Funcionários reclamam de falta de água e do forte calor em Pão de Açúcar de Guarujá (Reprodução / Arquivo pessoal) O forte calor dos últimos dias trouxe à tona um problema que, segundo funcionários, assola unidade do Pão de Açúcar da Avenida Puglisi, no Centro de Guarujá, no litoral de São Paulo, há algum tempo: a insalubridade. As altas temperaturas escancararam problemas com o ar-condicionado, expondo trabalhadores e clientes à “sauna” indesejada. Mais: têm comprometido alimentos em sua qualidade e integridade. Mesmo após algumas queixas, os funcionários ainda aguardam por uma solução. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Está impossível trabalhar em um ambiente insalubre, com mau cheiro e calor insuportável, porque os aparelhos de ar-condicionado não funcionam. Além disso, não há água, e os funcionários sequer podem utilizá-la quando existe, para não faltar para os clientes”, afirma uma funcionária, que preferiu não ser identificada. Ela conta que acaba ouvindo reclamações dos clientes sobre o fedor, “como se a culpa fosse nossa”, enquanto nada é feito pelos funcionários. “Somos cinco funcionárias, e uma senhora que também trabalha no local passou mal e desmaiou por causa do calor. Mesmo assim, ninguém fez absolutamente nada”, reclama. A funcionária diz que, enquanto metas de trabalho são alcançadas, o preço cobrado é alto. “Estou vendo a hora de acontecer o pior com alguém. Estou gestante e tenho que passar por isso”, afirma. Outra funcionária diz que o gerente da unidade até mostra empenho para resolver a situação, mas nada acontece na prática. “A direção que tem que liberar os recursos, mas nada vem sendo feito. Não acreditam nem que há realmente funcionárias dando entrada no hospital, porque dizem que ninguém passa mal no calor. Os caixas acabam se abanando com pedaços de papelão”, exemplifica. Segundo ela, o o ar-condicionado tem 30 anos e, em caso de chuva, ele desliga o gerador de tão velho. “Sempre vai alguém da manutenção tentar arrumar, mas não adianta, porque o ar é muito antigo”, sinaliza. “Tenho dois anos de empresa e não é a primeira vez que isso acontece. Todo dia algum cliente troca produtos – os ovos então sempre (estragados). Muitos produtos sofrem com isso, e acabam se deteriorando. Infelizmente, todos sofrem: os funcionários e os clientes”. Irritação Um terceiro funcionário, que atua na frente de caixa, reforça as queixas dos colegas de mercado. “Desde que entrei na loja, o ar-condicionado não funciona. Funcionárias mais antigas afirmam que, em todos os fins de ano, a situação se repete. O calor é absurdo. Já houve pelo menos duas funcionárias que desmaiaram por causa do calor, além de várias outras que passaram mal. Nas últimas semanas, o problema se agravou com a falta de água. A loja não possui bomba, os banheiros ficam imundos e exalam um forte mau cheiro”, descreve. “Passamos calor, sede e ainda somos obrigadas a utilizar banheiros sujos ou correr para outros estabelecimentos”. Segundo ela, as cozinheiras, inclusive, tiveram que paralisar a produção por falta de água. “Houve caso de uma cliente que precisou interromper as compras para levar o filho de volta ao apartamento, pois ele passou mal com o calor”, acrescenta a atendente de caixa, citando prejuízos com produtos, como carne estragada, chocolates derretidos e flores morrendo. “Em alguns dias, metade do refeitório e da sala de descanso foi ocupada por rosas brancas, que não podiam ficar na área de vendas para não estragar”, complementa. Outro lado Em nota, o Grupo Pão de Açúcar afirma que "lamenta os transtornos causados e informa que a unidade da Avenida Puglisi, em Guarujá, enfrentou uma situação atípica na última semana devido à crise de abastecimento de água que afetou toda a região da Baixada Santista". Além disso, o Pão de Açúcar esclarece que "o sistema de climatização da loja depende diretamente do fornecimento regular de água para operar e que, para mitigar o impacto das altas temperaturas e da interrupção no serviço de fornecimento de água, a companhia agiu, contratando caminhões-pipa para garantir o funcionamento dos equipamentos". Além disso, a loja "providenciou de forma emergencial o abastecimento de água potável proveniente de outras unidades da rede para garantir o consumo e o bem-estar dos colaboradores para que não ficassem desassistidos". A rede enfatiza que "a segurança e a saúde dos colaboradores e clientes são prioridades absolutas e que medidas de manutenção e aprimoramento do sistema de climatização foram e continuarão sendo realizadas no local sempre que necessário".