Símbolo da tragédia na Baixada, Cabo Batalha é enterrado em aniversário do Corpo de Bombeiros

Corporação completa 140 anos nesta terça-feira (10). Corpo de oficial foi encontrado no Morro do Macaco Molhado, em Guarujá

O enterro do Cabo Marciel de Souza Batalha, 46 anos, ocorreu no mesmo dia que o Corpo de Bombeiros completa 140 anos e foi marcado por muita dor, choro, mas também por um sentimento de alívio dos profissionais que conseguiram resgatá-lo.

Foram sete dias de buscas incansáveis dos Bombeiros e voluntários para retirar o corpo dele da área de deslizamentos no Morro do Macaco Molhado, em Guarujá. Máquinas e cães farejadores também ajudaram nos trabalhos.

Batalha foi sepultado às 13h30, no cemitério da Consolação, em Vicente de Carvalho. E, assim como o companheiro, o cabo Rogério de Moraes Santos, 43 anos, que também estava com ele no deslizamento, no Morro do Macaco Molhado, dia 3 de março, foi sepultado como herói e com honras militares.

Houve salva de tiros, momentos de silêncio e o Hino dos Bombeiros foi cantado. Em todo o Estado, nesse momento, policiais militares e do Corpo de Bombeiros prestaram continência e ligaram a sirene das viaturas, conforme cerimonial da corporação. A bandeira do Brasil que cobria o caixão foi entregue para a mulher dele, Vanessa Alonso.

Marciel Souza Batalha foi soterrado enquanto tentava resgatar a jovem Thatiana Lopes de Lima, 25 anos, e o filho dela, o pequeno Arthur Rafael de Lima, de 10 meses, no dia 3 de março.

Batalha nasceu em Juiz de Fora (MG), mas atuava em Guarujá. Deixa a mulher e uma filha. 

Durante o velório, o  comandante do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, Max Mena, destacou, emocionado, o ato heróico do cabo Batalha.

“No dia que a Corporação faz 140 anos, vamos enterrar um bombeiro, um pai de família, um grande homem. Batalha tinha mais de 20 anos de atividades. Foi o primeiro a chegar naquela ocorrência e o último a sair dela. Levou ao extremo seu juramento. Então, para nós que ficamos, resta seguir o exemplo dele. E homenageá-lo hoje é o mínimo que podemos fazer como instituição e pessoa. Dar uma despedida humana para ele e elevá-lo na condição que ele estava, que é de herói”.

O capitão do 6º Grupamento do Corpo de Bombeiros, Wilson Vaccaro, diz que a corporação perde dois grandes companheiros. “Está dentro do nosso juramento trabalhar com o sacrifício da própria vida. A gente perde dois companheiros. Batalha foi o segundo encontrado. É muito triste. Ele era um pai de família, trabalhador dedicado e sempre disposto a ajudar. Os dois farão muita falta”.

Heróis

O feirante Lucas da Silva, 17 anos, conta que foi o ultimo a conversar com o Cabo Batalha no alto do Morro. Ele foi uma das 50 pessoas que o cabo  ajudou a salvar junto com o cabo De Moraes. “Ele salvou a minha vida. Nasci de novo. Falou: sai daqui menino. Eu disse que ia ajudar ele e o capoeirista. Virei para buscar uma água e já começou a desabar tudo”.

O porta-voz do Corpo de Bombeiros Marcos Palumbo, detalhou como foram os últimos momentos dos cabos Batalha e De Moraes, no Morro do Macaco Molhado. “Levaram a mãe e o bebê para baixo e depois retornaram para o alto do morro. Foram batendo na porta das pessoas alertando para sair, porque sabiam que um mal maior poderia acontecer, quando ocorreu o segundo deslizamento, bem maior que o primeiro, com rochas imensas, árvores descendo... E não conseguiram sair”.

Palumbo diz que os cabos terão um espaço especial na galeria de heróis da corporação. “São heróis. Hoje é um  dia especial para o Corpo de Bombeiros, mas muito triste. Nunca passamos uma data dessa enterrando um companheiro. Ele vai ficar marcado na nossa história como bombeiro corajoso, honrado, que se dedicou a todo momento para salvar vidas. Terá um espaço especial na galeria que tombaram no cumprimento do dever”.

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