100 mil casos: Especialistas analisam erros e acertos da pandemia na Baixada Santista

Na prática, são mais de seis estádios da Vila Belmiro lotados de pessoas infectadas com a doença

Por: Nathália de Alcantara  -  18/02/21  -  09:24
Região tem mais de 51 mil altas hospitalares confirmadas
Região tem mais de 51 mil altas hospitalares confirmadas   Foto: Matheus Tagé/AT

A Baixada Santista passou dos 100 mil doentes com coronavírus desde o começo da pandemia. Na prática, são mais de seis estádios da Vila Belmiro lotados de pessoas infectadas com a doença. Para especialistas, a região teve mais acertos do que erros nas medidas de prevenção à Covid-19 até aqui, mas o fato é que ainda tem muito a fazer para vencer essa batalha.


Clique e Assine A Tribuna por apenas R$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços!


A doença teve picos em meses diferentes em cada cidade. Ou seja, ela se manifestou de maneira diversa pela região.


Para o infectologista Eduardo Lopes, isso acontece por diversos fatores: medidas adotadas contra a covid-19, idade da população e cumprimento às recomendações.


"Em algumas cidades, houve maior adesão ao uso da máscara. Em outras, as pessoas ficaram mais em casa. Determinadas prefeituras também foram mais rígidas em suas medidas. Isso tudo influencia no resultado final".


Ele explica que, de maneira geral, a doença se movimenta do Litoral para o Interior. "Podemos observar essa característica no número de casos, que vai aumentando conforme passa essa onda", diz Eduardo.


A diretora da Vigilância em Saúde de São Vicente, Luciana Schiavetti, lembra do primeiro contato com a doença e o medo do novo, avaliando que esse foi um sentimento de pacientes, mas, acima de tudo, dos profissionais que atuariam na linha de frente.


"Nós precisamos aprender a lidar com a covid-19, o que fazer, de que forma e muito rápido".
Hoje, quase um ano após a primeira confirmação de coronavírus na Cidade, ela avalia que a situação está longe de ficar controlada.


"É um enfrentamento que leva tempo e precisa, acima de tudo, da ajuda da população com o uso de máscaras e o isolamento social".


Aprendizado


O infectologista Jacyr Pasternak, do Hospital Albert Einstein, defende que é preciso aprender que medidas de controle devem ser levadas a sério.


"Essa foi uma das muitas doenças que ainda aparecerão para nos surpreender. Precisamos estar atentos e preparados para lidar com elas da melhor forma possível. Espero que tenhamos aprendido com essa lição".


Quem concorda com ele é o diretor da Sociedade Paulista de Infectologia, Evaldo Stanislau.


"Somos muitos diferentes do que éramos. A ciência é a grande vencedora dessa situação que a gente vive. Em menos de um ano, temos várias vacinas sendo utilizadas".


O único que detalhe é que, na visão dele, as pessoas não evoluíram. "Houve a falta de empatia e o egoísmo, que fizeram muitos passarem a ignorar a covid-19. A sociedade está completamente indiferente à morte dos mais de mil brasileiros por dia. E elas nem tem vergonha disso".


O secretário de Saúde de Santos, Adriano Catapreta, acredita que a cidade fez a lição de casa com as testagens e a vacinação intensa de todas as doses que chegavam.


"Ainda não sabemos quando chegarão as próximas doses, pois somos avisados da noite para o dia, mas deve ser para o final do mês. Vamos melhorar ampliar e melhorar o esquema de vacinação".


Procurada para comentar quando chegará a próxima remessa de vacinas à região, a Secretaria de Saúde do Estado não deu data e disse depender do envio de mais doses pelo Ministério da Saúde — que não respondeu até a publicação desta matéria.


Logo A Tribuna