Vendedor de Santos ainda se recupera de sequelas da Covid-19 após 6 meses de alta: 'Não trabalho'

Carlos Alschefsky, de 59 anos, foi diagnosticado com o vírus em maio de 2020 e ficou na UTI por 65 dias

Por: Nathália de Alcantara  -  12/01/21  -  16:24
Carlos ficou 65 dias em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e teve de reaprender até a andar
Carlos ficou 65 dias em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e teve de reaprender até a andar

Se não bastassem os 65 dias de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) numa batalha contra o coronavírus, Carlos Alschefsky, de 59 anos, ainda não se recuperou das sequelas da doença mais de oito meses depois de ser infectado.


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O vendedor externo e morador da Aparecida, em Santos, é um dos 30 pacientes que fazem acompanhamento focado na recuperação em serviço criado a partir da ampliação da Seção de Recuperação e Fisioterapia, no Centro Integrado de Especialidades e Reabilitação de Santos.


“Tive 50% de comprometimento nos pulmões e, quando finalmente tive alta em 30 de julho, não conseguia andar. Hoje, não trabalho e acordo todos os dias com os dedos duros. Tomo remédio e a dor passa ao longo do dia”, diz Carlos, que também foi diagnosticado com neuropatia (alteração nos nervos)”.


Ele mesmo explica que não acreditava que a covid-19 fosse tão cruel e espera se recuperar das sequelas para retomar a vida.


“Agora, eu aviso as outras pessoas para se cuidarem. Na minha casa, minha esposa e meus dois filhos também ficaram muito mal, Meu sogro e uma tia morreram. Espero melhorar cada vez mais, mas não sei”.


Atendimento


A fisioterapeuta e coordenadora técnica da Seção de Recuperação e Fisioterapia, Lúcia Helena Santos e Silva, diz que a demanda começou em junho de 2020 e começou quando os pacientes precisavam de um encaminhamento após a alta do hospital.


Ela, que atende os pacientes no Ambulatório Pós-Covid, diz que o agendamento deve ser feito por meio do 0800 da prefeitura, em um item específico para a reabilitação desses pacientes.


“As sequelas mais comuns estão relacionadas com a recuperação respiratória e trabalho corporal global por terem ficado acamadas por tanto tempo. A maioria ficou hospitalizada por mais de 30 dias e tem mais de 50 anos”, explica.


Fraqueza muscular, reeducação respiratória e fragilidade emocional são trabalhados com os pacientes uma vez por semana em um tratamento que dura até seis meses.


“Os familiares são atendidos também e, normalmente, a alta vem antes desse tempo máximo por conta da recuperação que é surpreendente”.


Atendimento em outras cidades


- Guarujá


O que é: espaço desde julho de 2020 para monitorar os pacientes que ficaram internados
Especialidades: fisioterapia, nutrição, psicologia e enfermagem
Como funciona: toda sexta, com até 20 usuários por dia, das 7 às 17h
Agendamento: pelo Sistema de Regulação Municipal
Onde: Ambulatório de Referência em Especialidades (Rua Marivaldo Fernandes, 275, na Vila Júlia)


- Cubatão


O que é: pacientes que tiveram covid-19 são atendidos de forma descentralizada nas 18 unidades de saúde do Município
Agendamento: basta procurar a unidade do bairro ou mesmo o Pronto-Socorro Central em caso de persistência de algum sintoma relacionado à doença. As pessoas que passaram por internação recebem um acompanhamento mais intensivo desde o momento da alta hospitalar


- Mongaguá


O que é: o Ambulatório Pós-Covid, que fica no Hospital Adoniran Correa Campos, no Centro, acompanha os pacientes que tiveram covid-19
Agendamentos: diretamente por telefone
Especialidades: fisioterapia respiratória, psicologia, oftalmologia, cardiologia, urologia
e nefrologia
Atendimentos: 593 pessoas já foram atendidas
Principais problemas: hipertensão, diabetes, cardiopatiae problemas respiratórios


- São Vicente


O que é: setor de reabilitação com equipe multiprofissional. Os primeiros 10 casos chegaram no final de semana passada para o Reabilitar 1 da Área Insular e Reabilitar Rio Branco, da Área Continental
Agendamento: o encaminhamento é feito pelas unidades de saúde do Município


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