Para minimizar falta de água, Guarujá exige projeto de mega reservatório

Prefeitura pede a Sabesp agilidade na compra da Cava da Pedreira, que tem capacidade para armazenar até 3 bilhões de litros de água

Em uma tentativa de resolver os sucessivos episódios de falta de água em diversos bairros, a Prefeitura de Guarujá deu um ultimato à Sabesp, concessionária responsável pelo abastecimento na região. A administração municipal pediu agilidade no processo de aquisição da chamada Cava da Pedreira, que seria transformada em um mega reservatório de água pela companhia. 

O tema foi abordado em uma reunião, na última sexta-feira (24), no Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo de São Paulo. O assunto voltou à discussão após matérias de ATribuna.com.br que mostraram o drama de parcela da população de Guarujá que está com as torneiras secas. A situação se agrava com a pandemia, que demanda maior necessidade de limpeza. O problema se agravou há duas semanas, mas, segundo esses moradores, já os acompanha há anos

A cava 

Localizada às margens da Rodovia Cônego Domênico Rangoni, a cava (uma antiga pedreira desativada) tem capacidade para armazenar até três bilhões de litros de água. Com isso, o poder público acredita que poderia reduzir o desabastecimento da cidade em períodos de estiagem como ocorre atualmente.  

Isso porque a falta de chuvas na região tem afetado a vazão da água nos rios  Jurubatuba e Jurubatuba Mirim, que são os principais pontos de captação do líquido para o abastecimento da cidade. Éssa é a causa apontada pela Sabesp para justificar as torneiras secas.  

Segundo a Companhia, pela falta de chuvas, a capacidade de captação de água diminuiu de 2 mil litros por segundo para 840 litros por segundo. Nem mesmo a integração com o Sistema Cubatão, que abastece Santos e São Vicente, foi capaz de resolver o déficit em Guarujá, conforme a Sabesp. 

Paliativo   

Como forma paliativa, o Município exigiu medidas urgentes da companhia, que tem o Governo do Estado como maior acionista. Uma delas é a distribuição gratuita de caixas d’água para a população de baixa renda. As moradias que não possuem sistema para reservar o líquido são as primeiras a sofrer com a falta d’água.  

Outra exigência foi o aumento do número de caminhões pipa. “A população de Guarujá paga suas contas de água e mesmo assim está sendo duramente penalizada. Acabou a tolerância, água é um direito de todos e a Sabesp tem obrigações contratuais a cumprir, não se trata de favor ou ajuda. Até lá, há de buscar alternativas objetivas, viáveis e urgentes”, defende a Administração Municipal, por nota.  

Segundo o Executivo local, “já passou da hora de a companhia buscar soluções como a modernização de seu sistema de reservação e até mesmo alternativas para o abastecimento de água em Guarujá”, com a busca de outros mananciais. Destaca que, na assinatura do contrato com a Sabesp, no ano passado, havia a promessa de se viabilizar a Cava da Pedreira, o que não ocorreu. 

Multas e autuações  

O desabastecimento fez com que a prefeitura aplicasse multas a Sabesp e outras 30 autuações foi registradas no Procon, apenas nos últimos 15 dias.  

A administração propôs a criação de um Conselho Municipal de Saneamento Ambiental, projeto já em análise pela câmara. O colegiado é uma forma "para colocar a população no centro das discussões sobre saneamento ambiental e recursos hídricos na cidade", informa a prefeitura.

Uma das funções do órgão será justamente fiscalizar e regular a qualidade da prestação de serviços e utilização de recursos e a eficiência do contrato entre o município e a empresa.  

As falhas no atendimento da Sabesp são alvo de investigação em Inquérito Civil do Ministério Público de Guarujá. A apuração leva em conta relatório elaborado pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp), que aponta más condições nos reservatórios da empresa na cidade e a diminuição de mais de 30% na oferta de água entre os anos de 2018 e 2019. 

Sabesp 

Em entrevista à TV Tribuna, o superintendente da Sabesp na Baixada Santista, Raul Christiano Sanchez, informou que a falta de água em Guarujá e Vicente de Carvalho ocorre devido à estiagem (período se chuva, de seca).  

Segundo ele, 18 caminhões pipa estão à disposição da população, sendo alocadas em "áreas estratégica do município, próximo das pessoas”. A Sabesp orienta que a população ligue para o telefone 0800-055-0195, caso seja observada a falta de água ou baixa pressão.  

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