Atendimento de excelência é uma exigência cada vez maior do público que utiliza a rede hoteleira (Alexsander Ferraz/AT) Os números positivos resolveram “se hospedar” no setor de hotelaria. Com investimentos previstos de R\$ 8,4 bilhões até 2028, segundo previsões do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil, o setor tem um saldo positivo de empregos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Previdência, entre os meses de maio e julho deste ano, o setor de “alojamentos e alimentos” contabiliza 261.297 admissões no Estado de São Paulo, contra 250.213 demissões, resultado em um saldo positivo de 11.083 vagas. Segundo o vice-presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares na Baixada Santista e Vale do Ribeira (SinHoRes), Heitor Gonzalez, a região comporta, atualmente, entre 400 e 500 CNPJs voltados para hospedagem. No ano passado, em todo o Brasil, foram criados 230 mil postos nessa área. “Nos 15 cursos que promovemos desde 2022, formamos 2,1 mil profissionais e todos foram empregados rapidamente”, explica. Segundo ele, os cursos mais procurados são os de confeitaria, ajudante de cozinha, bartender, barista e camareira, com salário médio inicial de R\$ 2.100,00. “Essa iniciativa dos cursos é fundamental para a entrega de profissionais capacitados ao mercado”, opina. Cursos Os cursos realizados pelo SinHoRes são maitre, cozinheiro (fundamentos básicos), salgados profissionais para vitrines e eventos, confeitaria, supervisora de governança, grillardin e hamburgueria artesanal, ajudante de cozinha, camareira, barista (básico), bartender, recepcionista em hotelaria, inglês para hotelaria e gastronomiai chef de rang (garçom), copeiro na área de gastronomia e barista (avançado). As inscrições podem ser feitas pelo site sinhores.org.br. Grau de exigência Gonzalez reforça que o público que utiliza a rede hoteleira é cada vez mais exigente, o que obriga um atendimento de excelência dos estabelecimentos. “O nível de exigência cresce junto com a concorrência. Todo cliente quer um quarto bem asseado, bem arrumado, camas bem feitas. Como recebemos visitantes de cidades que têm esses cuidados, a gente investiu bastante nos cursos oferecidos”, argumenta o vice-presidente do Sinhores. O crescimento da exigência, na visão de Heitor Gonzalez, permite um passo a mais na rede hoteleira da Baixada Santista, inclusive com a construção de um resort. “Poderíamos ter esse upgrade, porque o mercado pede isso. Na Baixada Santista, principalmente em Guarujá, cabe tranquilamente”. Setor investe em capacitação Na rede hoteleira, existe o conceito de que a formação de mão de obra é essencial para o setor, o que passa pela capaci-tação de profissionais. Gerente de Recursos Humanos do Sheraton Santos Hotel, Rosane Barreto afirma que o desenvolvimento contínuo é fundamental no segmento. “Realizamos treinamentos internos regulares e incentivamos o crescimento profissional dentro da empresa. Temos pessoas que começaram em posições iniciais e cresceram para cargos de liderança”. Atualmente, o estabelecimento conta com 110 funcionários nas áreas de hospedagem, alimentos e bebidas, eventos, manutenção e lazer. “Na hotelaria, as áreas que costumam ter maior demanda de contratações são alimentos e bebidas (cozinheiros e garçons) e hospedagem (recepção, camareiras e mensageiros). Essas funções exigem não apenas conhecimento técnico, mas também comunicação, empatia e trabalho em equipe”. Ela afirma que o hotel procura valorizar a integração entre funcionários jovens e os mais experientes. “Buscamos criar um ambiente colaborativo, onde a troca de conhecimento é valorizada. A diversidade de perfis fortalece nossa equipe”, avalia. A recepcionista Thalita Silva Rosa, 38 anos, moradora de Praia Grande, trabalha no setor de hotelaria há 4 anos e meio. Como funcionária do Hotel Céu Azul, em São Vicente, ela afirma que a escolha foi pela oportunidade de trabalhar com o público de uma forma mais dinâmica e acolhedora (Arquivo pessoal) Rotatividade Mateus Cabau, diretor do Comfort Hotel Santos, acrescenta a rotatividade como um dos desafios para o setor de hotelaria. “Os cargos de recepção, camareira e garçons/atendentes de restaurante costumam apresentar maior rotatividade, principalmente devido à sazonalidade, oportunidades temporárias e busca constante por crescimento profissional”, pondera. Segundo ele, a sazonalidade (altas e baixas temporadas) afeta diretamente a ocupação das vagas. “Alta temporada exige reforço de equipe, criando oportunidades temporárias e temporário-efetivas. Já na baixa, aproveitamos para dar folga aos colaboradores, com um planejamento que gera o mínimo de impacto operacional”, complementa. Profissionalismo A recepcionista Thalita Silva Rosa, 38 anos, moradora de Praia Grande, trabalha no setor de hotelaria há 4 anos e meio. Como funcionária do Hotel Céu Azul, em São Vicente, ela afirma que a escolha foi pela oportunidade de trabalhar com o público de uma forma mais dinâmica e acolhedora. “O desafio é conseguir superar as expectativas e experiências do hóspede e de manter um bom atendimento em dias com mais movimento”, conta. Com escala das 22 horas às 6 horas, ela reforça que cada jornada é diferente. “Não há dias comuns”, garante.