Governo de SP aguarda aval da União para obra da ponte Santos-Guarujá

Governo paulista acata recomendação do Ministério da Infraestrutura e entrega novo projeto de ligação seca

A Secretaria de Logística e Transporte de São Paulo aguarda sinal verde do Governo Federal para autorizar o início das obras da ligação seca entre as margens do Porto de Santos. O projeto revisado do futuro equipamento foi entregue, na última quinta-feira (19), no Ministério da Infraestrutura, após mudanças defendidas pela pasta a fim de minimizar impactos na operação portuária. 

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Segundo o governo paulista, com a conclusão do novo projeto, a obra está pronta para ser iniciada com o aval do Ministério da Infraestrutura. A construção do acesso será executada pela Ecovias, em troca de ampliação do contrato de concessão da malha rodoviária regional. 

A pedido da Autoridade Portuária e dos demais órgãos envolvidos, a concessionária desenvolveu uma alternativa de projeto. As principais mudança são reposicionamento e aumento da distância entre os pilares. A alteração resultou num vão principal de 750 metros — que se tornará o maior da América Latina — e com altura de 85 metros a partir do nível do mar.  

As medidas eliminam qualquer interferência operacional atual e também com as ampliações de projetos futuros do Porto.  

Terceira versão 

Essa é a terceira vez que a empresa revisita o projeto para atender todos os requisitos necessários de implantação da interligação entre margens. O primeiro projeto contava com 320 metros de vão. No segundo semestre, trabalhou-se uma nova proposta, que aumentava a distância para 400 metros de vão. 

“Embora as configurações anteriores já atendessem a navios maiores do que os que circulam atualmente no Porto de Santos, que têm restrições naturais impostas pela geografia do canal, a concessionária, a pedido da Secretaria de Transportes e Logística, decidiu rever seus estudos e conseguiu encontrar uma solução que amplia ainda mais a capacidade de navegação sob a ponte, sem qualquer interferência nos terminais portuários instalados”, informa a pasta por meio de nota. 

Ainda segundo a secretaria, os estudos para a elaboração do projeto contaram ainda com o Simulador de Tanque de Provas, respeitado laboratório de engenharia naval da USP/Poli, que apontou não haver obstáculos à expansão do Porto no projeto da ponte. 

O secretário de Logística e Transportes, João Octaviano Machado Neto, destaca o avanço do projeto e sua importância para a Baixada Santista. “Temos um projeto eficiente e rápido para atender a uma demanda centenária da população e de todos os setores da economia que giram em torno do maior porto da América Latina. A ponte não requer dinheiro público, uma ótima solução ainda mais nos tempos atuais com as dificuldades impostas pela pandemia”. 

O projeto foi analisado também pelo Serviço Regional de Proteção ao Voo de São Paulo do Departamento de Controle do Espaço Aéreo do Comando da Aeronática, que declarou que não há prejuízo para a operação do Aeroporto, com a necessidade somente de sinalização e iluminação específica. 

Benefícios 

Dentre os benefícios do acesso, está a adequação a qualquer possível ampliação no Porto de Santos e um segundo acesso ao Porto com adequações à Avenida Perimetral e alças de entrada e saída; compatibilidade com a ampliação da linha férrea; melhora no acesso ao aeroporto de Guarujá sem qualquer interferência na sua operação. 

A ligação seca também vai reduzir o percurso entre Santos e Guarujá dos atuais 45 quilômetros para menos de 20 quilômetros. Também é apontada para reduzir pela metade as operações da balsa Santos-Guarujá. 

O projeto 

A pasta paulista cita a geração de 4 mil empregos diretos e indiretos durante a sua execução. O acesso projetado tem 7,5 quilômetros de extensão, sendo 1,1 quilômetros de travessia em ponte pênsil e o restante em viadutos.  

A proposta conecta a Via Anchieta, na altura do km 64, à Rodovia Cônego Domênico Rangoni, no km 250, o que viabiliza, inclusive, um segundo acesso à avenida portuária. Por não se tratar de uma obra contratual, a concessionária submeteu todos os estudos à avaliação da Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp), a quem cabe autorizar a inclusão das melhorias no contrato estabelecido com a concessionária. 

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