A mancha se espalhou pela orla de Mongaguá (Arquivo pessoal) Uma grande mancha preta tomou conta do mar em Mongaguá, no litoral de São Paulo, chamando a atenção de quem passava pela orla. A água passou a ter uma coloração escura e atingiu a faixa de areia da praia de Vera Cruz, acompanhada de forte odor, segundo relata um morador da região. O registro foi feito na segunda-feira (17), mas tem se repetido com frequência, conforme apurado. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A Prefeitura de Mongaguá informou que está aplicando multa diária de R\$ 3.702,00 à Sabesp desde segunda-feira (17/11) por infração sanitária em decorrência do lançamento de esgoto sem tratamento nas praias da cidade da Baixada Santista. A Administração Municipal constatou a situação após a mancha preta e fétida aparecer no mar na região de Vera Cruz. A penalidade, afirma a Prefeitura, irá perdurar até a resolução da questão. O empresário Paulo Cândido Pontes, morador de Mongaguá, diz que conseguiu ver da própria varanda grande quantidade de esgoto sendo despejada a céu aberto, poluindo o mar. Segundo ele, mesmo após denúncias feitas anteriormente, a situação permaneceu sem solução. “Trata-se de um despejo contínuo e irregular de esgoto na faixa de areia e no mar, o que vem causando forte odor, contaminação da água e sérios riscos à saúde pública, afetando moradores, turistas e a fauna local. Este problema, que já persiste há longo período, tem se agravado, impossibilitando o uso seguro da praia”, complementa. Prefeitura de Mongaguá A Secretaria de Meio Ambiente de Mongaguá informou que o local apresentado trata-se do Canal 2, ponto onde desemboca o Rio Bichoró. O canal recebe também a água tratada da Sabesp e o deságue das águas pluviais da cidade. “Durante fortes chuvas, é comum o rio descer com maior intensidade, trazendo sedimentos orgânicos e inorgânicos que conferem coloração mais escura à água”. O que não é comum, segundo a Administração Municipal, é o odor característico de esgoto, relatado por munícipes e que foi constatado pela fiscalização ambiental. Os sinais apontam para possível ligação clandestina de esgoto à rede pluvial, extravasamento da rede coletora e/ou acúmulo de sedimentos contaminados. “Diante da situação, a Sabesp, responsável pelo tratamento de esgoto, foi autuada e notificada para apresentar esclarecimentos. A Prefeitura também acionou a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), que dará suporte na verificação da balneabilidade e na apuração das causas”. A Prefeitura acrescentou: “O problema acontece justamente às vésperas de um feriado prolongado (Dia da Consciência Negra, 20 de novembro), em que a cidade estima a visita de milhares de turistas. E mais: coincidentemente, esta semana os laudos periódicos de qualidade da água da Cetesb classificaram como impróprias todas as praias de Mongaguá”. A Secretaria encaminhou à Sabesp um ofício com prazo de sete dias úteis para resposta e sugeriu uma força-tarefa conjunta com a Prefeitura para identificar e solucionar outros pontos críticos de descarte irregular de esgoto no município. “A notícia é péssima para a reputação de Mongaguá. Nunca reprovaram todas as praias de uma só vez. Então, não há como não relacionar os motivos. Além da multa, estamos acionando a Cetesb para auxiliar a Prefeitura na resolução desse problema o quanto antes. É uma agressão ao meio ambiente e um baque em nosso principal cartão-postal. Não é justo com a nossa cidade, não é justo com a nossa população e com os turistas”, ressaltou o secretário de Meio Ambiente, Alexandre Barril Dalla Pria. Segundo ele, o valor da multa deverá ser aumentado, pois se trata também de grande descarte de resíduos nas águas. "Vamos viabilizar ainda o acionamento do Ministério Público, dada a gravidade dos impactos ambientais e sociais." Cetesb A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) afirmou, em nota, que não foram registradas denúncias sobre o fato em seus canais de atendimento. O que habitualmente acontece após grandes pancadas de chuva é o arrasto de sedimentos e de poluição nos canais que chegam à praia e que explicam a mudança temporária de coloração da água. Sabesp A Sabesp disse, em nota, que mantém diálogo constante com as prefeituras da Baixada Santista e esclarecerá à Administração Municipal de Mongaguá o que houve na orla, em decorrência das fortes chuvas. "O fato não está relacionado ao sistema de esgoto da Companhia", destacou. "O escoamento da água de chuva ocorre pelo sistema de drenagem, que deve ser totalmente separado das redes de coleta de esgoto da Sabesp. A gestão desse sistema, entre sarjetas, bocas-de-lobo, canais e galerias pluviais que deságuam no mar, é atribuição municipal", acrescentou a Sabesp. As redes da Sabesp operam normalmente, com o envio do esgoto para a estação de tratamento, segundo a companhia. "O sistema de esgotamento sanitário é monitorado durante 24 horas por dia", concluiu, em nota.