Mesmo imprópria para banho, praia em Guarujá recebe inúmeros turistas (Reprodução) A Praia do Perequê, em Guarujá, no litoral de São Paulo, figura entre os pontos de banho com pior desempenho em balneabilidade ao longo dos últimos anos, segundo dados oficiais da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) — órgão responsável pelo monitoramento da qualidade da água das praias paulistas. Com base nesses dados, a Praia do Perequê é considerada a mais poluída do litoral de São Paulo por ser a que foi mais vezes classificada imprópria para banho ao longo de um ano inteiro. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Com base nas análises microbiológicas publicadas no Diário Oficial do município da Baixada Santista, a Praia do Perequê apresentou níveis de coliformes fecais muito acima do permitido em múltiplas medições recentes, o que a coloca como imprópria para banho em vários períodos de 2025. Em boletins referentes a coletas entre março e abril, os valores de microrganismos indicadores de contaminação ultrapassaram largamente os limites de segurança, enquanto outras praias da região apresentaram qualidade dentro dos padrões aceitáveis. Os relatórios anuais da Cetesb também mostram que, em 2024, a Praia do Perequê foi classificada como a mais poluída da Baixada Santista, sendo considerada imprópria para banho em 51 de 52 coletas semanais realizadas ao longo do ano. A classificação de balneabilidade é baseada em critérios microbiológicos estabelecidos pela legislação ambiental, que medem a presença de bactérias indicadoras de contaminação fecal — um dos principais riscos à saúde de banhistas. Águas que ultrapassam esses limites são consideradas impróprias, o que significa maior probabilidade de se contrair problemas como gastroenterites e infecções de pele. Atração de turistas Apesar desses indicadores oficiais, a Praia do Perequê continua atraindo grandes volumes de turistas durante todo o ano — inclusive em períodos de alta temporada — o que levanta preocupações em torno da saúde pública e da segurança dos frequentadores, em particular crianças e idosos. Especialistas em saúde pública afirmam que a presença contínua de visitantes em áreas classificadas como impróprias representa um risco evitável à saúde humana, pois a ingestão acidental de água contaminada ou o contato prolongado podem causar doenças. Um dos fatores apontados por autoridades e grupos ambientais para a persistência da poluição é a descarga de esgoto sem tratamento eficaz, especialmente nos corpos d’água que deságuam na faixa de areia, como o Rio do Peixe. Em ação civil pública movida por organizações socioambientais, é destacado que “os níveis de coliformes fecais ultrapassam em muito os limites legais, mantendo a praia classificada como imprópria para banho durante praticamente o ano inteiro, excedendo limites consideráveis seguros para a recreação em contato primário, configurando-se um risco tanto para a saúde quanto para o equilíbrio ambiental da região”. Posicionamento A Prefeitura de Guarujá informou que tem avançado em obras de expansão do sistema de esgotamento sanitário e integrado áreas antes sem cobertura adequada, além de realizar estudos para descontaminação de corpos d’água que deságuam na praia. Ainda assim, especialistas destacam que as soluções exigem planejamento e execução de longo prazo, com investimentos contínuos em infraestrutura sanitária e monitoramento ambiental.