Já ouviu falar? Médica santista comenta sobre os inúmeros nomes 'estranhos' da Covid-19

No mundo todo 44 projetos de vacina estão na fase de testes em humanos, e os termos vão se tornando cada vez mais comuns

Não são só costumes diferentes e nomes incomuns que a pandemia trouxe para a rotina. A velocidade nas tentativas em chegar a uma vacina contra a Covid-19 também tem sido cada vez maior. E além da rapidez, os projetos precisam comprovar a eficácia. Já os termos, aos poucos, vão se tornando mais comuns para leigos. "Esses nomes, para nós, médicos, não são novidade. A boa notícia que aguardamos é uma vacina pronta e eficaz.", diz a médica santista Adriana Gibbons.

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Adriana diz que estudos epidemiológicos mostram que o Brasil pode ter uma segunda onda de infecção (casos novos) no início de 2021 e qualquer vacina em testes só deve estar pronta após isso. "Seguimos na expectativa desses estudos que estão ocorrendo pelo mundo, e quanto menor for a politização do assunto, melhor para o país", completa.

Quanto aos nomes estranhos, Adriana acredita que a intensidade de informação trazida pela mídia acabe colocando em evidência esses termos. "Muitos, na área médica, são até rotineiros mesmo antes da pandemia", explica.

Já para os menos acostumados com termos assim, vários deles até ficaram mais populares. Terminologias, métodos e laboratórios também se tornaram mais conhecidos. Nomes como AstraZeneca/Oxford, adenovírus, Sinovac, placebo tem estado cada vez mais no dia a dia. Mas o que eles exatamente significam? Entenda alguns dos mais vistos ultimamente:

Adenovírus
São grupos de vírus que podem causar infecções em diferentes órgãos, mas estudos têm mostrado preferência pelas vias respiratórias e órgãos do trato digestivo, urinário e olhos.  

Proteína S
Quando o corpo produz anticorpos contra um vírus, ele é estimulado por estruturas específicas que compõem esses seres. No caso do coronavírus, causador da Covid-19, os cientistas descobriram que a proteína S, que forma a coroa de espinhos que dá nome ao vírus, é a estrutura que mais provoca o sistema imunológico a produzir anticorpos. E pelos pequenos espinhos formados pela proteína S, que o novo coronavírus se conecta às células humanas e começa a se replicar.

Anticorpos
São moléculas produzidas pelos glóbulos brancos do sangue. Sua principal função é garantir a defesa do organismo, evitando que uma partícula invasora cause danos à saúde, ou seja, evitando a doença.  

Vacinas de vírus inativado
Três propostas desenvolvidas na China até agora utilizam a técnica conhecida como vacina de vírus inativado: a da Sinovac, que está em testes no Brasil em parceria com o Instituto Butantan e o governo de São Paulo, a da Sinopharm com Instituto de Produtos Biológicos de Wuhan, e outra da Sinopharm com o Instituto de Produtos Biológicos de Pequim. A técnica produz vírus incapazes de causar infecções, pois são inativados por agentes químicos ou físicos e a finalidade é estimular a defesa do organismo.

Vacina de vírus atenuado
Contém agentes infecciosos vivos, mas enfraquecidos. Os vírus estão ativos, mas como são mais fracos, não têm capacidade para infectar.

Placebo
É feito para parecer com o tratamento real, porém sem nenhuma substância ativa. É como um 'remédio de mentira'. O placebo é usado em grupos de controle de pesquisas para avaliar os efeitos de um medicamento. Quando usado, espera-se que o grupo que recebeu o placebo não apresente nenhuma melhora clínica. Quem usa de fato o medicamento, por sua vez, deve apresentar melhora. Nenhum paciente nessa fase do teste sabe se tomou placebo ou medicação.      

AstraZeneca
É o nome de um laboratório que nasceu da fusão da empresa sueca Astra AB, fundada em 1913, com o Zeneca Group PLC, do Reino Unido, cujas origens remontam a 1938. Com sede em Cambridge, no Reino Unido, está em ´parceria com a Universidade de Oxford para apostar no desenvolvimento de uma vacina.

Sinovac Biotech
Outra empresa biofarmacêutica que se concentra na pesquisa, desenvolvimento, fabricação e comercialização de vacinas contra doenças infecciosas. A empresa está sediada em Beijing, China. 

Vacinas de vetor viral
Para fazer com que o corpo consiga neutralizar a proteína S, as vacinas de vetor viral não-replicante trazem uma proposta inovadora: a proteína do novo coronavírus é inserida em outro vírus, modificado em laboratório, para transportá-la para o corpo humano e não se multiplicar. Uma vez que a proteína está no corpo, o sistema imunológico se defende, impedindo a ação do vírus.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), das quase 200 propostas de vacinas em testes, 44 chegaram à fase em humanos, chamada de 'estudos clínicos'. Nessa fase elas são testadas para comprovar se são mesmo capazes de combater a doença sem causar danos à saúde."Vacinas eficazes são aquelas que protegem contra a doença ou a deixam com sintomas mais brandos em caso de infecção. Espero que logo tenhamos uma realmente eficaz contra a Covid-19", complementa Adriana.

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