Local se tornou um "pântano" de acordo com os moradores (Arquivo pessoal) Água parada, acúmulo de lixo, animais mortos, criação de mosquitos e crianças nadando. Esse é o cenário das obras dos piscinões no bairro Santo Antônio, em Guarujá, no litoral de São Paulo, que vêm gerando insegurança e indignação na população. Em contato com A Tribuna, moradores denunciaram o abandono das estruturas, que deveriam conter enchentes, mas seguem inacabadas mais de quatro anos após o início das obras. Em nota, a Prefeitura de Guarujá disse que notificou a empresa responsável pelos serviços (Confira o posicionamento mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Parece questão de tempo até acontecer uma tragédia”, afirma uma moradora que vive em frente a um dos reservatórios. Ela denuncia a ausência de fiscalização das obras, relatando que é comum ver crianças nadando nas águas do piscinão, onde há descarte irregular de lixo e animais mortos. Outra moradora afirma que a obra virou um “pântano”, enquanto um morador critica as condições da água do local. Eles ressaltam que a água parada dos reservatórios, além de poder transmitir doenças, também causou um aumento na população de mosquitos na região. O projeto As estruturas fazem parte do projeto de macrodrenagem do Rio Santo Amaro, cujo objetivo é garantir que as chuvas intensas deixem de causar transtornos para os moradores da região. De acordo com a Prefeitura, a obra beneficiará mais de 18 mil pessoas. O investimento total é de R\$ 77,5 milhões, com recursos do Ministério do Desenvolvimento Regional, gerando o posto de maior projeto de macrodrenagem em execução na Baixada Santista. Além disso, o projeto prevê três reservatórios controlados por comportas, além da reconstrução de canais, obras de drenagem, pavimentação e um dique de proteção. As obras foram iniciadas em abril de 2021 e havia a previsão de 30 meses de trabalho. No entanto, já se passaram 50 meses e elas seguem inacabadas. Denúncias de abandono Enquanto a estrutura final não fica pronta, o que se vê no entorno é descaso e falta de segurança. “A última vez que drenaram essa água foi em dezembro”, conta uma moradora. “Ele já está cheio. Se chover muito, vai transbordar”. Os moradores denunciam que, além do risco de enchente, o local está “todo aberto” e se tornou ponto de encontro de usuários de drogas devido a facilidade do acesso e ausência de fiscalização. Segundo outra moradora, o problema se agravou após a interrupção dos trabalhos na gestão anterior e, desde então, os piscinões se tornaram um atrativo perigoso. “Diziam que era pra amenizar as enchentes, mas só complicou a vida dos moradores”. Posicionamento A reportagem de A Tribuna procurou a administração municipal, que respondeu por meio de nota: "A Prefeitura de Guarujá informa que notificou a empresa responsável para reforçar a segurança no local. Uma das medidas exigidas foi a manutenção de vigilância 24 horas para coibir o acesso indevido, sobretudo de crianças, aos reservatórios. A empresa atendeu à solicitação e mantém vigilância permanente no canteiro de obras. Anteriormente, também foram feitas notificações para a instalação de placas de advertência e cercamento da área, ações que foram devidamente cumpridas. A obra teve início em 27 de novembro de 2020 e, atualmente, está temporariamente suspensa para adequações de ordem física e financeira".