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Sexta-feira

10 de Julho de 2020

Linha de trem ligada à Baixada Santista é estudada pelo Governo de São Paulo

Estado traça plano para recuperar economia pós-pandemia

O Governo do Estado começa a traçar um plano de recuperação econômica para o pós-pandemia cujo ponto principal é atrair capital privado para alavancar projetos nos próximos dois anos. Apoio à implantação de polos industriais, recursos em infraestrutura e uma linha de trem que pode chegar à Baixada Santista são alguns dos atrativos para o período pós-pandemia. Setores da região demonstram expectativa quanto às novidades.

“A crise vai passar e São Paulo já se prepara. Vamos focar esforços na retomada do crescimento, com atração de investimentos internacionais, desestatização, enxugamento da máquina e geração de empregos para a população”, afirmou o governador João Doria (PSDB), em suas redes sociais.

Para tirar essas palavras do papel, alguns integrantes de sua gestão trabalham no chamado Plano 2021-2022, enquanto outro grupo foca na reabertura gradativa das cidades, no Plano São Paulo.

Pé na estrada

Quem está à frente dos trabalhos é o secretário da Fazenda e Planejamento, Henrique Meirelles. A pasta comandada pelo ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central do Brasil destaca, em nota, que, ao contrário de situações de crises anteriores, a atual é causada por um problema sanitário e não financeiro. “Quanto mais rigorosas, disciplinadas e baseadas em dados científicos forem as ações, melhor e mais rápido venceremos a pandemia e a crise econômica”, explica a secretaria.

Uma das apostas é a atração de investimentos internacionais. Para isso, pretende-se dar sequência a viagens iniciadas em 2019 que renderam uma linha de crédito de US$ 10 bilhões (R$ 54 bilhões) do Banco de Desenvolvimento da China para execução de projetos em terras paulistas. Para atrair investidores, Meirelles deve colocar o pé na estrada em janeiro. Um dos destinos será Munique, na Alemanha, onde deve ser criado um escritório de representação de São Paulo.

Uma das propostas estudadas é a implantação de polos industriais distribuídos pelas diferentes regiões de São Paulo, com o Governo do Estado prestando assistência desde a formação de mão de obra especializada, por meio de convênios com o Sistema S – do qual fazem parte o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), o Serviço Social do Comércio (Sesc), o Serviço Social da Indústria (Sesi) e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio (Senac) –, até a promoção dos órgãos técnicos estaduais, passando pela infraestrutura para o escoamento da produção.

Mobilidade 

Outra aposta do Estado para geração de empregos é o investimento em infraestrutura. A Secretaria da Fazenda e Planejamento afirma que tem uma série de projetos executivos nesta área, “que deverão ser implementados de acordo com a viabilidade e a partir de investimentos realizados pelo setor privado”.

Um exemplo é a rodovia que liga as cidades de Piracicaba, na Região Metropolitana de Campinas, e Panorama, na divisa com Mato Grosso do Sul, cuja licitação foi vencida, neste ano, por um consórcio financiado pelo Fundo Soberano de Cingapura, com um lance de R$ 14 bilhões para a construção de 1.273 quilômetros de pistas. 

Já a licitação do Trem Intercidades (TIC) foi adiada para o próximo ano. Ele deve transportar passageiros e cargas entre a Capital e Campinas, passando por Jundiaí numa primeira fase, com investimento de cerca de R$ 7 bilhões. Quanto à Baixada Santista, a Secretaria da Fazenda explica, na mesma nota, que há um estudo para a implantação de um transporte por trilhos que deve ligar São Paulo à região, sem detalhamentos.

Testes

Em 2019, a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) realizou testes com trens de passageiros saindo da Estação da Luz, na Capital, e de Riacho Grande, em São Bernardo do Campo, e chegando a dois pontos em Santos: Saboó e Terminal de Passageiros Giusfredo Santini (Concais), no Porto.
 

Com expectativa alta, lideranças falam em incentivos

Diversos setores da economia da Baixada Santista estão na expectativa para as medidas que devem ser adotadas depois que a crise do novo coronavírus passar. Para o presidente da Associação Comercial de Santos (ACS), Mauro Sammarco, por exemplo, a elaboração de um planejamento é fundamental.

“Sem isso, a retomada e a recuperação da economia serão muito difíceis. Com certeza, tal planejamento tem que envolver investimentos privados internos e estrangeiros. O grande desafio será sensibilizar a iniciativa privada, oferecendo segurança e perspectiva de retorno”, avalia ele, que considera que o momento exige ousadia.

Sammarco acredita também que o plano precisa envolver as esferas municipais, estadual e federal e a ACS “está pronta para colaborar com o processo”.

A revisão da carga tributária é um dos caminhos apontados por alguns nomes da economia regional, como Raul Elias Pinto, diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Cubatão.

“Para a Baixada Santista, nós temos que exigir que a carga tributária que existe no Estado tenha alguma adequação para as atividades das indústrias, do comércio e de serviços. Estamos num momento em que vamos entrar numa guerra com os outros estados. Quem der o melhor incentivo receberá o olhar do investidor”. 

O presidente do Santos Convention & Visitors Bureau (SCVB), Leonardo Carvalho, concorda. “Muito da parte tributária cabe à esfera federal, mas o Governo do Estado pode ajudar com a questão do ICMS”. 

Incentivos

O gerente regional do Ciesp, Valmir Ramos Ruiz, lembra que, em conjunto com a Prefeitura de Cubatão, a entidade tem um projeto pronto, com incentivos fiscais, para que indústrias venham para a Baixada Santista.

“Temos indústrias de base, que não vendem o produto acabado, mas produzem, por exemplo, o que as montadoras precisam. Há espaço, incentivo, proximidade com a Capital, o Porto de Santos, o futuro Aeroporto de Guarujá, o projeto Andaraguá, de Praia Grande, estradas e ferrovias. A Baixada tem tudo. Só precisamos de apoio e incentivo do Estado”.
 

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