Amigos destacam o ecletismo do jornalista Sérgio Luiz Corrêa, falecido nesta sexta em Santos

Profissional foi editor de Esportes de A Tribuna, onde se notabilizou por acompanhar o Santos

Por: Eduardo Silva e Rafael Motta  -  29/10/22  -  07:24
Corrêa (à direita) na cobertura do GP Brasil de Fórmula 1, ao lado de Nelson Piquet
Corrêa (à direita) na cobertura do GP Brasil de Fórmula 1, ao lado de Nelson Piquet   Foto: Anésio Borges

O jornalista Sérgio Luiz Corrêa, ex-editor de Esportes de A Tribuna, morreu às 17h30 desta sexta-feira (28), aos 75 anos, de câncer. Ele estava internado na Santa Casa de Santos. O velório será realizado na Memorial Necrópole Ecumênica, no Marapé, a partir das 9 horas deste sábado (29), e a cerimônia de cremação começará às 15 horas.


Clique, assine A Tribuna por apenas R$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios!


“Em setembro, ele começou a perder o movimento das pernas e foi internado no dia 6, passou por uma cirurgia e teve alta no dia 21. Voltou para casa, mas tudo se complicou. Ele retornou ao hospital e, no dia 14 deste mês, foi intubado, passou por uma nova cirurgia. É duro para a gente, mas era muito sofrimento, ele descansou”, disse a viúva do jornalista, Mirian Pina Corrêa. Eles foram casados por 49 anos.


Sérgio Corrêa era jornalista profissional diplomado desde a década de 1970 pela Sociedade Visconde de São Leopoldo, atual Universidade Católica de Santos (UniSantos). Trabalhou também no extinto jornal Cidade de Santos, escreveu para o Jornal da Orla e foi assessor de imprensa da Portuguesa Santista, da Santa Casa e da Comgás.


Durante a carreira, destacou-se pela cobertura esportiva: foi repórter, articulista e responsável pela editoria de Esportes de A Tribuna, onde trabalhou entre a década de 1970 e 1999.


Ecletismo

Em A Tribuna, fez coberturas internacionais, acompanhando o Santos Futebol Clube. Uma delas foi o Torneio Hexagonal do Chile, em 1977, competição conquistada pelo time quatro vezes. Mas era considerado um profissional eclético: cobria, também, tênis, natação e automobilismo.


Também se destacou por reportagens sobre os Jogos Abertos do Interior, para as quais era designado e passava dias acompanhando as competições, nas quais Santos se destacava.


Por exemplo, o campeão olímpico de judô em Barcelona-1992, Rogério Sampaio, lembrou que “a primeira lembrança que eu tenho do Sérgio foi quando eu voltei do meu primeiro torneio internacional. Foi o campeonato Pan-Americano Júnior, na Cidade do México. Eu tinha 18 anos. Quando retornei, fui fazer uma matéria com ele, que era o editor de Esportes de A Tribuna. Depois, ao longo de toda carreira, sempre tive contato com ele. Depois de cada conquista. De cada novo desafio. São grandes lembranças.”


Fábio Goulart, campeão de taekwondo dos Jogos Pan-Americanos de Cuba, em 1991, relatou que, “no início da minha carreira, (Corrêa) sempre me abriu espaço com reportagens de destaque no jornal A Tribuna. Obrigado a um grande profissional, de humor sagaz e palavras de incentivo”.


Qualidades

O jornalista José Carlos Silvares, amigo de Corrêa e com quem conviveu por mais de 50 anos, desde a faculdade, dizia ver nele um “parceiro de muitas emoções, brincalhão, marido exemplar, pai e avô amoroso. Amigo querido e fiel de tantos amigos”.


Em termos profissionais, Silvares, ex-editor-executivo de A Tribuna, classificou o colega como “dono de um texto primoroso, de leitura sempre irrepreensível e de opiniões próprias e livres, como devem ser. Um cara inesgotável e inesquecível”.


O ex-editor de Primeira Página Mário Jorge de Oliveira, que trabalhou por 32 anos em A Tribuna, foi convidado por Corrêa em 1994 para a editoria de Esportes.


“Sem saber muita coisa deste complexo setor, o Serginho me deixou muito à vontade. E dava explicações sobre a natureza de uma cobertura na área esportiva. Com ele, passei a conhecer mais os meandros e os desafios de trabalhar nesta área. (...) O Sérgio deixava as coisas mais leves e nos dava liberdade para agir”, detalhou.


Pessoal e profissional

Ex-editor chefe de A Tribuna, onde trabalhou por 31 anos, o jornalista Marcio Calves também destacou o convívio com Corrêa na editoria de Esportes do jornal. “Ele fez história no esporte, principalmente, cobrindo o Santos (Futebol Clube).”


Calves salientou que Corrêa acompanhou o Santos nas categorias profissional e amadora, viajando até ao exterior para coberturas jornalísticas. “E tinha dedicação especial à Portuguesa Santista. Como todo bom profissional, vai fazer falta.”


Miriam Guedes de Azevedo, que também foi editora chefe de A Tribuna e trabalhou por 35 anos no jornal, considerava Sérgio Corrêa “um jornalista que dignificou a profissão, correto, atento aos fatos, sempre preocupado com a qualidade da notícia e do texto”.


A jornalista salientou que, “como editora-chefe, pude sentir de perto a imensa generosidade com que agia em defesa do trabalho da sua equipe, sem recuar de uma boa briga pelo destaque da notícia”.


“Além de ser um excelente profissional, (Corrêa) foi também um grande ser humano. Conquistou a todos com seu jeito extrovertido e brincalhão e, com certeza, será sempre lembrado por todos os que com ele conviveram dentro e fora do jornal”, declarou o jornalista Joaquim Ordonez, que trabalhou por 35 anos em A Tribuna como repórter e editor.


Nascido em São Vicente em 18 de outubro de 1947, Sérgio Luiz Corrêa deixa os filhos Leandro e Leonardo e os netos João Octávio, Mateus e Mel.


Logo A Tribuna
Newsletter