Henry com a mãe, Natalya Barbosa, e na praia tomando água de coco: saudade e espera por justiça (Arquivo Pessoal) A saudade do pequeno Henry, de 2 anos, ocupa um espaço infinitamente maior no lar da autônoma Natalya Karyna Prudêncio Barbosa, de 30 anos, em Guarujá, litoral de São Paulo. O menino morreu no dia 31 de janeiro e, de acordo com laudo necroscópico, a causa foram “complicações de broncoaspiração, em consequência de um traumatismo crânioencefálico”. Porém, para a mãe, o sumiço do padrasto após a morte da criança colocou uma dúvida sobre o possível envolvimento na morte. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Ele estava com o menino e me ligou, falando que o Henry tinha caído, que tomou iogurte e ele foi pegar um pano e, quando voltou, o menino estava no chão. Desliguei o telefone e corri para o local onde uma vizinha minha levou meu filho. O padrasto desceu com o Henry desacordado, e ela arrancou do colo dele e correu para o posto policial da Vila Zilda”, relata a autônoma. Com o filho em reanimação, Natalya foi junto na ambulância, rumo ao Hospital Santo Amaro. O garoto ficou internado por seis dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), até que não resistiu. O padrasto permanceu do seu lado ao longo do período, mas, quando eles foram ao Instituto Médico Legal (IML) para a autópsia, o estranhamento no comportamento do companheiro teve início. “Na casa da minha irmã, a gente se juntou, eu e minha família. E nisso, ele perguntou para todos o que saía nesse laudo, como era feito. No IML, enquanto esperávamos o exame, ele me chamou para tomar um café, mas não sem perguntar para a pessoa da portaria sobre o laudo. Disse que ficaria em agonia pela espera do laudo por 30 dias”, observa a autônoma. Na explicação do padrasto, a expectativa era por enterrar a criança. Quando o telefone tocou, disse que era a mãe dele e que iria atender à ligação. Após isso, não foi mais visto. De longe, ele disse para a companheira que “havia sido pego pelo Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia), o que depois se revelou que não era verdade, porque não havia batalhão desta guarnição na área. Foi quando veio a surpresa: saques via Pix foram identificados. “Eu baixei o meu aplicativo no outro celular. Porque as contas estavam todas no aparelho dele. Comecei a ver Pix dele de R\$ 20,00, de R\$ 50,00, de R\$ 40,00, de R\$ 90,00... Ele foi gastando enquanto fugia”, acredita Natalya. Sem contato, com saudade A autônoma conta, ainda, que perdeu contato com a mãe do companheiro, que a bloqueou. Ela acrescenta que teve uma informação de que, quando o rapaz chegou a Guarujá, usava outras identidades – ela só descobriu o nome real depois de dois meses. Enquanto luta por justiça, Natalya tenta conviver com a dor. A bola de futebol e a mochila do Incrível Hulk seguem como lembranças do filho, corintiano fanático que era bastante ativo. “Ele amava jogo de futebol e praia, onde comia morango e tomava água de coco. É um tormento acordar e ele não estar ali”, finaliza. Outro lado Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o caso é investigado pelo 1º Distrito Policial (DP) de Guarujá. “A equipe da unidade continua com as diligências para localizar o padrasto da criança e ouvi-lo sobre os fatos. Até o momento, não foi solicitado mandado de prisão, pois ainda não há elementos suficientes que indiquem a autoria do crime. Os trabalhos seguem em andamento para esclarecer todas as circunstâncias da ocorrência. Demais detalhes serão preservados por envolver menor de idade”.