Ambulantes esperam faturar mais durante o maior feriado de 2018

Hotéis da Baixada Santista registram ocupação média de 88%

Por: Sheila Almeida  -  15/11/18  -  18:02
  Foto: Rogério Soares

O mais longo feriado prolongado do ano começou. Até terça-feira (20), as expectativas são de faturamento dobrado ou triplicado no comércio ambulante e ocupação média de 88% nos hotéis da região. Isso, mesmo com tendência de tempo nublado e chuva a qualquer hora, além de gastos comedidos dos visitantes por causa da crise econômica.


A esperança parte dos números. A Ecovias, concessionária do Sistema Anchieta Imigrantes (SAI), espera a descida de até 525 mil veículos entre esta quinta-feira (15), feriado da Proclamação da República, e terça-feira (20), Dia da Consciência Negra (20). O Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares da Baixada Santista e Vale do Ribeira (SinHoRes) aponta média de 88% de ocupação, conforme pesquisa em 21 hotéis. Destaque para Guarujá, com 95%, São Vicente, com 91%, e Santos, com 85%.


Foi em 2012 a última vez em que o 15 de Novembro caiu numa quinta-feira, como agora. Por isso, o vendedor de sorvete Luís Valdir Souza, de 59 anos, aposta em incrementar o faturamento agora, após dias de chuva.


“Costumo vender no dia a dia uns R$ 200,00 e, nos feriados, uma média de R$ 600,00. É o que faz valer a pena, apesar de eu saber que o pessoal está bem em dúvida com a política e com o futuro do Brasil. Mesmo quem tem dinheiro não gasta. Noto isso porque, no passado, o pessoal escolhia os melhores sorvetes. Hoje, a maioria procura os mais baratos”, aponta.


De acordo com o último levantamento da Serasa Experian, as nove cidades da Baixada Santista tinham, juntas, 644.653 inadimplentes.


No Brasil, são 62,89 milhões já com o CPF restrito para compras a prazo ou contratação de crédito, e a região Sudeste puxa o aumento da inadimplência, com 26,1 milhões de negativados – 39% da população, segundo o Serviço de Proteção ao Crédito e a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas.


Ciente da situação, o ambulante Cledison Borges Santana, de 38 anos, diz rezar para o sol aparecer, ainda que surja entre nuvens.


“Porque mesmo do mormaço o pessoal gosta. A gente sabe que as contas estão todas atrasadas, inclusive as nossas. Que os turistas venh[TEXTO]am com bastante dinheiro e saúde para aproveitar. Porque a expectativa é de dobrar as vendas para recuperar os dias de chuva”, comenta.


Economia e repouso


A fase, que não permite regalias, e a facilidade de acesso fazem com que famílias do Interior de São Paulo escolham a Baixada Santista para passear, como fez Conceição Aparecida Geraldeli Ruffo, empresária de 63 anos que está em Santos.


“Somos de Bálsamo, no Interior. Para nós, ir para o Nordeste exige ir para São José do Rio Preto, depois para São Paulo e, com isso, gastar dois dias para viajar. Cansa demais. Esta é a praia mais perto. Em pouco mais de 500 quilômetros estávamos aqui”, conta ela, que viajou com Yngrid Isabela Carvalho, de 12 anos, e o marido, Luiz Roberto Ruffo, de 63, contador.


Luiz Roberto confirma: “A gente vem com responsabilidade e gasta o que preparou para gastar, sem levar dívida para casa”.


Lúcia Noronha, de 59 anos, psicóloga de Lambari (MG), veio para Santos com o marido Ricardo da Cruz, engenheiro de 60 anos, para estrear o apartamento adquirido na Cidade.


“Temos que pisar na areia, entrar na água, nos salgar para descarregar tudo o que carregamos durante o ano. Só dando trovão mesmo para a gente sair da praia”, diz ela.


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