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Quarta-feira

21 de Agosto de 2019

Ex-funcionários da Saúde de Guarujá relatam atrasos nos pagamentos efetuados pela gestora

Organização Social Pró-Vida ainda não quitou débitos referentes a benefícios não pagos; segundo uma escriturária, empresa fez apenas 'depósito simbólico' do FGTS

Ex-funcionários das Unidades de Saúde da Família (Usafas) de Guarujá, que foram desligados nos últimos meses, relatam que a Organização Social (OS) Pró-Vida, gestora do serviço, tem deixado de quitar os débitos referentes a benefícios e ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

As reclamações foram feitas pela escriturária Walquiria Cunha dos Santos e pela enfermeira Priscilla Pequeno Gomes, desligadas em março e fevereiro, respectivamente. 

Walquíria trabalhou durante cinco anos na Usafa do Jardim Progresso, em Vicente de Carvalho, e era responsável por lançar no sistema todos os encaminhamentos dos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) para captar as vagas de exames e especialistas. Já Priscilla era gerente da unidade.

A escriturária explicou que chegou a receber o dinheiro referente à rescisão contratual, mas que a OS não quitou os valores referentes aos cinco meses de vale-alimentação pendentes. Além disso, a multa pelo atraso no pagamento da rescisão também não foi liquidada.

Ainda de acordo com Walquíria, a Pró-Vida depositou um "valor simbólico" referente ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), sendo que há 10 meses de benefício não pagos pela gestora.

"A empresa não paga o que ainda deve para os funcionários demitidos, e quem continua trabalhando está com nove meses de vale-alimentação atrasado! Quando eu fui ao escritório assinar a rescisão, me falaram que eu não precisava me preocupar, porque todos, em todos os meses, cairia meu vale certinho até completar os cinco [meses] que tenho a receber. A última vez que depositaram para quem saiu e para os funcionários foi em março. Depois disso, não depositaram mais. Ligo no escritório e a única coisa que sabem informar é que não tem previsão", explicou a escriturária.

Segundo as ex-funcionárias, em conversas com profissionais que ainda seguem em atividade nas unidades de saúde, foi relatada a falta de produtos de higiene. 

Pró-Vida cita desiquilíbrio financeiro

Questionada sobre os problemas relatados, a Organização Social Pró-Vida afirmou que está empenhada em resolver todas as pendências financeiras e que está aberta ao diálogo com seus colaboradores. A entidade destacou que um desequilíbrio financeiro provocou o atraso nos pagamentos de benefícios e que um estudo está em andamento para sanar, o mais breve possível, todas as pendências.

Quanto aos materiais de limpeza, a OS ressaltou não procede a informação. Por fim, a Pró-Vida disse que não há nenhum prejuízo no atendimento à população, e todos os serviços de saúde estão sendo realizados normalmente.