Golpes bancários aumentam e especialista dá dicas sobre como se proteger

Febraban aponta um crescimento de 44% dos casos após a pandemia e o isolamento social

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) registrou um aumento de 44% no número de golpes bancários através de links maliciosos. O levantamento é sobre os meses de fevereiro e março, quando começaram os casos de coronavírus e o isolamento social no país.

Os criminosos disparam esses links por e-mails, whatsapp, sms com o intuito de capturar os dados bancários e consumar a fraude. As mensagens geralmente têm os seguintes temas: bloqueio de senha, dívidas em aberto, descontos em boletos.

O perito judicial forense, especializado em fraudes e falsificações, Lorenzo Parodi, aponta que a quarentena tem aproximado os clientes dos sistemas digitais oferecidos pelos bancos e, ao mesmo tempo, de situações maliciosas (veja no infogárfivo abaixo).

>> Veja como não cair em golpes bancários com as dicas dispostas no infográfico 

Segundo Parodi, naturalmente, o profissional em home office passa mais tempo navegando pela internet e fica mais exposto aos golpes.

“Muitas pessoas não estão acostumadas a trabalhar em casa. Com isso, na maioria dos casos, não aplicam os mesmos protocolos de segurança adotados pela empresa. E, por ser uma rede de casa, sem ter o mesmo tipo de filtragem e controle, abrem espaço para os golpistas”, diz.

O especialista conta que para evitar cair no golpe a receita é simples: reforçar a segurança, não clicar em links desconhecidos, não fornecer dados pessoais e evitar o acesso a sites desconhecidos - principalmente sites de conteúdo erótico e de venda de produtos ilegais.

Segurança do computador

Mesmo seguindo as orientações e adotando medidas cautelosas, as pessoas podem acabar como vítimas de crimes virtuais. Basta, por exemplo, acessar algum conteúdo enviado por um amigo que tenha caído em um golpe ou inserir um pen-drive contaminado no computador.

Parodi explica que dificilmente os computadores pessoais terão as mesmas proteções das máquinas usadas nas empresas, pois estas contam com uma série de restrições, inclusive de acesso. No entanto, ele aconselha o uso de bons antivírus.

O especialista aponta o usuário pode instalar um antivírus gratuito, mas ressalta que os programas contratados (pagos) garantem uma proteção maior, com atualizações diárias das defesas do sistema.

Os cuidados já mencionados, porém, devem ser mantidos, independentemente do antivírus. Segundo ele, a proteção só é eficaz sobre os perigos já conhecidos. “É como uma vacina, só é produzida quando o vírus é conhecido e, até lá, muitos já vão ter sido infectados”.

Bandidos também se passam por funcionários do banco para enganar clientes (Foto: Valery Hache/AFP)

Golpe do 'motoboy'

O golpe do ‘motoboy’, já noticiado por A Tribuna, é outro que continua a fazer vítimas. A Reportagem conversou com um homem (sem se identificar), que por pouco não caiu na armadilha – o caso ocorreu há duas semanas.

Segundo a vítima, um indivíduo ligou e se apresentou como funcionário do banco em que é cliente. Ele perguntou se havia sido realizada uma compra no aeroporto e, como a operação não foi reconhecida, foi orientada a ligar para o número 0800, que consta no verso do cartão.

“Liguei. Não sei como fazem isso (segurar a chamada), mas atendeu uma mulher com quem fiquei 30 minutos ao telefone”. Os estelionatários ganham a confiança da pessoa, que segue todas as orientações: digitando a senha e fornecendo o endereço.

O passo final do golpe é solicitar a quebra do cartão e a entrega deste para um motoboy. A vítima fez todos os procedimentos indicados, inclusive manteve o chip intacto, que é usado para acessar os recursos.

“Ela (falsa funcionária) passou o nome do motoboy e informou que este passaria entre 13h e 16h. Deixei o cartão (quebrado) dentro de um envelope na portaria”.

Desconfiada, a vítima tentou, sem sucesso, contato com a gerente da conta. Só quando o motoboy ligou informando que estava chegando, é que a vítima conseguiu falar com a gerente. “Ela atendeu e falou que era um golpe”. Na sequência, o envelope foi recuperado.

“O homem (motoboy) ainda ligou para dizer que havia chegado e que não tinha o cartão. Disse que sabia do golpe e que iria chamar a polícia. Ele desligou e foi embora”, conta.

Atenção

“Os bancos nunca enviam funcionários para recolher os cartões dos clientes”, alerta Walter de Faria, diretor-adjunto de Operações da Febraban. Ele acrescenta: “quando o cliente for descartar um cartão, é importante inutilizar o chip para impedir que novas compras sejam feitas”.

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