Paulo Corrêa Júnior fala de suas prioridades e projetos, entre eles o Polo Industrial de Cubatão

"Somos a 1ª região metropolitana do Estado, mas, na prática, não funciona", relata deputado sobre a Baixada Santista

Por: Júnior Batista  -  25/10/22  -  11:00
Entre as prioridades de Paulo Corrêa Jr estão as pessoas em situação de rua e o Polo Industrial de Cubatão
Entre as prioridades de Paulo Corrêa Jr estão as pessoas em situação de rua e o Polo Industrial de Cubatão   Foto: Divulgação

Paulo Corrêa Júnior, de 46 anos, chega ao terceiro mandato seguido para a Assembleia Legislativa. Ele obteve 62.239 votos. Corrêa é formado em Direito pelo Centro Universitário Monte Serrat (Unimonte) e em Jornalismo pela Florida University (Estados Unidos). Em 2002, participou pela primeira vez de uma disputa eleitoral e conquistou 62.501 votos, mas não foi eleito deputado federal. Ele ainda concorreu a federal em 2006 e, em 2010, para estadual. Foi em 2014 que se elegeu pela primeira vez deputado estadual, com 38.489 votos. O parlamentar afirma que, entre suas prioridades para a região, estão o lado social, especialmente sobre pessoas em situação de rua, e o Polo Industrial de Cubatão.


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Quais suas expectativas e prioridades?

É como se eu tivesse ganhado a eleição pela primeira vez. A gente sempre tem um gás renovado. Sempre há uma motivação maior. Estou preparado para rodar o Estado, como sempre fiz. Eu me considero um deputado, realmente, da região metropolitana, do Vale do Ribeira, do Litoral Norte e, agora, expandi para o Vale do Paraíba, porque tive votação espalhada. Isso tudo é reflexo do jeito que a gente trabalha. Estou muito satisfeito e agradecendo porque ganhei pela terceira vez consecutiva. Tenho 46 anos ainda e muita coisa para fazer. Agradeço muito à minha instituição, que me projetou (a Igreja Assembleia de Deus, em Santos), acreditaram numa bandeira, que foi o pessoal da pioneira. Agradeço, principalmente, ao Vale (do Ribeira), em que tenho prioridade neste mandato. É a região com pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), a mais pobre e onde fui muito bem votado. Tenho um compromisso com aquelas pessoas.


E na Baixada?

Aqui temos, também, a questão das enchentes que eu estarei amanhã (hoje), inclusive, colocando no Orçamento (do Estado para o próximo ano), porque a gente vota agora o Orçamento, colocando na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias). Há R$ 51 bilhões de superávit no Estado. Para sanar os problemas, tenho certeza que mais ou menos R$ 1,5 bilhão resolvem muita coisa. Então, vamos colocar no Orçamento para que depois o governador aprecie se utiliza, mas temos que fazer nossa parte, que é colocar no Orçamento. Temos um grande problema, uma de nossas bandeiras também: o social, que são as pessoas em situação de rua. Precisamos resolver isso com habitação. Não dando o título para a pessoa, mas dando um auxílio para que a pessoa tenha um teto. A gente precisa de mais centros de tratamento para aqueles que são dependentes químicos. E, também, capacitar essas pessoas, para que, quando saiam, tenham uma oportunidade e não voltem para as ruas. Isso tem que ser prioridade.


O senhor mencionou, também, o emprego, o Polo Industrial de Cubatão.

Temos que discutir a questão do Polo Industrial de Cubatão. As empresas estão saindo daqui. A gente precisa discutir com o Estado algum tipo de incentivo fiscal para que as empresas voltem a ser atraídas para Cubatão, gerando mais empregos. E um dos assuntos que ficaram engavetados, e a gente precisa bater nessa tecla, é a questão das hidrovias, um sistema hidroviário Cubatão-Santos. Fala-se de ponte, túnel, mas se esquece das 10 mil pessoas de Cubatão que vêm para cá (Santos) todos os dias.


O sr. é um deputado experiente, que passou por governos tucanos e, agora, terá um governo diferente, independentemente de quem ganhar a eleição. Como será negociar com um novo governo?

Eu sempre tive um mandato independente. Dessa vez, caso meu (candidato a) governador (Tarcísio Gomes de Freitas, do Republicanos) ganhe, serei pela primeira vez “da gema”, ou seja, que foi da coligação e ganhou. Se assim acontecer no domingo, sei como devo me portar: serei aliado, mas nunca alienado.


Isso facilita o trabalho?

Com certeza. Você acaba construindo a história, faz parte de um projeto. Caso não seja o governador que escolhi, tenho experiência o suficiente para me posicionar e, no que for de interesse da região, colocar a representatividade. O que for de interesse da região e bom, vamos votar a favor. O que for ruim, com independência, a gente vai se posicionar.


Com relação à independência, tem-se falado em uma união dos deputados. O que acha disto?

Quantidade não significa qualidade. Nós temos cinco deputados nesta legislatura, o número se repete. Não é quantidade, mas é qualidade de saber trabalhar. Nós, que estamos lá há cinco anos, sabemos trabalhar, como se posicionar. Não é sobre número. Às vezes, um deputado só para a casa (é suficiente). É saber construir, saber a hora de falar pelo Artigo 82 (como líder de partido), recuar com os outros líderes e negociar o que precisa para sua região e votar com eles algum projeto deles. Não é só quantidade, é como se posiciona lá dentro. Mas o pessoal que está chegando agora vai ver isso. Parlamento vem de parlar, conversar, articular, ouvir as pessoas. Cada região tem sua demanda, e cada parlamentar ou grupo sempre pende para sua região, é natural.


E com relação ao Governo Federal, como pretende atuar?

Quando falamos da questão federal, é muito mais da região metropolitana, e vejo que isso só acontece no papel. Somos a primeira região metropolitana do Estado, mas, na prática, não funciona. Temos que ter uma reunião no Condesb (Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista), chamar todos os deputados federais e estaduais e, aí sim, em bloco, levar as demandas para Brasília. Fazermos uma lista de prioridades com todos juntos e ir em bloco, capitaneados sempre pelo presidente do Condesb, que será eleito e ir em caravana. Foi feito no passado, no meu primeiro mandato, e conseguimos bons frutos, principalmente, na saúde. Mas precisamos de uma liderança natural e regional para unir todos.


Um problema na região é a mobilidade urbana. O VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) se tornou realidade, mas sofreu críticas quanto ao projeto. Como será sua atuação?

Falamos sobre hidrovias, que é uma questão. O VLT está andando, está acontecendo, será uma realidade. Temos que discutir, agora, o que é mais barato, o que vai dar mais resultado. Será que não é o BRT (trânsito rápido por ônibus), quando chega a determinado ponto? Será que não é muito mais caro fazer uma ponte da Praia Grande até a Área Continental de São Vicente? Será que não dá para estender o VLT até Cubatão, pela Ilha Caraguatá, para atender? Vamos colocar isso em custo e benefício. Precisamos estudar em âmbito regional.


Com relação à habitação, esse auxílio às pessoas em situação social difícil é sua prioridade? Tem outro projeto?

Existem alguns projetos caminhando. Inclusive, ouvi uma bandeira do Paulo Alexandre (Barbosa, eleito deputado federal pelo PSDB), em Brasília. O meu foco será esse na área social. É gritante ver essas famílias nas ruas, passando fome, chuva, sol e ninguém fala nada, parecem invisíveis. Meu foco será trabalhar junto ao Governo do Estado para tirar essas pessoas da rua. Quem abraça tudo não abraça nada. Temos que ter três, quatro bandeiras e abraçar isso. Se cada um focar na sua bandeira terá resultado. Quando for preciso agir de forma coletiva, vamos agir.


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