[[legacy_image_59790]] Nos próximos 30 anos, a Baixada Santista viverá um processo gradual de envelhecimento de sua população, com crescimento acentuado das faixas etárias a partir dos 60 anos, e decréscimo do público mais jovem, a partir dos 18. Atualmente, os nove municípios da região somam 1.831.884 pessoas, das quais 296.765 com mais de 60 anos (16,25%). Pelas projeções demográficas, em 2050 a população será de 2.035.090 pessoas, sendo 555.579 acima de 60 anos (27,3%). Em outras palavras: a população total vai crescer 11%, e a de idosos maiores de 60 anos, 87%. Os dados são da Fundação Seade, um portal de estatísticas do Estado de São Paulo, que se debruça sobre tendências demográficas, sociais e econômicas para projetar o perfil das regiões do Estado década por década. Se forem consideradas as mulheres e homens com mais de 55 anos, o índice salta para 34,1% da população em 2050. Atualmente, essa faixa representa 21,9%. Jovens a menos A análise dos dados disponibilizados pela Fundação Seade em seu sitetambém permite observar a curva descendente das faixas etárias mais jovens (veja gráfico). Atualmente, jovens entre 20 e 34 anos representam 35% da população, ou seja, 641.159 pessoas. Em 2050, essa mesma faixa etária ocupará 18,5% do total de habitantes, ou 376.491 homens e mulheres. Ao contrário da faixa etária mais velha, entre os jovens o decréscimo será de 41,2%. Análise mais detalhada dos gráficos fornecidos pela Fundação Seade permite observar um decréscimo acentuado das faixas etárias mais novas, a partir do nascimento. Hoje, crianças de 0 a 4 anos representam 6,7% do total de habitantes. Em 2050, os bebês ocuparão apenas 4,9%. Em números absolutos, sairá de 122.736 para 99.719 (queda de 18,7%). [[legacy_image_59791]] Fatores Para o economista Luiz Gustavo de Araújo, a mudança demográfica é reflexo de vários fatores. “Por um lado, os avanços da medicina diagnóstica e o acesso aos tratamentos; por outro, a opção das famílias em ter menos filhos, ou mesmo não os ter, como já vem acontecendo com vários casais”, diz. Gustavo pondera que a disponibilidade de dados permite aos municípios fazer seus planejamentos. “E também dá indicativos de novos serviços e produtos a serem criados”. Desafios Marcia Novelli, professora de Terapia Ocupacional da Unifesp-Baixada Santista e especialista em Geriatria e Gerontologia, descreve Santos como uma cidade adequada para os idosos, por ser plana e dispor de vários serviços focados nessa faixa etária. Para ela, o desafio maior está na convivência urbana, no preconceito que ainda existe contra o idoso. “Ainda existe uma espécie de bullying, de olhar preconceituoso para eles, e isso precisa mudar”. Marcia Novelli critica a inclusão da “velhice” como doença pela Organização Mundial de Saúde. O termo foi incluído na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID), e vem provocando forte reação de setores ligados ao envelhecimento. “É a demonstração maior de preconceito e retrocesso”, diz Marcia. Cidade para todos Nelson Lima, arquiteto e professor universitário, pondera que os dados demográficos “cutucam os urbanista” a pensar nas cidades adaptadas para os mais velhos. “Estamos falando de edifícios e espaços de convivência onde eles se sintam acolhidos”. Outra preocupação de Nelson Lima é quanto aos idosos que vivem na periferia e em cortiços. “Se vai aumentar a população mais velha, também haverá mais gente vivendo em locais inadequados e insalubres. Se esses lugares já são impróprios para os mais novos, para os idosos é ainda pior. É preciso ter um olhar especial para essa questão”. Medicina preventiva O biomédico Carlos Eduardo Pires de Campos, doutorando em Saúde Pública e CEO da Clínica Cellula Mater, diz que a medicina preventiva tem sido adotada pelos idosos e, por isso, a longevidade pode ser constatada. “Hoje não enxergamos essa faixa etária como antes. Em minha atividade diária, percebo que meus pacientes são os que mais se cuidam, que mais praticam a medicina preventiva. Além de se cuidarem, incentivam toda família a fazer o mesmo”. ‘Diálogos da Maturidade’, novo ciclo de A Tribuna As questões do envelhecimento, da saúde ao mercado de trabalho, passando pela vida sexual e afetiva, estarão no centro dos debates em mais um ciclo preparado pelo Grupo Tribuna, todos feitos de forma virtual em razão das restrições que ainda existem para eventos presenciais. O primeiro encontro será realizado na próxima quarta-feira, dia 30, a partir das 18 horas, e o tema será A revolução da longevidade, com o médico, consultor e referência em envelhecimento Alexandre Kalache. Dia 7 de julho, o tema será o mercado de trabalho para pessoas 50+, com Morris Litvak, CEO e fundador da Maturi, uma plataforma de empregos para as faixas etárias mais altas, e Priscilla Araújo, gerente de RH da Neo, consultoria focada na transformação digital das empresas. Moda, beleza e autoestima é o tema do encontro do dia 14, com a blogueira Cláudia Grande, criadora do Projeto 60Mais. Dia 28 de julho, os médicos Alberto Macedo Soares, geriatra, e Marcos Vasconcelos Pais, psiquiatra, falam sobre saúde mental, demências e transtornos de humor em idosos. Vida sexual e sentimental é o foco do debate do dia 4 de agosto, com Ana Carolina Costa, psicoterapeuta, e Dorli Kamkhagi, doutora em psicologia clínica. Ambas são do Hospital das Clínicas/FMUSP. Diálogos da Maturidade termina dia 10 de agosto, com bate-papo e show virtual do cantor Zé Alexandre, vencedor do The Voice Mais deste ano, da Rede Globo. Os encontros não precisam de inscrição prévia e podem ser acompanhados pelo site do jornal. A iniciativa tem o apoio do Instituto Educacional, Artístico e Científico (Ideac), e do Divertidosos, plataforma de entretenimento focada no público mais velho.