Histórias de fé: 'Mães de UTI' da Baixada Santista falam sobre seus bebês prematuros

Moradoras da região contam como têm superado os obstáculos por meio de apoio de outras mulheres no mês Internacional de Sensibilização da Prematuridade

Para as famílias de bebês prematuros, que ficam em recuperação em UTI neonatal, cada pequena melhora já é uma vitória. Os desafios das “mães de UTI” - como são popularmente chamadas - são muitos, mas durante o processo elas tentam ter fé de diferentes formas na busca pela recuperação. 

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Melanie Ribeiro, de 21 anos, é mãe do pequeno Anthony, que nasceu no dia 16 de setembro com 660 gramas e, desde então, segue em recuperação na UTI de um hospital de Santos para ganhar peso e receber alta. Apesar de ter nascido de 23 semanas, a família segue acreditando na recuperação da criança.

A mãe conta que a gestação foi complicada por conta de um problema no útero, chamado insuficiência istmocervical, que impedia que o bebê se desenvolvesse. Com cerca de cinco meses, o parto teve que ser feito. Anthony precisou ser reanimado e perdeu quase 100 gramas. Por ser um prematuro extremo, ele segue sem previsão de alta. 

“Costumo dizer para todas as mamães da UTI para terem fé, pois todos os médicos diziam que parto com 23 semanas de gestação era considerado aborto e não tinha chances de sobreviver. Meu filho já está há 48 dias na UTI, agora com quase um quilo, lindo, forte e lutando para sair dali. Cada dia que passa é mais uma vitória pra gente”, diz.

Melanie diz que vai ao hospital duas vezes por dia para ver o filho e levar o leite (Foto: Arquivo Pessoal)

A jovem diz ainda que gosta de escutar o relato de outras mães que estão passando pela mesma situação, pois uma ajuda a outra a ter esperança na recuperação e acabam até virando amigas. Assim como Melanie, Lucivania de Jesus Leite também está enfrentando o mesmo desafio. Gael Jesus dos Santos está internado há cerca de dois meses - após nascer de seis meses - no Hospital dos Estivadores, em Santos, com 1kg e 74 gramas. 

A moradora de Santos conta que o problema surgiu por conta da Síndrome de Hellp, que adquiriu durante a gravidez. Por conta do problema, teve que realizar uma cesárea de emergência e, desde então, aguarda pela melhora do filho, que ainda não tem previsão de alta. “Cada dia é um dia. Ele é um guerreiro, ele está bem, evoluindo bem”, conta.

Lucivania Leite precisou realizar uma cesária para dar à luz ao Gael (Foto: Arquivo Pessoal)

Superação 
Tamires Matos passou pelo mesmo processo com o filho Lucas Matos Pereira. A fisioterapeuta teve uma gestação tranquila até ser diagnosticada com eclampsia, que a fez ter convulsões, obrigando a equipe médica a fazer uma cesária de emergência para salvar mãe e filho. Durante o parto, Tamires ficou inconsciente e só soube o que havia acontecido quando os médicos contaram. 

“Quando eu acordei minha médica estava na UTI e foi ela que foi me contando. Ela falou que viu minha tatuagem escrito fé e que mesmo que eu não fosse religiosa deveria acreditar pois foi um milagre eu e o meu filho estarmos vivos. Foi aí que eu entendi que eu não estava mais com meu filho na barriga”, diz.

Atualmente, Tamires se dedica a ajudar mães que passam pelo mesmo processo (Foto: Arquivo Pessoal)

Depois de ficar internado por 26 dias na UTI, Lucas conseguiu ir para casa. Apesar de ser fisioterapeuta e ter trabalhado em UTIs neonatais, ela não sabia como lidar, então encontrou refúgio na história de outras mães que também estavam com os filhos na UTI. Hoje, Lucas está com um ano e sem nenhuma sequela. 

Por conta da situação que passou, decidiu ser uma voluntária da Associação Brasileira de pais, familiares, amigos e cuidadores de bebês prematuros. Junto com uma outra voluntária, elas ficam responsáveis pela divulgação e acolhimento dessas pessoas na Baixada Santista. 

Neste mês, inclusive, a ONG fará uma roda de conversa on-line e gratuita, no dia 17, considerado Dia Nacional dos Prematuros, que contará com assuntos como troca de vivências, saúde mental, amamentação e cuidados com os recém-nascidos pós alta. Quem tiver interesse, pode se inscrever pelo telefone (13) 99720-3175. 

Lucas já completou um ano e não contraiu sequelas por conta da prematuridade (Foto: Arquivo Pessoal) 
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