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Litoral de SP sofre 'invasão' da variante Delta e médicos se preocupam com linhagens da cepa

Região da Baixada Santista é a segunda do estado com mais incidência da variante Delta. Dados são do Instituto Butantan

Por: Daniel Gois  -  13/10/21  -  07:22
 Dez sublinhagens da variante Delta da Covid-19 foram encontradas na Baixada Santista
Dez sublinhagens da variante Delta da Covid-19 foram encontradas na Baixada Santista   Foto: Matheus Tage/AT

A variante Delta se torna cada vez mais predominante entre os casos de Covid-19 nas cidades da Baixada Santista. Além de ser a segunda região do estado com maior incidência da cepa indiana no percentual de casos, o litoral de São Paulo já conta com dez das 17 sublinhagens da variante Delta que foram identificadas pelo Instituto Butantan. Mesmo com a vacinação, o cenário é visto com preocupação por infectologistas.


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Os dados são do Boletim Epidemiológico da Rede de Alerta das Variantes do Sars-Cov-2, do Instituto Butantan. O estudo tem como base amostras genéticas de resultados positivos para a Covid-19, obtidos até 25 de setembro.


O estudo identificou 58 variantes da Covid-19 que circulam no estado de São Paulo, sendo que 24 cepas estão presentes na Baixada Santista. O levantamento também aponta a descoberta de 17 sublinhagens da Variante Delta no estado, sendo que dez foram encontradas no litoral de São Paulo.


A variante Delta (B.1.617.2) esteve presente em 21,8% dos casos de Covid-19 positivos que tiveram genomas sequenciados pelo Instituto Butantan. Isso coloca a Baixada Santista como a segunda região do estado com mais incidência de casos da cepa, perdendo apenas para a região de Registro, que teve 33% de amostras da Delta identificadas.


As dez sublinhagens da cepa indiana encontradas na Baixada Santista representam 26,2% dos casos sequenciados. A principal sublinhagem da Delta presente é a AV.4, identificada em 17% das amostras sequenciadas.


 Variante Delta deve se tornar predominante entre os casos de Covid-19 na Baixada Santista
Variante Delta deve se tornar predominante entre os casos de Covid-19 na Baixada Santista   Foto: Divulgação

Preocupação
Para a infectologista Elisabeth Dotti, o cenário é preocupante. Ela reforça a necessidade das medidas de prevenção contra a Covid-19 e lembra dos protestos políticos de 7 de setembro, onde milhares de pessoas foram às ruas.


"A gente olha esse cenário com muita preocupação e angústia. O problema todo é a má conduta, o mau comportamento da população. O vírus não dorme, não descansa. Ele aproveita justamente do mau comportamento das pessoas. Com certeza absoluta temos muito medo vendo este cenário virológico e como a população está administrando isso", lamenta a médica.


Somados os casos da variante Delta e as sublinhagens, a Baixada Santista tem 48% dos casos de Covid-19 relacionados à essa mutação. Já a variante Gama, também conhecida como P.1 e identificada em Manaus, é responsável por 43,46% dos casos. Somada a outras quatro mutações derivadas (P.1.7, P.1.2, P.1.1 e P.4), a Gama corresponde por 48,78% das amostras do litoral de São Paulo que foram sequenciadas.


O infectologista Leonardo Weissmann acredita que a variante Delta deve se tornar predominante em relação à Gama nas próximas semanas. Apesar disso, ele ressalta que, até o momento, as vacinas disponíveis contra a Covid-19 são eficazes contra as cepas conhecidas.


"Esses dados reforçam a necessidade da vacinação completa, com duas doses, e a manutenção das medidas de prevenção, especialmente o uso de máscara e distanciamento físico. Até o momento, as vacinas funcionam bem com todas as variantes conhecidas", afirma Weissmann.


Já o infectologista Ricardo Hayden destaca o fato de a variante Delta ter uma maior capacidade de transmissão e difusão. Descoberta na Índia, ela é considerada uma das mutações da Covid-19 mais perigosas do mundo.


"Ela é mais difusível, por isso está afetando mais gente. A gente torce muito para que essa repovoação da Delta, substituindo outras cepas, não aconteça. Ainda não há nenhuma informação consistente que a gente possa dizer se essas variantes da Delta são mais perigosas. Não devemos subestimar, em hipótese nenhuma", alerta Hayden.


 Infectologistas reforçam importância da vacinação e das medidas preventivas contra a Covid-19
Infectologistas reforçam importância da vacinação e das medidas preventivas contra a Covid-19   Foto: Alexsander Ferraz/AT

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