Sirene de emergência foi acionada por conta de risco de deslizamento em Guarujá (Reprodução) A Defesa Civil do Estado de São Paulo emitiu, na manhã desta quinta-feira (5), dois alertas extremos para Guarujá, no litoral paulista, em razão das chuvas intensas que atingem a cidade desde a madrugada. Moradores registraram fissura e água forte descendo pelos morros. (Veja vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A sirene de alerta remoto instalada na Comunidade Barreira do João Guarda foi acionada, e o plano de contingência entrou em funcionamento por conta do risco iminente de deslizamento de terra. De acordo com a Defesa Civil, as famílias que vivem na área foram orientadas a deixar suas casas de forma preventiva e seguir pela rota de fuga até o Colégio Sérgio Pereira, que funciona como abrigo municipal. As pessoas permanecerão no local até que o risco seja considerado eliminado. Em caso de emergência, os telefones são 193 e 199. Nas últimas 12 horas, o volume de chuva acumulado chegou a 118 milímetros, índice considerado elevado para a região e suficiente para deixar o solo encharcado, aumentando o risco de escorregamentos. -Tempestade sirene Guarujá (1.498920) Situações de risco Enquanto o alerta era disparado, moradores de diferentes áreas do município registraram situações de risco. Um dos vídeos mostra uma fissura no Morro do Macaco, local que já sofreu um deslizamento em 2020. Outro registro, feito na Vila Baiana, mostra água descendo com grande intensidade pelo morro, formando uma enxurrada. Moradora do Morro da Vila Baiana há 20 anos, Itacia Ferreira de Almeida, de 45 anos, relatou o desespero ao ver a força da água durante a chuva. Mãe de dois filhos, sendo um deles autista, ela conta que o medo aumenta diante da dificuldade de sair de casa em uma situação de emergência. “O que eu senti vendo a água do morro? Desespero. Vontade de chorar e de pegar meu filho e sair correndo, mas não tem pra onde. Ele é uma criança especial, tem as dificuldades dele. Aí eu fico em casa, olho pra chuva, olho pra ele, tento distrair de um jeito, de outro. Ele pede pra sair, mas não tem muito o que fazer. Agora é esperar baixar mais e ver se eu vou pra algum lugar. Literalmente, não sei o que fazer”, desabafa. Segundo Itacia, assim que a chuva começou, a água passou a descer com força pelo morro. “Primeiro veio uma água preta, depois barrenta. Isso já aconteceu outras vezes. Inclusive, a minha casa já entrou água, mesmo morando no morro. Hoje, nada foi atingido, só a área de serviço”, contou. Alerta da Defesa Civil foi enviado para celulares de moradores (Reprodução) Ela afirma que, até o momento, nenhum órgão esteve no local, e que recebeu apenas o alerta pelo celular. A moradora segue na residência, aguardando a melhora das condições climáticas. Já o líder comunitário Laércio Fiel explicou que a fissura registrada no Morro do Macaco não é recente. Segundo ele, o problema foi observado novamente nesta quinta-feira (5), por volta das 10h, mas há registros anteriores. “Essa fissura foi registrada exatamente no ponto onde houve o deslizamento em 2020. Existe um vídeo de dias atrás em que já aparecem esses sinais. Há cerca de dois anos isso já tinha sido observado por mim e por outros moradores”, afirmou. De acordo com Laércio, os órgãos competentes foram acionados na época, e a empresa responsável pelas obras no local realizou vistorias. “Segundo eles, não é nada na estrutura da obra. Porém, nunca foi explicado o motivo dessa água sair com tanta força desse ponto”, disse. Ainda segundo o líder comunitário, existem residências a cerca de 200 a 300 metros da área da fissura, o que mantém os moradores em estado de alerta, principalmente durante períodos de chuva intensa. A Defesa Civil reforça que a população deve seguir as orientações oficiais, respeitar as rotas de fuga e procurar abrigo sempre que houver acionamento de sirenes ou alertas extremos. O monitoramento das áreas de risco continua enquanto as chuvas persistirem. Prefeitura A Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil de Guarujá informou que houve registro de deslizamento de terra na Vila Baiana, no Morro do Engenho, nesta quinta-feira (5). No local, foi identificado "um ponto de escorregamento em área não habitada, sem registro de vítimas". Ainda conforme informado pelo município, na Viela São Cristóvão, no Morro do Engenho, ocorreu outro ponto de deslizamento, "que atingiu três moradias, resultando em 12 pessoas desabrigadas, encaminhadas para a Associação dos Moradores. Não há registro de vítimas feridas ou pessoas desaparecidas".