Poliomielite: neurologista de Santos alerta para cepas da doença e importância da vacinação

Dia Mundial de Combate ao vírus é celebrado nesta segunda; campanha de imunização na Baixada Santista foi prorrogada

Por: Natalia Cuqui  -  24/10/22  -  13:54
Campanha de imunização contra poliomielite continua na Baixada Santista
Campanha de imunização contra poliomielite continua na Baixada Santista   Foto: Alexsander Ferraz/AT

O Dia Mundial de Combate à Poliomielite é celebrado nesta segunda-feira (24). A doença erradicada no Brasil em 1994, pode gerar novo surto se os índices vacinais diminuírem ainda mais.


Clique, assine A Tribuna por apenas R$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios!


Na Baixada Santista, com exceção de Mongaguá, a campanha nacional de vacinação foi prorrogada até o dia 31 de outubro, com o objetivo de alcançar pelo menos 95% de cobertura vacinal. Até a publicação desta matéria, Itanhaém não retornou à Reportagem.


A neurologista infantil Maria Lúcia Leal, que atua na Casa da Esperança de Santos, explica que existem três cepas do vírus da poliomielite, que se aloja no intestino e não afeta apenas crianças.


"As pessoas pensam que é uma doença exclusiva da infância, mas não é. Qualquer pessoa não vacinada pode ter. É um vírus que se aloja no intestino e pode ser eliminado pelas fezes, contaminando a água - que se ingerida pode acarretar na contaminação de vírus alojado na garganta. A pólio pode ser transmitida também pela saliva, tosse e espirro".


A especialista lembra que, se não houver condições sanitárias e higiene na hora de comer e manipular os alimentos, há o risco de uma contaminação em larga escala, como ocorreu no surto da década de 1930 em Santos.


"O fator complicador disso é que temos duas formas da doença: uma é a subclínica, que o paciente não tem nenhum sintoma e transmite o vírus para outras pessoas sem saber. Porque não tem dor de cabeça, febre, não tem nada. Isso é um perigo".


Quando os sintomas aparecem, são similares aos de uma gripe comum: febre, dor de cabeça e no corpo. Com isso, as pessoas transmitem sem saber que estão com o vírus no organismo. Na forma mais grave da doença, que atinge 1/3 dos pacientes, há a possibilidade da paralisia irreversível, que pode atingir a musculatura respiratória e levar à morte.


A Casa da Esperança foi a primeira instituição que deu suporte para os pacientes de poliomielite em Santos. A médica, que trabalha no local, finaliza reforçando a importância de vacinar as crianças para evitar um novo surto da doença.


"Se as mães vissem o que ocorreu na época do surto e o quanto as pessoas sofreram, estariam levando os filhos para tomar vacina. Em 1994, o Brasil recebeu o certificado de erradicação da poliomielite e a gente não pode retroceder. É mais fácil você dar uma vacina, uma injeção, do que ter seu filho num hospital, numa UTI, em isolamento com risco de óbito ou ficar com sequelas, inclusive necessitando de cadeira de rodas".


Vacinação na Baixada Santista
Em Santos, a campanha oferece uma dose extra da vacina para crianças de 1 ano a menores de 5 anos de idade, segundo a Prefeitura. Por ser uma dose adicional, mesmo crianças que já têm esquema vacinal completo devem ser levadas a policlínica para a imunização.


Em 2021, o município aplicou 3.240 doses do esquema vacinal contra a poliomielite, totalizando uma cobertura de 74,2%. Já em 2022, até o momento, foram aplicadas 2.230 - uma cobertura de 75,81%. O público estimado é de 4.246 pessoas. Confira aqui a programação de vacinação em Santos.


São Vicente informou, por meio da Secretaria de Saúde (Sesau), que vacinou 4.164 crianças em 2021, um total de 20,82%. Em 2022, 7.214 crianças foram vacinadas até a última quarta-feira (19). Isso representa uma cobertura de 36,07%.


A vacinação em São Vicente acontece nas 26 Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Estratégias de Saúde da Família (ESF), de segunda a sexta das 9h às 15h30.


Praia Grande afirmou que a campanha estadual está prevista até o dia 31 de outubro mas que as vacinas ficam disponíveis durante o ano todo. Lá, foram 21.914 doses aplicadas em 2021, enquanto em 2022 foram 26.498 aplicações. As 30 Usafas do município seguem aplicando a vacina.


A Secretaria de Saúde de Guarujá informou que o total de doses aplicadas foi de 15.759 em 2021, aplicadas em crianças de até seis anos. A campanha segue até o dia 31 nas 15 Usafas e em cinco UBS.


A Prefeitura de Mongaguá informou que seguirá os prazos determinados pelo Governo Federal. Até a última quinta-feira (20), 68% do público alvo foi imunizado, um total de 2.125 doses aplicadas contra a poliomielite.


Em Peruíbe, 1.305 crianças de 1 a 4 anos foram vacinadas em 2021. Já em 2022, até o momento foram 2.139 doses aplicadas. A campanha foi prorrogada até o dia 31 de outubro e a vacina está disponível nas unidades Caraguava, Veneza, Trevo, Centro e Ribamar.


Em Cubatão, o índice de vacinação está em 55% das crianças de 1 a 4 anos. A cidade mantém 14 unidades de Saúde oferecendo a vacina de segunda a sexta-feira, além da vacinação os sábados das 9 às 16 horas em pontos estratégicos. Neste sábado, 22, haverá vacinação no Jardim Nova República, tanto na unidade de Saúde como em um posto volante pelos bolsões 7, 8 e 9.


Logo A Tribuna
Newsletter