Maquete eletrônica mostra detalhes do projeto de duplicação da Rodovia Rio-Santos, no trecho da Praia de Massaguaçu, em Caraguatatuba, no litoral de São Paulo (Divulgação/Tamoios) O projeto de duplicação de um trecho da Rodovia Rio-Santos (SP-055) reacendeu o debate sobre os impactos ambientais e a segurança da via, que liga o Litoral Norte de São Paulo ao Rio de Janeiro. Para a professora e geógrafa Breylla Campos, a duplicação pode trazer benefícios à mobilidade, mas só deve avançar com base em estudos técnicos aprofundados. Um dos motivos que preocupa a especialista é o avanço do mar e seus impactos na região do litoral de São Paulo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Duplicar a rodovia traria segurança para quem usa a Rio-Santos todos os dias, mas é preciso um estudo com riqueza de detalhes, para que os traçados impactem o mínimo possível”, afirma a professora. Segundo ela, a erosão costeira precisa ser considerada na definição do trajeto. Ainda de acordo com a geógrafa, as construções têm um papel importante para aumentar a vulnerabilidade local. “Podem ser as pensadas para habitação, construção de rodovias, áreas de porto, ou até mesmo para tentar conter a erosão costeira. Se você não tem um monitoramento detalhado e com diferentes variáveis sendo mapeadas para entender a hidrodinâmica local e o transporte de sedimentos, isso pode impactar negativamente as praias da área”, conclui. Estudos apontam erosão costeira na praia De acordo com a versão mais recente do Mapa de Risco à Erosão Costeira, elaborado pela pesquisadora Célia Regina de Gouveia Souza, do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), a Praia de Massaguaçu, em Caraguatatuba, está classificada com risco “muito alto”. A obra Em novembro de 2024, o Governo do Estado confirmou o investimento de R\$ 3 bilhões para duplicar cerca de 45 quilômetros da Rodovia Rio-Santos, entre a Praia de Massaguaçu, em Caraguatatuba, e a Praia Grande, em Ubatuba, até o trevo da Oswaldo Cruz. Segundo o Estado, a obra será realizada por meio de uma parceria público-privada (PPP). O projeto já está em andamento, e os ajustes solicitados pelo poder público e pela sociedade civil devem ser apresentados até o fim do segundo semestre. Trecho já foi afetado pelo avanço do mar O trecho da orla de Caraguatatuba é conhecido por ser uma das regiões mais afetadas pelo avanço do mar. Em abril de 2021, uma forte ressaca destruiu parte da ciclovia e da pista da Rio-Santos na altura do km 90,3, na Praia de Massaguaçu. Na época, o calçamento cedeu e o problema se estendeu até a pista da rodovia. Trecho da Rodovia Rio-Santos foi afetado pelo avanço do mar no litoral de São Paulo em 2021 (Reprodução/ Prefeitura de Caraguatatuba/ Cláudio Gomes) As obras de recuperação foram concluídas pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) em novembro do mesmo ano e custaram aproximadamente R\$ 9 milhões aos cofres do Governo Estadual. Posicionamento Procurado pela reportagem de A Tribuna, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-SP) respondeu através de nota: “O Departamento de Estradas de Rodagem (DER-SP), órgão vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), informa que as obras de duplicação da Rodovia Rio-Santos (SP 055), entre a orla do Massaguaçu e a divisa com Ubatuba, permitiram o controle e a recuperação de áreas afetadas pela erosão marítima, especialmente em pontos que sofreram danos em anos anteriores, como na altura do km 90,3”, afirma. Ainda segundo o DER-SP, “as soluções de engenharia adotadas reforçaram a estrutura da pista e reduziram a vulnerabilidade do trecho a novas ressacas, garantindo maior segurança viária e proteção da faixa de domínio da rodovia”. O órgão termina a nota ressaltando que “as obras foram executadas sem necessidade de supressão de vegetação nativa, priorizando o aproveitamento da área já implantada da rodovia e preservando as características ambientais do entorno”.