Sem médicos cubanos, cidades da Baixada Santista fazem força-tarefa para suprir demanda

Desde a desistência do governo cubano do Programa Mais Médicos, municípios já sentem a falta dos profissionais

Por: João Amaro & De A Tribuna On-line &  -  23/11/18  -  09:47
Médicos cubanos começaram a deixar cidades na última quarta-feira (14)
Médicos cubanos começaram a deixar cidades na última quarta-feira (14)   Foto: Agência Brasil

As cidades da Baixada Santista já começaram a se replanejar após a saída de médicos cubanos do Programa Mais Médicos. Para completar as 85 vagas do programa até então preenchidas pelos profissionais, as secretarias de Saúde montaram uma força-tarefa na tentativa de não deixar nenhum paciente assistido pelos médicos sem continuidade nos atendimentos.


Desde que o governo cubano abandonou o projeto, devido às declarações do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), no último dia 14 de outubro, mais de 11 mil médicos que estavam no País desde 2013 começaram a voltar para Cuba. Destes, 163 atuavam na regiãoe já não apareceram após o feriado prolongado.


Enquanto correm-se os prazos do edital aberto pelo Ministério da Saúde, na terça-feira (20), para a contratação de novos profissionais para o programa, os nove municípios da região, que ainda não sabem quando os novos médicos chegarão para trabalhar, iniciaram processos de remanejamento de profissionais para tentar suprir a falta dos médicos cubanos.


Maior cidade da Baixada Santista, Santos não só realocará alguns médicos da rede pública como, também, pagará horas extras para suprir a saída dos cubanos. Hoje, 24 profissionais são vinculados ao programa na rede de atenção básica. Oito deles eram cubanos e atuavam nos bairros Caruara, Monte Cabrão, Alemoa, Jabaquara, Martins Fontes, Castelo e São Jorge, cobrindo, ao todo, 28 mil pessoas.


Em Guarujá, cidade que tinha 30 dos médicos cubanos atuantes na Baixada, a Secretaria de Saúde reitera que ainda não foi informada oficialmente pelo Ministério da Saúde sobre a saída dos cubanos, e reconhece o ‘forte impacto’ da medida na saúde municipal. A cidade aposta no remanejamento do quadro de médicos atual, inclusive dos outros 20 do programa que são de outra nacionalidade, para manter o atendimento em dia.


Bertioga possui apenas uma médica cubana, que atua na Unidade de Saúde da Família (USF) de Boracéia. Ela voltará à Cuba e está cessando os atendimentos aos pacientes. A Secretaria de Saúde do Município disse que está prestando assistência para o retorno da profissional, assim como aconteceu em sua chegada. A Secretaria aguarda novo edital do Ministério da Saúde para substituição da profissional.


Programa já recebeu mais de 3 mil inscrições para mais de 8 mil vagas
Programa já recebeu mais de 3 mil inscrições para mais de 8 mil vagas   Foto: Arquivo/Agência Brasil

A espera de um posicionamento oficial também acontece em Cubatão. Sete médicos atendem pelo programa no município, e cinco deles eram cubanos. Todos atuam no Programa Saúde da Família nos bairros Vila dos Pescadores, Água Fria, Vila Esperança, Cota 95, Ilha Caraguatá e Jardim Nova República. Segundo a Prefeitura, por enquanto, o atendimento segue normalizado.


A Prefeitura de São Vicente, por meio da Secretaria de Saúde (Sesau), manterá os 23 profissionais do Programa Mais Médicos. Oito deles eram cubanos e já pararam de atender desde quarta-feira (21). A pasta diz contar com uma rápida reposição dos profissionais e aguarda o edital de seleção do Ministério da Saúde. Por enquanto, as unidades atuam com médicos da rede para tentar suprir a demanda.


Em Praia Grande, os 18 médicos cubanos já deixaram a cidade. A cidade aguarda os médicos selecionados pelo Ministério da Saúde para o preenchimento das vagas. Por enquanto, haverá o remanejamento de profissionais de outras unidades para que as Unidades de Saúde da Família (Usafa) não fiquem sem atendimento.


Profissionais cubanos não voltaram ao trabalho após feriado prolongado
Profissionais cubanos não voltaram ao trabalho após feriado prolongado   Foto: Arquivo/Agência Brasil

Litoral Sul


Em Mongaguá, apenas um médico brasileiro inserido no programa está trabalhando, desde que os outros cinco cubanos saíram de seus postos. Emergencialmente, a Diretoria de Saúde está contatando médicos das outras unidades e pedindo colaboração até a recomposição dos profissionais.


Peruíbe tinha cinco médicos cubanos atuando no município. De acordo com a Prefeitura, o atendimento foi prejudicado após a decisão do governo de Cuba, tendo sido necessário o cancelamento de agendas de pacientes. Somente uma profissional chegou a ir ao trabalho, mas apenas no período da manhã. Os médicos que atuam na cidade devem começar a voltar para a ilha caribenha no sábado.


Atualmente, a Administração Municipal explicou que é realizada a cobertura mínima nas cinco equipes em.que as cubanas se encontravam atuando, mas não é o ideal. Eram feitas cerca de 600 consultas por mês pelo Programa Mais Médicos. A Prefeitura aguardaa substituição destes médicos através do novo edital que foi lançado.


A prefeitura de Itanhaém não respondeuA Tribuna On-lineaté a publicação desta matéria.


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