Fenômeno La Niña explica ‘surpresas’ no clima da região

Alterações bruscas chamaram a atenção, mas já eram esperadas

Por: Redação  -  28/08/21  -  17:00
 Nevoeiro marítimo surge a partir do contato do ar quente com a superfície do mar mais fria
Nevoeiro marítimo surge a partir do contato do ar quente com a superfície do mar mais fria   Foto: Vanessa Rodrigues/AT

Reflexos do fenômeno La Niña explicam a série de alterações climáticas bruscas enfrentadas nas últimas semanas por moradores da Baixada Santista. Ele foi perdendo a intensidade ao longo do ano, mas deixou rastros que ainda têm influências, afirmam especialistas consultados pela Reportagem.


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Apesar das temperaturas abaixo da média, praticamente batendo recordes, e quase um veranico no meio sejam situações que até surpreendem a população, elas já eram esperadas, diz o meteorologista da Defesa Civil de Santos, Franco Cassol.


“Essas oscilações estavam previstas para esse inverno, com ondas de frio mais rigorosas. Tínhamos essas projeções devido ao La Niña. Como também não haveria chuvas mais intensas, daquelas que enchem os reservatórios”, disse.


A meteorologista da Ampere Consultoria, Heloisa Pereira, também destaca grande contribuição da Oscilação Antártica, que ajudou a derrubar as temperaturas não só neste mês. “A Oscilação apresentou valores negativos, indicando perda de velocidade e, consequentemente, mais massas de ar de origem polar escaparam em direção ao sul da América do Sul — afetando, inclusive, grande parte do Brasil.”


Segundo a professora e especialista em Clima da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), Glória Castro, é preciso pôr na conta alterações climáticas causadas pelo efeito estufa.


“Este ano tem apresentado muitas anomalias climáticas em diferentes partes do mundo. Os pesquisadores vêm alertando que a ocorrência de extremos climáticos com maior frequência é um indicativo das mudanças climáticas, decorrentes do efeito estufa, provocado pelo aumento do dióxido de carbono na atmosfera”.


Nevoeiro


Nevoeiros intensos também chamaram a atenção, principalmente porque surgiram em horários nada habituais, diz Cassol.


“É um fenômeno que ocorre de manhã cedo e se dissipa rápido. O que ocorreu foi a atuação do fenômeno chamado nevoeiro marítimo, que tem relação direta com a influência do mar. É o contato de um ar mais quente com a superfície do mar que está com temperatura mais baixa”, explicou.


Outra situação se deu na água do mar, que se manteve muito fria na região, apesar de os termômetros terem subido bastante no início da semana. Na quinta-feira (26), por exemplo, a temperatura média estava em 21,6° C e, no início do mês, em 19,3° C. Os dados são da Praticagem de São Paulo, diz o professor de Biologia da Universidade Santa Cecília (Unisanta) Renan Ribeiro. O pico ocorreu em março, com 29,5° C.


“É comum estar um pouco mais fria porque estamos no inverno, e demora mais para a água trocar calor com o ar. (...) Também tivemos outro fator que foi um vento de leste, na costa de São Paulo. Ele faz com que a água mais superficial se mova para fora, e esse espaço é ocupado pelas águas mais profundas, portanto, mais frias”, afirmou Ribeiro.


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