O influenciador digital Rafael Marchezetti decidiu devolver o animal para o mar (Rafael Marchezetti/ Reprodução) É comum que os banhistas encontrem conchas e estrelas-do-mar na praia, mas um animal conhecido por oferecer ameaças com golpes de boxe foge do padrão. O influenciador digital Rafael Marchezetti, de 29 anos, se enquadra nesse segundo caso: ele encontrou um camarão-louva-a-deus-palhaço (Odontodactylus scyllarus), também conhecido como lagosta-boxeadora, na Praia do Guaraú, em Peruíbe, litoral de São Paulo. O vídeo possui mais de 1,5 milhão de visualizações. (Veja vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em maio deste ano, Rafael estava em Peruíbe, onde tem casa e passa quase todos os finais de semana. Na praia, encontrou o animal próximo ao mar. “É um animal incrível. Eu tive dúvidas e joguei no ChatGPT, porque pensei ser um camarão-pistola, mas é uma lagosta-boxeadora. Tenho hiperfoco em animais”, conta. Rafael produz vídeos de viagens e animais há três anos, e foi a primeira vez que viu a lagosta-boxeadora que o golpeou. “Ela é forte, não me machucou. Mas a força é muita. Ela se soltou muito fácil, parecia um bicho bem maior”. Depois de levar um golpe, o produtor de vídeos devolveu a lagosta para o mar. Ainda neste ano, Rafael já encontrou um morcego em Guaraú, em Peruíbe. -Lagosta-boxeadora em Peruíbe (1.472293) Golpe com a aceleração de uma arma De acordo com o biólogo marinho Eric Comin, de 46 anos, o animal que Rafael encontrou é um crustáceo estomatópode, que também é conhecido como tamarutaca, lacraia-do-mar, lagosta-boxeadora ou camarão-louva-a-deus-palhaço. “Entre suas 400 espécies, o Odontodactylus scyllarus é o mais impressionante, desferindo golpes que atingem 80 quilômetros por hora – uma aceleração comparável à de uma arma calibre 22. Com uma pressão de 60 quilos por centímetro quadrado, ele é capaz de quebrar a carapaça de um caranguejo e até mesmo, em alguns casos, o vidro de um aquário”. O biólogo marinho explica que a força do golpe deve-se a uma estrutura de duas camadas: a superior, composta de bioceânica (carbonato de cálcio amorfo), e a inferior, de biopolímero (quitina e proteínas), que armazena e libera energia. “No comércio de aquários de água salgada, é valorizado por sua coloração vibrante, mas também considerado perigoso devido à força de seu golpe”, afirma Eric. Ainda segundo o biólogo, Rafael teve muita sorte em achar o animal na praia, pois ele costuma ficar em ambientes mais profundos, principalmente em oceanos abertos. “Eles podem ser encontrados em quase todo o litoral brasileiro, mas não são animais fáceis de se observar pelos seus hábitos mais furtivos”. Eric também afirmou que, ao ver o animal, “o melhor a fazer é evitar contato direto e observar de longe. O camarão-louva-a-deus, apesar de fascinante, pode dar golpes poderosos com suas ‘garras’ que podem causar ferimentos. Se ele estiver em perigo, como em uma área de risco ou machucado, entre em contato com as autoridades ambientais locais ou com o Corpo de Bombeiros”.