[[legacy_image_303596]] Um funcionário da Unidade de Saúde da Família (Usafa) do Perequê, em Guarujá, litoral de São Paulo, encontrou uma jararaca venenosa perto do muro da unidade, na última segunda-feira (9). O Grupamento de Defesa Ambiental (GDA), formado por guarda civis municipais, resgatou o animal e tirou da unidade. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A Prefeitura confirmou, em nota, a presença de uma jararaca no muro da unidade. O animal foi encontrado por volta das 10h40 na Usafa que fica na Rua Rio Branco. Ela foi encontrada enrolada na vegetação e, na sequência, foi devolvida para uma área de mata. De acordo com a Administração, ninguém ficou ferido durante o resgate. A cobra é de uma espécie comum e frequente na Baixada Santista. O biólogo Thiago Malpighi, experiente com manejo em fauna e resgate de serpentes peçonhentas, informou que é possível garantir pelas imagens que ela é juvenil. Essa informação é observada pela coloração branca na ponta da cauda da cobra. “Os indivíduos de Bothrops jararaca, quando juvenis, alimentam-se especialmente de anfíbios anuros, que são sapos, pererecas, etc. Essa ponta da cauda mais clara está associada ao comportamento de caça dela. Permanecem imóveis e agitam a ponta da cauda. Assim atraem os anfíbios, que pensam tratar-se de alguma larva, por exemplo”, explicou o especialista. Enquanto se devolve, Thiago ressaltou que a espécie passa a ter uma dieta associada especialmente a pequenos mamíferos e perdem essa coloração branca na cauda. Apesar de ser uma espécie nativa de formações florestais, ela tem boa capacidade de adaptação a alterações no ambiente na região sudeste. “Muitas vezes são encontradas em áreas periurbanas ou áreas urbanizadas entremeadas em fragmentos de vegetação como é o caso em boa parte dos municípios costeiros de São Paulo”, reforçou. VenenosaA cobra é de uma espécie peçonhenta, ou seja, venenosa. O especialista reforçou que o grupo das jararacas está associado à maior parte dos acidentes envolvendo serpentes venenosas no Brasil, chegando a cerca de 90%. Porém, Thiago garantiu que a letalidade é baixa, considerando um atendimento médico rápido e apropriado. “Não mata necessariamente. Os acidentes envolvendo serpentes Bothrops jararaca, apesar de potencialmente letais ao ser humano, em sua maioria não consistem em casos graves, apresentando bom prognóstico no contexto de um atendimento médico rápido e apropriado. No caso de envenenamento, quanto menor o tempo decorrido entre o acidente e o início da soroterapia apropriada melhor”, disse. Caso haja picada, o profissional recomendou que o paciente mantenha a calma e busque atendimento médico o mais breve possível. “Não fazer garrote ou torniquete, não aplicar substâncias, nem realizar sucção e incisões”. Também pediu para que a vítima da picada não ingira bebida alcoólica ou qualquer receita ou medicamento para combater o veneno. “O único procedimento comprovadamente eficaz para a neutralização do veneno é a soroterapia específica a ser ministrada por equipe médica em ambiente hospitalar no Sistema Único de Saúde (SUS)”.