Organizadora da 'Festa dos Iates' em Guarujá diz que Covid é marketing do Governo: 'Não assusta'

Aline Ricci comemorava o aniversário de 24 anos no Canto do Tortuga, na Praia da Enseada. Movimentação de embarcações chamou a atenção

A produtora de eventos Aline Ricci, de 24 anos, se pronunciou sobre a festa com barcos de luxo que chamou a atenção na última quinta-feira (17), no Canto do Tortuga, na Praia da Enseada, em Guarujá. De acordo com ela, o coronavírus faz parte do 'marketing do governo' e, até hoje, ninguém nunca falou pra ela, que chegou na festa de helicóptero, que conhece alguém que morreu de coronavírus.

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A jovem celebrava o aniversário durante o evento, que ficou conhecido como um "encontro de iates" do Guarujá. A movimentação gerou denúncias sobre a aglomeração e levou a prefeitura a enviar equipes da Guarda Civil Municipal (GCM) até o local para impedir a festa, que ocorria com infrações às regras de distanciamento social e uso de máscaras por conta da pandemia do novo coronavírus. A Capitania dos Portos também foi acionada para fazer a retirada e as autuações das pessoas que estavam no mar.

Segundo Aline, ela havia feito um grupo no WhatsApp para convidar os amigos para a festa. Neste grupo, ela enviou orientações, como o respeito ao distanciamento social. Na visão da produtora, ela não pode ser considerada responsável pela forma como outras pessoas agiram no local.

"Antes de tudo, eu fiz um grupo no WhatsApp, convidei meus amigos. Até onde eu sei, andar de lancha não está proibido. Eu conversei com eles, pedi a todo mundo para seguir as regras de distanciamento, tudo certinho. Tanto que cada um estava no seu barco. Eu cheguei de helicóptero, eu não cheguei de carro. Eu não estava fazendo a festa com fins lucrativos, então, eu não sou responsável por tomar conta do que eles estão fazendo lá. Se eles não respeitaram ou algo do tipo, não faz parte de mim. Eu sou produtora de eventos, de musical, faço trabalho com vários tipos de coisa que faz propaganda para divulgar eventos, essas coisas. Por isso que criou uma proporção tão grande", relata a jovem.

Aline Ricci diz que não teria como ser responsável pelo comportamento de outras pessoas (Reprodução)

A celebração ganhou repercussão nas redes sociais e em diversos veículos da imprensa. Aline criticou por não terem citado, por exemplo, que realizavam cobrança de R$ 100 por pessoa para levar interessados até as embarcações.

"Ninguém falou que tava tendo fila na praia, na escola marítima, e estavam cobrando R$ 100 por pessoa para poder levar até o barco. Se as pessoas se aglomeraram na praia, eu não tive culpa. Era meu aniversário, estava com meus amigos e falei para eles: 'Olha, vamos respeitar o distanciamento'. Tanto que a maioria dos barcos, se você ver no vídeo, não estão atracados um do lado do outro. Eles estão cada um no seu quadrado. Mas se eles não respeitaram o limite de pessoas ou algo do tipo, isso eu não tenho nada a ver. A parte da escuna, eu não tive nada a ver", comenta a produtora.

Além de produtora de eventos, Aline também é produtora artística e musical, empresária, diretora de casting, diretora de marking e realiza produção visual de markteting para público. Ela também questiona as criticas ao evento e cita, por exemplo, a realização de shows ao estilo "drive-in", com cada pessoa em seu veículo.

"Vai ter show, acho que do Belo, em drive-in. Cada um no seu carro. E é autorizado. Por que ali não poderia ser cada um na sua lancha? Uma escuna no meio tocando som e todo mundo se divertindo? Final de semana todo mundo desce para a praia. Tem prefeito, tem juiz, tem delegado, com suas famílias. Sentados, tomando sua cerveja, com filho sem máscara, todo mundo sem máscara, está tudo certo. Agora, eu comemorei meu aniversário e tomou uma porporção, as pessoas querem me crucificar, dizendo que não está respeitando, que quer fazer mal para as pessoas por causa de coronavírus, etc. Não pedi para o cara jogar dinheiro no mar. Não sou responsável pelas pessoas, elas são maiores de idade. Elas fazem o que é melhor para vida delas naquele momento", diz Aline.

A jovem também explica que, na embarcação em que estava, cabiam 28 pessoas. No entanto, devido as regras de distanciamento, só foi permitida a entrada de 12 pessoas.

Coronavírus

A produtora artística também relata uma descrença em relação a pandemia de coronavírus. Ela também deixa claro que em nenhum momento quis fazer mal a ninguém

"Para mim, esse assunto do coronavírus, querendo ou não, é um marketing do governo. A gente está há 3 meses passando pela pandemia. Eu conheço milhares de pessoas. Até hoje, para mim, ninguém falou que fulano morreu de coronavírus. Então, para mim, não assusta. Eu não fico perplexa, assustada. Eu, até onde saiba, não peguei. Minha família também mora na Baixada. Tenho casa em São Paulo, mas tenho casa na Baixada. Moro com a minha avó e com a minha bisavó. Eu sempre tive uma vida normal. Minha família está super bem e nunca ninguém pegou em casa. Eu não tive a maldade de querer passar, fazer mal para ninguém. Minha experiência pessoal não me atingiu, então, a gente não tem aquilo na mente. A gente até esquece. Eu só queria comemorar meu aniversário. Estão me detonando como se fosse a responsável de tudo", desabafa.

A jovem ainda relata que existem bailes sendo realizados nos morros e em São Vicente, todos finais de semana, mas que ninguém faz reportagens sobre o tema. "A gente estava no ar livre, no meio do mar. Se as pessoas foram para areia curtir, beber, aproveitar a quinta-feira. Já não é minha culpa, eu não tinha como controlar", comenta.

Parte 2?

Nas redes sociais, algumas pessoas já especulam sobre uma segunda festa. Porém, Aline explica que é uma brincadeira, gerada pela repercussão do momento. "Se caso ocorrer, vamos tentar manter todas as medidas protetivas, num lugar distanciado e que ninguém vai saber. Vamos fazer só para amigos próximos para que não crie uma porporção maior", finaliza.

Segundo produtora, parte dois da festa foi falada em tom de brincadeira (Foto: Reprodução/Instagram)
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