Casos de cegueira por glaucoma crescem no Brasil; Baixada tem índice controlado

População com mais de 40 anos é a mais afetada pela doença. Região não demonstra aumento nos casos

Por: Marcela Ferreira & De A Tribuna On-line &  -  17/02/19  -  10:45
  Foto: Bloomberg/Getty Images

No Brasil, os casos de cegueira provocada pelo desenvolvimento do glaucoma afeta cerca de 3% da população acima dos 40 anos de idade. A doença teve um crescimento expressivo, segundo dados divulgados por uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, eram 900 mil casos no Brasil, enquanto que no ano passado, a cegueira provocada pelo glaucoma chegou a atingir 2,5 milhões de pessoas.


Na Baixada Santista, por outro lado, não houve crescimento. Segundo o oftalmologista Celso Afonso Gonçalves, a relação médico-paciente na região oferece atendimento suficiente para controlar a doença, de forma a não permitir que os quadros de glaucoma evoluam para cegueira.


Ele comenta que os casos de cegueira por glaucoma aumentaram no Brasil por falta de acesso à assistência e acesso à saúde da população. “Os tratamentos são caros, e nem todos têm acesso aos medicamentos e a um especialista para fazer o tratamento e controle do glaucoma”, diz.


O oftalmologista conta que o acesso à saúde ocular na Baixada Santista é muito mais viável do que em outras regiões do país. “Nós não tivemos aqui um aumento nos casos de cegueira por glaucoma. O próprio governo tem oferecido medicamentos, mesmo os mais caros, de forma gratuita através da Farmácia Popular e do Ambulatório de Especialidades Médicas (AME). Aqui temos tido um bom controle dos casos”, relata.


Hereditário


O especialista alerta para a importância do diagnóstico prévio e acompanhamento da saúde ocular para que o glaucoma seja detectado o quanto antes. “A maior prevalência é após os 40 anos de idade, mas existem casos de glaucoma juvenil e casos mais raros de glaucoma em crianças”.


Ele ressalta que as pessoas com histórico da doença na família são as que devem ter atenção especial ao problema. “Pessoas que têm história familiar de glaucoma, as que são usuárias de alguns medicamentos, principalmente à base de cortisona, e que fazem uso de alguns medicamentos psicotrópicos podem propiciar o aparecimento de glaucoma”, afirma.


Uma doença silenciosa


Segundo o médico, o maior problema do glaucoma é que ele não apresenta sintomas nos pacientes. “Quando os sintomas aparecem, a doença já está extremamente avançada, então o paciente não tem desconforto, só na fase tardia da doença que ele pode ter dor e cegueira”. Em razão disso, Gonçalves ressalta a importância de campanhas sobre o glaucoma e das consultas periódicas ao oftalmologista.


O glaucoma se manifesta como um distúrbio entre a produção e a drenagem do humor aquoso, que é o líquido que preenche os olhos por dentro. Ele pode ter causas secundárias como o uso de determinados remédios, traumatistmos e algumas cirurgias, mas a grande maioria dos casos é hereditário.


Tratamento


A maior parte dos casos de glaucoma são tratados com colírios e alguns comprimidos, segundo conta o oftalmologista Celso Gonçalves. O tratamento com laser e cirurgia também costuma ser indicado em alguns casos. “Não existe a cura do glaucoma, ele é uma doença que é controlada, então é como a diabetes, não tem cura, mas se controla medicamentosamente”, diz o médico.


Por fim, o especialista alerta para as graves consequências que a falta de aderência ao tratamento pode ter. “O paciente vai ter uma perda gradativa da visão, da periferia para o centro, ou seja, a visão dele vai ficando de forma tubular, como se ele estivesse enxergando através de um tubinho, até que ela se fecha totalmente, levando à cegueira total”, finaliza.


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