Insetos e animais inusitados têm aparecido nas praias do litoral de São Paulo (Arquivo pessoal / Marcelo Ferreira e Reprodução / Redes sociais) Centenas de joaninhas chamaram atenção ao aparecerem espalhadas pela faixa de areia na divisa entre as praias de Peruíbe e Itanhaém, no litoral de São Paulo, na quinta-feira (9). Neste ano, baratas e ratos também foram vistos nas orlas da Baixada Santista. A seguir, especialista explica o que leva esses animais para a praia e quais outros seres inusitados podem aparecer nas faixas de areia do litoral paulista. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em função dos ventos, alguns animais podem ser levados em direção ao litoral, especialmente os mais frágeis, que têm capacidade de voo, mas não conseguem resistir às correntes de ar que os empurram para áreas abertas, como a faixa litorânea, explica o biólogo Ricardo Samelo. Assim como as joaninhas, abelhas, vespas e borboletas também podem aparecer nas praias. Animais que voam são os mais comuns de serem avistados nas orlas, embora geralmente em pequena quantidade. Segundo o biólogo, pode acontecer de um enxame de abelhas se deslocar de um local para outro na tentativa de formar novas colmeias e, dependendo da direção do vento, acabe sendo levado até a praia. “Pode acontecer de um enxame ser direcionado para o litoral? Para a praia? Pode. Dependendo das rajadas de vento, ele se dissipa e acaba indo. Grande quantidade desses excessos acaba indo para a praia. Mas não é um local comum para que animais fiquem por conta própria, só quando são carregados pelo vento e coisas do tipo”. Baratas na orla da praia Como a maioria dos insetos tem o metabolismo mais acelerado no verão, eles acabam ficando mais ativos nessa época do ano, o que explica o aumento no aparecimento de baratas nesse período, esclarece Samelo. Mas, ao contrário das joaninhas, as baratas provavelmente chegam à praia em razão das chuvas intensas. “Essas baratas provavelmente chegaram à praia não devido a ventos que as levaram ali, mas por conta das chuvas fortes que temos no verão, que acabam tirando esses animais das galerias de água pluvial onde eles vivem, do ‘esgoto’. As galerias de água pluvial acabam transbordando e levando esses animais”. Como explica o biólogo, na praia existem contenções, e quando a maré está muito alta, o mar invade antigos canais, onde, às vezes, baratas podem estar residindo, em locais escuros que oferecem proteção para elas. “Às vezes, quando isso alaga e se inunda, pode levá-las até a praia. Os canais de Santos, por exemplo, infelizmente, possuem muitas baratas e ratos. Fortes chuvas também podem acabar matando esses animais afogados, e depois isso tudo escoa para a praia, podendo levar esses animais para lá. Dependendo do animal que começa a aparecer na praia, a gente tem algumas hipóteses possíveis para explicar”.