Estatal é mantenedora do plano de saúde Postal Saúde, que enfrenta problemas financeiros (Tomaz Silva/Agência Brasil) A doceira Thalita de Abreu Porto Aguiar de Sousa, de 40 anos, não tem conseguido dormir em paz nos últimos tempos. Tudo isso pela incerteza sobre o futuro do tratamento clínico prestado aos dois filhos, um de 6 anos e outro de 12, ambos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Isso porque a instituição que os acolhe, o Instituto Almai, que tem unidades na Baixada Santista, deve suspender as sessões a partir do dia 1º de junho, por falta de reembolso por parte da Postal Saúde, plano que tem os Correios como mantenedor. O medo de que eles regridam, pela quebra de continuidade nos cuidados, é grande. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Eu mesma estou com medo de ficar sem meus tratamentos medicamentoso e consulta com gastro e reumatologista, pois tenho doença autoimune. É muito grande (o medo), já imaginei meus filhos regredindo (no tratamento). Como eu poderia ajudá-los em casa mesmo com o que aprendi nesses anos, mas é claro que não seria o suficiente?”, explica a empreendedora., que elenca uma série de problemas, como artrite reumatóide, fibromialgia e Doença de Crohn (um distúrbio inflamatório gastrointestinal) Thalita explica que os dois filhos têm autismo nível 1 de suporte, com idas entre 3 e 4 vezes ao instituto toda semana. No roteiro, sessões de psicóloga, psicopedagoga, musicoterapia, fisioterapia, fonoaudiologia, terapias ocupacionais e psicomotricidade. Além disso, ambos têm laudo de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) “Quando esse assunto de suspensão apareceu em março (quando um e-mail foi enviado), eu me desequilibrei, chorei e tremia muito até confirmar com a clínica que não tinham suspendido. Hoje estou tranquila, está nas mãos de Deus, sei que tudo dará certo”, resigna-se. A apreensão é dividida com outra mãe, a confeiteira desempregada Ítala Ane Morais Linguanote, de 37 anos. Moradora de Cubatão, ela se preocupa com os dois filhos e consigo própria, que, assim como Thalita, possui uma doença autoimune, necessitando de ciclos de medicamentos para evitar uma internação e outras complicações. “Minha filha de 6 anos possui má-formação genética, e precisei me deslocar a São Paulo para consegui um tratamento correto. Temos gastos altos, além do desconto mensal que aqui gera em torno de R\$ 1,5 mil, fora transporte e alimentação. É um sentimento humilhante, por algo que é pago. Não é um serviço barato”, resume. Alerta Thalita recebeu e-mail de representante da Postal Saúde em abril, a respeito dos problemas financeiros do plano. “A operadora está empenhada, em conjunto com os Correios, para regularizar a situação o mais breve possível. É importante destacar que a conjuntura atual representa apenas uma parte da rede credenciada. (...) Todas as ações administrativas, incluindo remanejamentos e antecipações de repasses financeiros, têm sido discutidas com os Correios. A Postal Saúde permanece mobilizada e comprometida em assegurar que todos os beneficiários tenham a continuidade do acesso aos atendimentos necessários com a qualidade que sempre foi oferecida”, dizia o texto. Sobre a suspensão das atividades por parte do Instituto Almai, outra mensagem recebida por Thalita, por parte da Postal Saúde, afirma que se trata de “decisão unilateral do prestador (...) No entanto, estamos em tratativas para resolver esse problema administrativo o mais breve possível”. Posicionamentos Em nota, o Instituto Almai informa “(...) com profundo pesar, a suspensão dos atendimentos aos pacientes vinculados à operadora Postal Saúde, a partir do dia 1º de junho de 2025, sendo o último dia de prestação de serviços 30 de maio de 2025”. “A decisão foi motivada por inúmeros atrasos nos repasses financeiros, que, apesar das tentativas de negociação e boa-fé institucional, não foram regularizados pela operadora. Atualmente, o Instituto enfrenta mais de dois meses de inadimplência total, além de valores parciais pendentes desde o ano de 2024, o que inviabilizou a continuidade dos atendimentos”, prossegue a nota da instituição. Ainda de acordo com o Instituto Almai, “(...) a continuidade das atividades multidisciplinares tornou-se insustentável diante do impacto direto que a ausência de pagamentos tem gerado sobre nossa estrutura e sobre os profissionais responsáveis pela condução dos tratamentos diante do compromisso de repasse. Desde o início da tratativa, mantivemos transparência com a operadora e com os responsáveis legais dos pacientes, comunicando formalmente a situação e colocando-nos à disposição para regularização imediata dos débitos, bem como ofertando propostas de negociação dos valores pendentes". O instituto explica ainda que, até o momento, "não houve retorno efetivo que viabilizasse a regularização total dos débitos”. A entidade reforça que está aberta “a retomar os atendimentos assim que a situação financeira for regularizada pela operadora”. Em nota, os Correios informam que, com a Postal Saúde, "estão em tratativas com o Instituto Almai para manutenção dos atendimentos a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na região da Baixada Santista. A previsão é de que a situação esteja regularizada até o dia 31 de maio, evitando, assim, qualquer interrupção nos atendimentos aos beneficiários".