Na madrugada de quinta-feira (10), Letícia teve uma piora significativa e desmaiou nos braços da mãe (Arquivo pessoal e Divulgação/Prefeitura de Peruíbe) Uma jovem de 19 anos morreu em Peruíbe, no litoral de São Paulo, após ser diagnosticada com dengue. A família acusa a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) local de negligência médica, alegando que, mesmo com exames indicando agravamento do quadro, a paciente não foi internada e recebeu apenas dipirona como tratamento. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Letícia Monteiro Souza começou a apresentar sintomas de dengue em 3 de abril, incluindo febre, dor de cabeça e manchas pelo corpo. Segundo a irmã dela, Regilene Rodrigues, de 23 anos, foi uma tia que acompanhou Letícia nas primeiras consultas médicas. Apesar dos sintomas, os médicos recomendaram apenas repouso e uso de dipirona, conforme relatado. A irmã de Letícia disse que, entre a noite de terça (8) e a madrugada de quarta-feira (9), a jovem vomitou sangue, o que aumentou a preocupação da família. Mesmo assim, segundo Regilene, ao retornar à UPA, os médicos afirmaram que Letícia estava na fase final da dengue e que não era necessário interná-la. Na madrugada de quinta-feira (10), Letícia teve uma piora significativa e desmaiou nos braços da mãe. Ela foi levada às pressas para a UPA de Peruíbe, onde os médicos tentaram reanimá-la, mas sem sucesso. A jovem faleceu pouco depois, sem que a família recebesse uma explicação clara sobre a causa da morte. O velório ocorreu na manhã de sexta (11). Segundo a irmã, a mãe da vítima não teve forças para ir ao velório. Além disso, Regilene e seus outros irmãos acabaram desmaiando algumas vezes durante o velório. A parente contou que a jovem era a irmã caçula da família e que, ao todo, eram oito irmãos. Busca por justiça De acordo com Regilene, a família de Letícia questiona por que, mesmo com exames mostrando a queda progressiva das plaquetas — um dos sinais de agravamento da dengue —, a jovem não foi internada. A irmã afirma que, se tivessem sido informados sobre a gravidade do caso, teriam procurado atendimento em outra cidade.“Se eles tivessem dito que aqui não tinha suporte, teríamos levado ela para outro lugar. Mas só mandavam ela para casa com dipirona”, desabafou. Posicionamento Em nota, a Prefeitura de Peruíbe, por meio da Secretaria de Saúde, disse que está "monitorando o caso de forma rigorosa e já instaurou um procedimento administrativo para apurar com seriedade os fatos". A Administração Municipal também disse que, como medida preventiva, "o profissional médico responsável pelo último atendimento foi afastado dos plantões até a conclusão da apuração". Já a Vigilância Epidemiológica do município destacou que, até o momento, não há confirmação de que a morte tenha sido causada por dengue, "pois não há exame confirmatório". "O setor aguarda a emissão do laudo pelo Serviço de Verificação de Óbito (SVO), além dos resultados dos exames laboratoriais para pesquisa de arboviroses, realizados com a amostra coletada da paciente e enviada ao Instituto Adolfo Lutz", explicou a Prefeitura.