[[legacy_image_11976]] Apesar da abundância hídrica e do consumo médio por pessoa estar acima do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a cobertura universal de abastecimento de água ainda é um desafio na região. Ao menos um em cada dez moradores da Baixada Santista não conta com o fornecimento regular nas torneiras. É isso que aponta relatório divulgado pelo Comitê da Bacia Hidrográfica da Baixada Santista (CBH-BS). O documento que serve para a criação de políticas públicas sobre o tema trouxe queda na disponibilidade (captação) de água na região. Conforme noticiado nesta quinta-feira (4) por A Tribuna, a quantidade hídrica por pessoa recuou 3,7% entre 2014 e 2018. Aumento populacional e utilização das mesmas fontes de capitação são explicações ao fenômeno. Embora o colegiado regional cite que a situação da captação do líquido potável seja considerada boa, a oferta não significa mudança no ritmo de expansão da rede de abastecimento. A análise do CBH-BS verificou ligeira melhora no atendimento domiciliar de 2016 para 2017 – puxado pela ampliação do serviço no Litoral Sul. Contudo, o cenário ainda é distante da universalização do serviço. Bertioga é a cidade com o pior resultado. Só 75,4% das residências urbanas são atendidas pelo abastecimento (um ano antes, esse índice era de 75,7%). Isso significa que ao menos uma em cada quatro moradias no Município não está ligada à rede de distribuição de água. O crescimento populacional é indicado pela piora do resultado na Cidade, que há uma década tinha 100% das residências regularizadas cobertas com a distribuição. Segundo a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), Bertioga apresenta taxa média de 3,2% de ampliação populacional ao ano, o que a torna o local com maior ritmo de expansão da Baixada Santista. Com a classificação regular, Guarujá (82,7%) e Cubatão (85,7%) vêm na sequência. São dois mananciais cubatenses (rios Cubatão e Pilões) os responsáveis pela captação de quase a metade da água que abastece as cidades centrais da região. Mongaguá (92,9%), Praia Grande (92,5%) e São Vicente (92,3%) também tiveram classificação regular. A professora de Climatologia e Hidrografia da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), Maria Glória da Silva Castro, chama atenção ao volume de água desperdiçada da captação ao consumidor. Estima-se que 30% do líquido é perdido nesse trajeto. “Exige-se trabalho constante de educação ambiental, além de estímulo do consumo consciente e a fiscalização nos vazamentos nas redes de captação e distribuição de água”. Boa situação Apenas Santos (100%), Itanhaém (95,1%) e Peruíbe (97,5%) estão no nível bom de abastecimento, conforme o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). Entretanto, o mapeamento exclui núcleos periféricos e áreas não consolidadas. “Santos está em área consolidada, onde há dificuldades técnicas para ampliar a rede de atendimento e também para a regularização de habitações subnormais, o que implica em maior complexidade para o planejamento”, sintetiza a publicação. Mobilização Um fórum regional começará a debater no próximo mês ações, temas e atividades que possam contribuir para a construção de um pacto pelas águas da Baixada Santista. O movimento é liderado pelo pesquisador ambiental Marcos Sorrentino. O documento com possíveis caminhos sobre o tema será divulgado após o fim do ciclo de encontros, previsto para março de 2020. Segundo os organizadores, o evento tem como missão aprofundar, compartilhar e democratizar as políticas públicas implementadas pelo Comitê da Bacia Hidrográfica da Baixada Santista e outros atores envolvidos com a temática dos recursos hídricos na região. O evento será coordenado pelo Fundo Brasileiro de Educação Ambiental (FunBEA). Detalhes pelo site. Dois desafios precisam ser vencidos O estudo do CBH-BS indica que os desafios para a universalização do abastecimento consistem na cobertura dos aglomerados subnormais e na eficácia do serviço durante a temporada, ocasião em a população flutuante da região triplica. Para reverter o atual estágio, o presidente do CBH-BS e prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão (PSDB), cita investimentos municipais em regularização fundiária desses lotes, bem como programas habitacionais e implantação de tecnologias para as necessidades de cada localidade. De acordo com a Sabesp, são mais de 6 mil quilômetros de rede de água na região – o equivalente à distância entre Santos e Miami (EUA). A empresa explica que, apenas em 2018, foram instalados 72,3 quilômetros de novas tubulações para expansão e reforço das redes. “De 2015 a 2018, Bertioga recebeu R\$ 81,5 milhões”, cita a empresa, por meio de nota. Segundo a Prefeitura, esse volume fez saltar o índice de cobertura de abastecimento de água para 87%. As demais cidades afirmam ter estabelecido metas à Sabesp sobre abastecimento de água e esgotamento sanitário. O ritmo de investimentos regional da companhia deve se ampliar nos próximos anos. Contratos firmados entre Governo do Estado e cinco cidades (Guarujá, Bertioga, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe) garantiu R\$ 2,8 bilhões para ampliação dos sistemas nos próximos 30 anos.