente na outra”.

Estratégias

Barbosa afirma que a Prefeitura de Santos tem conversado com segmentos produtivos para definir a retomada das atividades com segurança, “acrescentando medidas de distanciamento, uso de máscaras e outras ações necessárias”.

“Além disso, estamos trabalhando uma série de incentivos aos setores impactados. A forma e a intensidade do plano dependem de como a doença vai se comportar na região e a estrutura existente, como leitos”.

Em Praia Grande, o prefeito Alberto Mourão (PSDB) informa que são realizadas discussões com a sociedade e a área comercial, produtiva e de diversos segmentos para conhecer os impactos, visando um diagnóstico preciso para o plano de ação ter resultado. 

O mesmo é feito em Itanhaém, de acordo com o chefe do Executivo Marco Aurélio Gomes (PSDB). “Um plano municipal está em construção, além da flexibilização da legislação para acelerar investimentos em infraestrutura”.

Ainda no Litoral Sul, o prefeito de Peruíbe, Luiz Maurício (PSDB) revela já ter algumas diretrizes traçadas, baseadas em dados técnicos e científicos. “Lançaremos nos próximos dias a ideia inicial do Plano de Retomada Comercial”.

Em Bertioga, o prefeito Caio Matheus (PSDB) ressalta que a Administração desenvolve um projeto de capacitação para comércio e serviços, visando “uma rápida retomada”.

Por sua vez, o prefeito de Guarujá, Valter Suman (PSB), diz que a cidade tem um comitê para o cenário pós-pandemia e está ciente de que será precioso discutir possíveis flexibilizações com o Poder Legislativo. 

Flexibilização

Enquanto Suman demonstrou grande preocupação com a indústria do turismo, o prefeito de São Vicente, Pedro Gouvêa (MDB), voltou a falar da importância em flexibilizar as regras. Segundo ele, é possível amenizar a crise liberando o funcionamento do comércio. “Com toda a segurança e a necessária fiscalização".

Em Mongaguá, o prefeito Márcio Cabeça (Republicanos) comenta que as cidades da região se desdobram para conter a Covid-19 e retomar a economia. “Sabemos que nossos comerciantes e empresários estão se reinventando e se sacrificando. Se, em Mongaguá, a população seguir respeitando o distanciamento social, vários comércios poderão ser retomados”.

O prefeito de Cubatão, Ademário Oliveira (PSDB), não se pronunciou.

Cenário pós-pandemia é preocupante

Enquanto os prefeitos conversam com os setores afetados pela crise, o CEO do Complexo Empresarial Andaraguá, André Ursini, revela grande preocupação com a retomada econômica da Baixada Santista. Segundo ele, a região vive um processo de recessão há cinco anos e contava com 1% dos desempregados do país antes da pandemia. 

Ursini cita entre os motivos para esse cenário negativo a monocultura existente no trabalho portuário, que passa por automatização. Ele também destaca que a pandemia mudou o jeito de fazer negócio. “Partimos, do dia pra noite, da era do papel para a digital”. 

O empresário diz que, para a Baixada Santista retomar o crescimento econômico, deve ser definido um plano, inclusive com incentivos fiscais. “Dinheiro público não haverá, uma vez que estados, municípios e União tentam conter a pandemia.

Os investimentos virão da iniciativa privada, não terá jeito. A poupança bateu o recorde de arrecadação em abril. Isso quer dizer o seguinte: o dinheiro está na iniciativa privada. Os estados terão que criar soluções para os investimentos acontecerem”.

Preocupação

O economista Jorge Manuel de Souza Ferreira afirma estar “muito preocupado” com relação a retomada da Economia. “Não estou vendo condições (de melhorar) do jeito que a pandemia está caminhando no Brasil e no mundo”.

Para Ferreira, mesmo que a pandemia termine, haverá um grande número de desempregados. O Governo Federal também não poderá continuar pagando benefícios para a população e a retomada vai se dar muito lenta.

O economista aponta para um posterior sentimento de insegurança do desemprego, o que deve fazer com que as pessoas segurem o dinheiro e não movimentem a economia. “Tem que ter algum planejamento melhor, no sentido de permitir que a indústria não morra. Tem que se pensar no pós-pandemia, do contrário não vai ter como retomar a economia”.

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