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Sexta-feira

10 de Julho de 2020

Crianças com deficiência realizam sonho de conhecer o mar em Guarujá; vídeo

Grupo formado por 60 pessoas com deficiências físicas e intelectuais viajou 230 km para proporcionar primeira visita à praia

Crianças e jovens encararam horas de estrada para a realização de um sonho. Um grupo de Americana, no interior de São Paulo, proporcionou o primeiro contato com o mar a 60 pessoas com deficiências físicas e intelectuais. A tão esperada experiência aconteceu em Guarujá.

Para chegar até o litoral, o grupo saiu às 5h do último sábado (23) e precisou percorrer cerca de 230 km até a Praia do Guaiúba. Foram necessários dois ônibus e quatro carros para acomodar as 92 pessoas, entre crianças cadeirantes, com síndrome de down, autistas, casos de microcefalia e outras deficiências motoras.

A ação foi realizada pelo Projeto Vide Americana, que auxilia pessoas com deficiência e idosos de comunidades carentes da cidade do interior paulista há 15 anos. O grupo tem como objetivo promover uma maior mobilidade com a doação de cadeiras, muletas e demais itens que facilitem o dia a dia dos participantes.

Grupo fez excursão até a Baixada Santista para proporcionar primeiro contato com o mar (Foto: Divulgação/Projeto Vide Americana)

Voluntária na ação, Eliana Amância dá vida à palhaça Lilica, responsável por auxiliar as crianças e adolescentes nas atividades. Com sua ajuda, muitos jovens perderam o medo do mar e, com isso, aproveitaram esse primeiro contato. "A maioria não conhecia o mar. Dos 60, apenas cinco já tinham visto alguma vez", comenta.

O grupo contou com o apoio de uma empresa de turismo voltada ao lazer inclusivo. Com vaquinhas e doações, o projeto arrecadou dinheiro suficiente para arcar com as despesas da viagem. O destino escolhido foi a Praia do Guaiúba, por suas ondas tranquilas e menor movimento de turistas.

No grupo, 16 cadeirantes conseguiram entrar na água com cadeiras adaptadas (Foto: Divulgação/Projeto Vide Americana)

Com uma passarela até a areia, além de cadeiras e caiaques adaptados, as 60 crianças e jovens entraram no mar e experimentaram a sensação das ondas.

"Na hora em que eles começaram a descer e enxergar o mar, choravam e gritavam felizes. Me falavam 'Lilica, quero ir ao mar'. É um momento que todos deveriam presenciar. Todos os banhistas ficaram maravilhados em vê-los brincando na água".

Alguns casos chamaram a atenção da palhaça, como o de Henrique (foto abaixo). O jovem de 26 anos tem uma deficiência que não permite que seus braços e pernas dobrem, mas ele conseguiu curtir a praia com o equipamento adaptado.

"Ele se emocionou muito na prancha adaptada, e todos nós choramos de emoção ao vê-lo sorrindo e as ondas batendo nele", finaliza.

Henrique tem uma deficiência que não permite o movimento dos membros, mas ele conseguiu sentir as ondas com a prancha adaptada (Foto: Divulgação/Projeto Vide Americana)

 

Empresa cedeu cadeiras adaptadas e esteiras para que pessoas com deficiência chegassem ao mar (Foto: Divulgação/Projeto Vide Americana)
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