Indignados, deputados pedem que Estado flexibilize quarentena na Baixada Santista

Parlamentares confiam nos números apresentados pelos municípios e estão preocupados com o comércio e a manutenção dos empregos

Os deputados estaduais e federais com base eleitoral na Baixada Santista demonstraram surpresa e indignação com a decisão do Governo do Estado de manter a Baixada Santista em quarentena até 15 de junho. A região está na 1º fase do plano de retomada econômica, que começará a valer na segunda-feira (1). A maioria, inclusive, diz já ter solicitado a revisão da medida ao Palácio dos Bandeirantes.

A manutenção das restrições, que mantém apenas os serviços essenciais, foi repudiada pelos prefeitos da região. Eles questionaram os números do Estado, quanto taxa de ocupação de UTIs e de isolamento, garantindo que estão em condições de uma retomada, e acenderam um alerta entre os parlamentares.

Os deputados estaduais Caio França (PSB), Paulo Correa Jr (DEM), Kenny Pires Mendes (PP), além do deputado federal Junior Bozzella (PSL) afirmam já terem feito contatos dentro do Palácio dos Bandeirantes, com o governador João Doria (PSDB), o vice-governador Rodrigo Garcia, além de levar o caso à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

“Ninguém melhor que os prefeitos para saber a real situação de sua região, principalmente no que se refere à pandemia. Todos, inclusive, já tinham seus planos próprios para a liberação gradual de alguns serviços”, ressaltou Kenny Mendes.

A deputada federal Rosana Valle (PSB) gravou um vídeo e pediu ao governador para que os prefeitos da Baixada Santista e do Vale do Ribeira (também na 1ª fase) tenham autonomia para fazer suas flexibilizações “de forma responsável, conforme os planos já preparados”.

O deputado estadual tenente Coimbra (PSL) ressaltou que os números de casos na região chamam a atenção, pois a Baixada Santista realiza mais testes. "Somente Santos aplicou mais testes que todo o estado de Minas Gerais”. Ele ainda faz críticas à postura do Estado. “O governador João Doria usa, novamente, a pandemia para capitalizar ganhos políticos”.

Preocupação

Além de confiarem nas informações das prefeituras para uma retomada gradual das atividades, os parlamentares demonstram preocupação com comerciantes, empresários e pela manutenção de empregos.

“A grande maioria não tem fôlego. São pequenos empresários, têm um único estabelecimento”, diz França.

O deputado Paulo Correa Jr reforça: “O momento agora é de conversa com o governo para buscarmos uma solução. Não pode haver nada que prejudique o combate à Covid-19 e nem os comerciantes que precisam abrir suas portas”.

Bozzella confia no bom diálogo com o Estado para resolver a situação: “Os prefeitos têm agido com absoluta responsabilidade desde o início da pandemia. Se eles pedem um novo olhar sobre os números entendemos que isso é possível, porque as cidades têm leitos para atender à população, e porque o número de casos da Covid-19 está dentro do esperado”.

Medidas

Durante à pandemia os parlamentares afirmam terem adotado diversas ações como destinação de R$ 11,5 milhões em emendas para o combate à covid-19. Desse valor, R$ 4,5 milhões através de Paulo Correa Jr, R$ 6 milhões de Kenny Mendes e R$ 1 milhão de Coimbra.

Bozzella informou ter trabalhado na elaboração de projetos de lei para resguardar a sociedade e as empresas em períodos de crise, são textos para suspender cobranças, reduzir valores de mensalidades em instituições privadas de ensino, além de solicitações aos órgãos competentes para a garantia de água e luz durante o período.

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