[[legacy_image_334654]] No momento em que as conversas sobre a ligação seca entre Santos e Guarujá estão na ordem do dia, especialmente após o entendimento entre os governos do Estado e Federal, outro projeto também voltou para a mesa de discussões: o do túnel entre Santos e São Vicente, também denominado Túnel do Maciço — feito mediante a perfuração de um morro. Tido por muitos como uma espécie de lenda urbana, as tratativas ganharam impulso na última semana. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O prefeito Rogério Santos esteve com o governador Tarcísio de Freitas (ambos do Republicanos) na Capital, onde o chefe do Executivo santista reforçou a importância da ligação, inicialmente entre os bairros Marapé, em Santos, e Vila São Jorge, em São Vicente. A pré-seleção no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Governo Federal, acena para um horizonte promissor. Mas uma obra custeada apenas pelo Estado não está descartada, a exemplo da inclusão dela no escopo do projeto da terceira pista entre o Litoral e o Planalto, num modelo de Parceira Público-Privada (PPP). “Conversei com a equipe técnica da Artesp (Agência de Transporte do Estado) e também com o DER (Departamento de Estradas de Rodagem). O projeto que a Prefeitura tem é básico, encaminhado ao Governo do Estado, a pedido do governador Tarcísio, e pensando numa interligação da Cidade com o próprio túnel imerso, porque há uma conexão, é na mesma direção. E, também, com a chegada a Santos, já que se fala da terceira pista da Imigrantes. Foi isso que a gente fez, junto ao Governo do Estado. Ele (Tarcísio) é um entusiasta, assumiu um compromisso de fazer esta obra, e agora, a gente (está) começando a construir o projeto em conjunto”, diz o prefeito. Em nota, o DER afirma que “iniciou os estudos de viabilidade para construção do túnel que ligará as cidades de Santos e São Vicente”. Custo e vantagensRogério Santos argumenta que o cálculo estimado do valor da obra, de cerca de R\$ 500 milhões, é baseado em túneis que foram feitos há pouco tempo no Brasil. Um exemplo é o Rio de Janeiro, onde foram construídos túneis no projeto Porto Maravilha, na Zona Portuária carioca. “Existe uma pré-seleção no PAC e a possibilidade de incluí-lo dentro do viário, onde haveria uma composição entre os governos do Estado e Federal. Ou o Estado (poderia) bancar tudo, (pois) existe a possibilidade, além de ele estar dentro das tratativas para a terceira pista”, afirma. Rogério Santos aponta vantagens. “É um túnel escavado. o que a torna 100% viável. Já existe um túnel no maciço, da Sabesp, um grande reservatório (o Reservatório Santa Tereza-Voturuá, na divisa de Santos e São Vicente). O tipo de rocha é favorável, e o mais importante é que seja feito de forma que impacte os bairros da menor forma possível.” Entre os pontos a serem considerados, estão os melhores pontos de emboque (trecho inicial do túnel) e da saída. “Não necessariamente (vai sair no Marapé), mas é uma possibilidade. Temos outras.” Quase 30 anos de discussãoA primeira referência oficial que se tem da ideia de um túnel entre as zonas Leste e Noroeste completará 30 anos em 15 de dezembro. A Lei Complementar (LC) 151, de 1994, sancionada pelo então prefeito David Capistrano e que fixava diretrizes viárias para a Cidade, incluía o “Túnel do Maciço Central” entre a primeira meta do plano: “Melhorar a integração dos bairros e da Cidade com os demais municípios da região”. Assim seria o túnel: “Fica estabelecida a ligação da Rua D. Duarte Leopoldo e Silva, no bairro do Marapé, à Av. Francisco da Costa Pires, no Bairro São Jorge, através de túnel a ser aberto no maciço central, bem como a alteração parcial no traçado da Av. Nilo Peçanha, Rua D. Duarte Leopoldo e Silva, Rua Romeu Aceturi, no bairro do Marapé, e Pça. Otávio Côrrea, no Bairro São Jorge, com o projeto de pistas de ligação entre estas e o túnel projetado, visando dotá-lo de acessos adequados”. Em 17 de setembro de 1996, A Tribuna noticiou que a Prefeitura pediria a inclusão do túnel Marapé-Zona Noroeste no projeto de concessão das estradas que ligam a Baixada Santista à Capital. O Sistema Anchieta-Imigrantes ainda não havia sido concedido à iniciativa privada, o que ocorreria em 1998. A segunda pista da Rodovia dos Imigrantes surgiria em 2002. Foi em 23 de dezembro de 2004, nos últimos dias de seu segundo mandato, que o prefeito Beto Mansur assinou o contrato para a construção do túnel. Foi firmado com a Construtora OAS Ltda. (atual Metha), após licitação, ao custo de R\$ 146,6 milhões (R\$ 413,9 milhões, atualizados pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, inflação oficial do País. Não havia, porém, prazo para o início da obra, que “dependerá da liberação de recursos do Governo Federal e da solução de algumas pendências”, como destacou o jornal no dia 24. Os trabalhos durariam 28 meses (dois anos e quatro meses) após o começo. Ficou no papelNada aconteceu. Na edição de 3 de novembro de 2008, publicou-se que o então prefeito João Paulo Papa informou que a construção do túnel só se iniciaria caso houvesse “a certeza de que contaremos com os recursos” durante toda a obra. O Município não tinha como custeá-la sozinho e estava dando prioridade ao programa Santos Novos Tempos, para prevenção de riscos de enchentes e deslizamentos de encostas na Zona Noroeste. Cogitava-se incluir o túnel em uma categoria do PAC, chamada Mobilidade. A LC 154 foi revogada em 30 de dezembro de 2019, pela LC 1.087, que manteve, de forma simplificada, a diretriz de construção do túnel: “Fica estabelecida a ligação das Ruas Dom Duarte Leopoldo e Silva e Napoleão Laureano, no bairro do Marapé, à Av. Francisco da Costa Pires, no bairro São Jorge, através de túnel a ser aberto no maciço central, incluindo a integração entre o município de Santos e o município de São Vicente”.