Surfista relembra quando surfou a onda lendária pela primeira vez (Arquivo pessoal) Uma onda considerada lendária, gigante e perigosa pelos surfistas surgiu neste mês na Praia do Góes, em Guarujá, no litoral de São Paulo, conforme noticiado por A Tribuna. No entanto, esse fenômeno não é tão inédito na região e já pôde ser observado em anos anteriores. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! O instrutor de canoagem Mario Cavaco, de 38 anos, relembrou que surfou essa onda pela primeira vez entre 2011 e 2012. Segundo ele, ela pode ser perigosa, como tudo o que acontece no mar. “Já dizia vovó: o mar não tem cabelo”, brincou. Com o aumento da dragagem do canal do Porto, forma-se uma espécie de ‘bancada’ na região, o que, segundo Mario, contribui para a formação desse tipo de onda. Ele ressalta que já rema há muitos anos, mas que não havia registros desse fenômeno no passado. “Sabemos que a onda pode rolar vendo a previsão nos sites. Quando o swell (ondulação) vem grande, acima de 2m ou 2,5m, já ficamos na expectativa! Tem um agravante, que é a maré. Quando estamos na lua cheia ou na lua nova, a maré tem uma variação maior, o que faz com que corra mais ali no canal, ajudando na formação”, destacou. Quando a onda foi registrada neste mês, a lua não estava nem nova, nem cheia, mas, segundo o instrutor, a ondulação estava tão intensa que ela se formou mesmo assim. “Gostamos de adrenalina, e pelo volume de água que vem, fica bem excitante. E, por ser uma onda que não rola sempre, acabamos sempre ficando na expectativa”, afirmou. O clima pode ter contribuído A oceanógrafa Letícia Schabiuk explica que uma combinação de fatores, especialmente climáticos, contribui para a intensificação desse fenômeno. De acordo com ela, a formação de ondas de grande porte está diretamente ligada a elementos como a velocidade, a direção e a força do vento. Normalmente, ondas altas e potentes surgem com a chegada de frentes frias ou pela combinação dessas frentes com eventos de ressaca. "Ou quando um swell ocorre - quando ventos fortes em alto-mar geram ondulações que se deslocam até a costa", explicou. Dragagem Letícia Schabiuk acrescentou: “Quando a gente fala da dragagem do Porto, ela realmente pode fazer com que o escoamento da água seja mais rápido, mas isso não necessariamente influencia a formação de bancos de areia ali na região. Então, há outros processos que também importam e implicam nessa formação (onda)”. A oceanógrafa ressaltou que a área onde os sedimentos da dragagem são depositados não fica na Baía de Santos, ou seja, perto da Praia do Góes. “Existe uma área específica fora da Baía de Santos, que é própria para esse descarte. Foi feito um estudo oceanográfico para entender qual seria o melhor lugar, onde esse sedimento dragado não voltasse para dentro da baía e atrapalhasse o aprofundamento do canal”.