Limpeza de carros atingidos por enchentes pode custar até R$ 7 mil

Depois dos alagamentos, procura por higienização aumentou nas lojas especializadas da região

Após uma segunda-feira (10) de ruas alagadas em toda a Baixada Santista, o dia seguinte foi para retornar à rotina e contar os prejuízos. Muita gente teve o carro invadido pela água. Se o veículo não ficou totalmente em pane, vai precisar, pelo menos, de uma boa higienização para tirar aquele cheiro de cachorro molhado. As lojas especializadas tiveram aumento da demanda nesta terça-feira (11).

Os trabalhos variam de R$ 300 (limpeza simples) a R$ 7 mil (com troca de bancos). Vai depender de quanto o alagamento atingiu o interior do carro. O veículo ficará parado no local por até cinco dias, necessários para uma secagem completa. 

Especializado na área há mais de 20 anos, Waldemar Peres Gomes, dono da Cars Reparos Automotivos, na Vila Belmiro, em Santos, conta que recebeu, nesta terça-feira, quatro veículos molhados por dentro. Segundo ele, o número de atendidos é restrito porque é necessário espaço para acomodar todos os carros.

É necessário verificar todas as partes do veículo para ter certeza de que a água não atingiu pontos importantes (Foto: Matheus Tagé/AT)

“A primeira providência é desmontar toda a forração, banco, carpetes, forrações laterais. Não é um serviço para fazer em casa, se passar produtos, como multiuso caseiro, a limpeza será superficial. E o mau-cheiro fica justamente por causa das partes mais escondidas”, explica Gomes.

Proprietário da Premium Estética Automotiva, no Gonzaga, Gabriel Nahas Neto explica que quando entra água no carro, ela atinge o que fica embaixo dos carpetes, que pode ser feltro ou espuma. “Vamos precisar desmontar e jogar fora o feltro, porque não dá para reutilizar. Depois, limpar todo o assoalho, lubrificar, colocar novo feltro, higienizar o carpete e remontar”.

Para ele, fazer isso em casa não é fácil, porque precisa de ferramentas apropriadas e conhecimento para desmontar o carro. Além disso, há produtos específicos para uso na limpeza automotiva. “Tem gente que usa amaciante para dar cheiro, detergente, sabão de coco”, detalha Nahas, ressaltando que não é o mais indicado.

Segurança 

Além de problemas com bactérias que se acumulam no assoalho úmido e causam mau-cheiro, o carro pode apresentar problemas de segurança se não for secado corretamente. Dono da Spa Car, na Vila Mathias, Tadeu Bauer Hoepers afirma é necessário cuidado.

“Limpamos o assoalho e deixamos todo o chicote [parte elétrica] seco, para não ter perigo de dar um curto e queimar algum compartimento do carro. Também tem a preocupação com o carter. Dependendo do nível da água, ela acaba se misturando com o óleo, por isso nunca ligar o carro [se ele morrer na enchente]”, diz ele. 

Segundo Hoepers, o produto usado é um multiuso automotivo bactericida. “As pessoas devem evitar usar álcool, multiusos caseiros e água sanitária”, afirma.

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