O fenômeno é conhecido como ‘maré vermelha’ (Redes Sociais / Rafael Mesquita) Uma mancha vermelha surgiu novamente no Litoral Norte de São Paulo, próximo a Ilhabela, e se espalhou pelo mar. O fenômeno, conhecido como maré vermelha, é caracterizado pela presença de manchas dessa cor na superfície do mar e é provocado pela alta concentração de microrganismos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A mancha que voltou a invadir as águas do mar do litoral de São Paulo foi registrada pelo fotógrafo Rafael Mesquita, nesta terça-feira (25). Embora o Mesodinium rubrum, responsável pela coloração vermelha da maré, não seja venenoso, ele pode afetar negativamente o ecossistema marinho, como alertado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações. Além disso, as autoridades locais recomendam que a população siga as orientações e evite o contato com áreas onde as manchas vermelhas estão visíveis. O fenômeno também pode acontecer através de dinoflagelados. A mancha vermelha, quando envolve neles, pode trazer problemas para habitantes marinhos e para pessoas que tenham contato com a água ou alimentos contaminados pelas toxinas produzidas por estes organismos durante processos metabólicos, segundo explica o biólogo Ricardo Samelo. “Estas substâncias podem intoxicar o organismo humano, que em alguns casos apresenta sintomas como náuseas, dor de cabeça, irritações na pele e mucosas, diarreias e outros transtornos gastrointestinais”. O biólogo afirma que, quando o evento envolve o Mesodinium rubrum, os riscos à saúde diretamente associados a ele são inexistentes, uma vez que é inofensivo e não gera toxinas. No entanto, pode ocasionar problemas ambientais e servir de alimento para dinoflagelados do gênero Dinophysis, que, por sua vez, podem produzir toxinas prejudiciais à saúde humana. Episódios passados O fenômeno não é uma novidade. Ele já havia ocorrido anteriormente nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, na mesma região. A mancha se espalhou pelo mar e, de acordo com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), ela se dissipou de forma natural. Cetesb A Companhia Ambiental informou que está monitorando a mancha, mas ela se encontra distante da praia. Além disso, os satélites estão enfrentando dificuldades devido à presença de muitas nuvens, o que impediu a realização da coleta até o momento. O grupo de trabalho do Governo de São Paulo, integrado pelas Secretarias de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Agricultura e Abastecimento e Saúde, acompanha as florações de microalgas no litoral paulista e se reuniu nesta quarta (26) para estabelecer os procedimentos para coleta e análise do tipo de microrganismo que está presente no Litoral Norte, próximo a Ilhabela. Nos próximos dias, a Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento realiza coleta de água e carne para analisar as condições dos cultivos de moluscos bivalves cadastrados. A recomendação é para que a população evite nadar ou praticar esportes náuticos em locais com manchas de coloração suspeita, já que algumas pessoas podem apresentar coceiras e irritação na pele.